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Oaska
O Misterioso chá
da Amazônia
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Considerado
o Grande Avatar pela sua poderosa capacidade de despertar a divindade no homem,
o chá Oaska, composto a partir de duas plantas da Floresta Amazônica e
comungado em rituais religiosos desde eras remotas, ganha cada vez mais adeptos
em toda a América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa. O que atrai estas
pessoas é o poder de atuação desse misterioso líqüido no espírito humano,
que lhes possibilita conhecer o verdadeiro significado da existência,
recordar-se de suas vidas passadas e aprender a construir um futuro melhor a
partir da consciência adquirida.
Iluminando
a humanidade através dos séculos e deixando sinais de sua doutrina em inúmeras
religiões do planeta, a UNIÃO DO VEGETAL (UDV), a Ordem Religiosa que
distribui o chá em seus rituais religiosos e que é também a mais antiga do
mundo, ressurge no final do século XX inaugurando a era de Aquário pelo seu
poder de fazer superar as ilusórias divergências e as rotulações religiosas,
no sentido de despertar os homens para a legítima e única dimensão da
espiritualidade: a união.
Deste
modo, o chá Oaska representa a esperança para um mundo onde a desunião e o
desequilíbrio tomaram proporções tão inauditas que se torna difícil
conceber uma solução para ele. Embora para muitos a existência de um chá
dotado de tamanho poder possa parecer algo impossível, ele existe, e em território
nacional, encontrando-se à disposição de todos os que têm busca espiritual.
Requisito para experienciar esse poder? Uma boa dose de coragem para se
enfrentar. E como recompensa, a avaliação de toda uma vida dentro da dimensão
espiritual, além da força suficiente para livrar-se do falso e do ilusório.
A
luz em sua própria casa
Em
1974, dois jovens saíram de um mosteiro budista do Rio de Janeiro com o
objetivo de empreender uma viagem a um templo do Tibete em busca de algo que os
auxiliasse na conquista do autoconhecimento. Baseando-se em informações
contidas em livros e em algumas revistas de cunho espiritualista, alimentavam
a esperança de que lá encontrariam o caminho espiritual que aqui ainda
não haviam conseguido encontrar.
Após
uma estafante viagem de quase uma semana, constituída de algumas dezenas de
horas de vôo, embarques em trens, ônibus e navios, além de uma longa escalada
a pé pelas montanhas do Himalaia, chegaram afinal ao templo tibetano, situado
num dos inúmeros picos dessa cordilheira.
Faltava
apenas a entrevista com o Lama, que ocorreu dois dias depois da chegada. Assim
que foram recebidos por ele, expressaram-lhe suas inquietações a respeito da
busca pelo verdadeiro caminho da espiritualidade, a qual os motivara a fazer tão
longa jornada. O ancião os fitava sem nada dizer, até que, após um longo silêncio,
revelou:
–
A Grande Luz que durante tanto tempo clareou o Oriente deslocou-se para o
Ocidente. Encontra-se na América do Sul, no país maior. Só lá poderão
encontrar o que procuram.
Os
dois peregrinos não podiam acreditar no que estavam ouvindo: tanto trabalho e
esforço, tanto dinheiro e tempo gastos para terem de ouvir que a Grande Luz
estava no Brasil! Não sabiam se ficavam desolados ou felizes diante de tão
forte revelação, mas não tiveram outra alternativa senão regressar.
Em
1989, a história se repete, desta vez com dois profissionais de São Paulo. Um
professor de Tai Chi Chuan, estudioso da filosofia oriental, convenceu um amigo
seu, gerente industrial, a acompanhá-lo até um mosteiro de linha tibetana na
Índia à procura de um certo monge do qual ele ouvira falar, pois acreditava
ser sua doutrina religiosa a mais próxima da verdade. O monge, da mesma
forma que o outro fizera no Tibete quinze anos antes, revelou-lhes que a luz que
eles procuravam se encontrava aqui no Brasil...
Os
dois primeiros viajantes, alguns meses depois de sua chegada, relataram o fato
à pessoa que um ano depois encontraria a Oaska e após seis se tornaria o
dirigente da União do Vegetal: o Mestre Joaquim José de Andrade Neto, que
sempre sentira e soubera que o caminho da verdadeira espiritualidade se encontra
na própria América do Sul. Os outros dois que passaram por experiência
semelhante contaram o ocorrido para o proprietário de uma academia de Tai Chi
Chuan; e esta pessoa, no ano seguinte, encontraria a União do Vegetal e se
tornaria discípulo do Mestre. Assim, a grande boa nova para o habitante do
continente sul-americano é a presença desse chá neste mesmo contintente, fato
esse que pode poupá-lo de ter que se deslocar até o Himalaia, à Índia ou a
outros lugares em busca da experiência com o sagrado.
Aliás,
os episódios ocorridos com esses brasileiros são simbólicos, na medida em que
a primeira revelação proporcionada pela Oaska é a de que a luz tão procurada
pelo homem se encontra em sua própria casa, ou seja, no interior de si mesmo.
Também Lídia Carmeli, discípula que é jornalista e ex-professora de yoga,
passou por experiência semelhante, tendo ido até à Índia e lá permanecido
quatro meses em busca do autoconhecimento: “Não dá nem para comparar as inúmeras
horas que despendi com exercícios de meditação e yoga com um minuto de experiência
com a Oaska: a experiência é tão forte e grandiosa que depois da minha
primeira sessão eu ria de mim mesma por ter esperado alcançar o êxtase em
terras tão distantes e através de exercícios meramente mentais.” Adriana
Simon, também discípula, sintetiza da seguinte forma o impacto que representou
para ela encontar-se pela primeira vez sob o efeito do chá: “Quatro horas de
experiência com a Oaska foram suficientes para me dar as respostas existenciais
que eu há anos procurava. Quando já estava tendo crises de depressão,
descobri todas as respostas dentro
de mim mesma.”
Assim,
a Floresta Amazônica, considerada “o pulmão verde do mundo”, além de
contribuir para a qualidade de vida do homem no nível físico através da
purificação do ar, ainda favorece a sua qualidade de
vida no nível espiritual, justamente por abrigar, dentre as milhares de
espécies vegetais que a compõem, as duas plantas surpreendentes com as quais o
chá Oaska é preparado, o Mariri e a Chacrona, cujos efeitos podem representar
a solução para os problemas humanos. Esse fato explica a atração que inúmeros
povos de outros continentes sentem pela gigantesca mata sul-americana, ainda que
desconhecendo o mistério que ela guarda em seu seio.
A busca pelo êxtase
A
busca pelo sentimento de plenitude do ser – o êxtase – é uma característica
da natureza humana, de modo que a esperança de experimentá-lo jamais se
extingue. Essa esperança é que deu origem às religiões e ao que de melhor se
criou na arte, nas ciências e na filosofia. Paradoxalmente, a busca pelo êxtase
também levou o homem a descaminhos. Veja-se, por exemplo, o caso do grande número
de pessoas de uma das gerações do nosso século que arriscou sua saúde física
e mental em experiências alucinógenas na ilusão de que as mesmas poderiam
lhes proporcionar a ligação com algo transcendental.
Tais
pessoas ignoravam, sem dúvida, que o êxtase é infinitamente mais do que sensações
de bem estar acompanhadas de visões. A necessidade de senti-lo está
relacionada à busca pelas respostas para as questões existenciais. Sem saber
exatamente o que está fazendo neste mundo, o homem encontra dificuldades para
traçar diretrizes ou princípios de vida e, mais ainda, para ser fiel a esses
princípios. E é justamente essa carência de respostas que explica a existência
das guerras, das perseguições, da escravidão e de outras aberrações que
marcam a História da Civilização. Nesse sentido, a consciência do porquê da
vida é algo imprescindível para a conquista da harmonia da espécie humana na
Terra.
No
entanto, embora a experiência do êxtase faça parte dos anseios recônditos de
cada um, o caminho que conduz a ele é dos mais difíceis, porque só é possível
senti-lo quando o canal de acesso ao Sublime se encontra desobstruído. E isso só
acontece quando conseguimos transcender os estreitos limites de nosso pequeno
ser individual e enxergar adiante de nós mesmos, descobrindo os liames invisíveis
que nos ligam a todos os outros seres e a toda a natureza. Ângela Regina
Canazza Corrêa, professora de música e associada à União do Vegetal há
quatro anos, esclarece: “A Oaska é capaz de nos fazer chorar por toda a
humanidade, amando intensamente cada homem que existe no mundo, e ainda nos
prepara para podermos contribuir para a regeneração desse grande organismo do
qual somos parte integrante.”
Mas
até chegar a esse ponto há uma longa travessia a ser realizada dentro de si
mesmo, para a qual a Oaska é considerada o mais eficaz dos instrumentos. Ao
comungá-la, o discípulo normalmente tropeça nas faltas do passado, enxerga a
queda e constata suas fraquezas, manhas e maldades. Os membros da UDV afirmam
que a lucidez adquirida nessa caminhada é suficiente para diagnosticar
problemas espirituais e questões mal resolvidas. E como as pessoas sempre se
julgam melhores do que elas realmente
são, não é raro que levem um susto diante da constatação dos entulhos
acumulados durante anos. Porém, depois da limpeza, o espírito se rejubila e se
eleva: “Tive que atravessar o inferno que eu mesmo havia criado para chegar ao
paraíso”, declara a maioria dos que já comungaram o misterioso líqüido.
Oaska:
espelho espiritual
Pode
parecer ilógico, absurdo ou fictício, mas a verdade é que duas plantas
nativas da Floresta Amazônica, o cipó Mariri e o arbusto Chacrona, quando
cozidas com água e preparadas por um Mestre que faz parte da história destas
plantas sobre a Terra, produzem um chá que tem efeitos surpreendentes na vida
das pessoas, conferindo-lhes a capacidade de enxergarem a si mesmas
espiritualmente como se estivessem se olhando num espelho. Assim, a Oaska atua
como instrumento de justiça divina de forma infalível, revelando a cada um o
seu estado espiritual.
O
efeito surpreendente desse misterioso líqüido no espírito humano tem o nome
de burracheira, experiência capaz de mudar completamente a vida de uma pessoa,
tal a força das verdades existenciais que traz à tona. Por esse motivo, não
é difícil deduzir que o discipulado através da Oaska não seja fácil, mesmo
porque não são todos os que procuram a Verdade; e, dos que a procuram, só
alguns conseguem suportá-la, ainda mais em se tratando, como é o caso, de
enfrentar a força da verdade no plano espiritual, o que é bem mais sério.
A
maioria das pessoas, infelizmente, ainda prefere fugir de si a ouvir a própria
consciência, e para isso há uma série de recursos à disposição, como os
entorpecentes (o álcool, tabaco e outras drogas); a psicoterapia, que é um
meio de fuga mais sofisticado; ou, ainda, a televisão, que atua de forma mais
sutil, absorvendo muitas horas no dia-a-dia das pessoas. São diferentes formas
de adiar o auto-exame que deve ser feito. A Oaska
tem o poder de desmontar o castelo de ilusão criado por tais recursos e
apresentar a cada um, com nitidez incontestável, o espetáculo do seu desequilíbrio.
E de tal enfrentamento não há como fugir: o acerto de contas torna-se uma
ordem inexorável. Esse é o primeiro passo para o autoconhecimento.
Além
desse importante diagnóstico, o discípulo adquire força e
coragem para operar em si as mudanças necessárias. Trata-se de um serviço
completo, só restando à pessoa fazer jus à clareza recebida, cumprindo em seu
cotidiano o que deve cumprir e deixando de fazer aquilo que não deve.
A
conquista paulatina do discernimento através desse processo contínuo de
auto-avaliação contribui para que as pessoas evitem cometer desatinos , e essa
retidão de conduta certamente contribuirá para atrair a boa sorte em suas
vidas.
Efeitos morais e éticos da Oaska nos discípulos
A
Oaska, por trazer à tona a consciência espiritual, torna evidentes e nítidos
os verdadeiros valores humanos e, com isso, contribui para que cada um adquira
uma conduta cada vez mais reta e equilibrada. Seus efeitos são, portanto, de
integração familiar e social. E, ao mesmo tempo em que espiritualiza o homem,
cobra-lhe atenção redobrada em sua vida, apontando-lhe os deveres de filho,
irmão, cônjuge, pai, profissional e membro social. “Não conheço nada tão
eficiente para nos elevar e ao mesmo tempo nos manter com os pés no chão”,
declara Eduardo Müller de Sá, membro da UDV há cinco anos. Outro membro,
Marcos Francisco Marchini, empresário, se confessa surpreso com as suas próprias
mudanças: “Nunca havia atingido um estado tão intenso de sensibilização em
relação às pessoas que me cercam. Agora, cada pessoa na minha frente é para
mim alguém especial e merece uma atenção especial”, afirma ele. Assim, cada
um que comunga a Oaska enxerga a sua parte, ou seja, o que lhe compete fazer
dentro dos seus deveres e, mais do que isso, sente o peso dessa
responsabilidade. E a cobrança da burracheira acontece na proporção exata do
que o discípulo pode e deve fazer no grau em que se encontra. A verdade é que,
se cada pessoa cumprisse o seu dever de forma integral e eficiente, certamente
os problemas humanos seriam abolidos da face da Terra e o homem alcançaria um
novo estágio de evolução.
Os
associados da União do Vegetal, ao se darem conta da gravidade de suas omissões
ou dos desvios que vinham cometendo há anos, querem a todo custo repará-los.
Alguns sentem essa necessidade a partir da primeira sessão, como é o caso de
uma novata que viajou mais de 1.000 kilômetros para buscar o filho que ela
abandonara há três anos e que deixara com o ex-marido; de um associado que
confessou à esposa todos os seus adultérios; e de uma jovem que procurou o pai
para uma reconciliação após dez anos de inimizade. Além disso, no quadro de
associados da União do Vegetal constam casais que, antes da experiência com o
chá, já estavam separados ou prestes a separar-se, e filhos que se indispunham
com os pais, além de ex-drogados, ex-alcoólatras e ex-desocupados, todos tendo
passado por esse mesmo processo de auto-exame e amadurecimento espiritual
proporcionado pela Oaska, e desfrutando atualmente da integração com a família
e com a sociedade.
Começando
de si mesmo
Na
burracheira as imperfeições do ser humano são enxergadas com os olhos do espírito,
e nessa dimensão o homem descobre uma lucidez até então desconhecida, a
espiritual, que é, aliás, a única capaz de fazê-lo compreender que tudo o
que é horrível no mundo tem por causa o horrível que cada um tem dentro de
si. Em outras palavras, ele compreende que, para mudar o exterior, é preciso
começar do interior. Tendo isso por princípio e diretriz de vida, todos os
associados da União do Vegetal são unânimes em afirmar que a lição mais
importante da vida espiritual é a de que o único inimigo do homem está dentro
dele mesmo, e que justamente por não saber disso é que ele cai no engano de
julgar que os inimigos são os outros. Assim, os que chegam à União do Vegetal
com idéias revolucionárias logo se deparam com a ordem inexorável, vinda da
própria consciência, de primeiro mudarem a si mesmos antes de quererem mudar o
mundo, pois compreendem que quem consegue mudar a si mesmo já está, na
verdade, começando a mudar o mundo.
Por
isso, as revelações da Oaska trazem consigo a exigência de virem a ser
incorporadas à vida cotidiana e de se transformarem nas diretrizes éticas
norteadoras da conduta de quem as recebe. Este é o preço de todo verdadeiro
conhecimento espiritual: uma vez constatada a verdade, quem tentar fugir dela
terá sempre de prestar contas à sua consciência, que é o mais rigoroso de
todos os juízes. Sob a luz da Oaska, este acerto de contas é tão marcante que
aquele que não conseguir se harmonizar com a própria consciência certamente não
conseguirá continuar a sua caminhada na vida espiritual.
Como
conseqüência dessa cobrança, o discípulo revê todos os seus valores e, a
partir dessa nova concepção de vida, passa a policiar seus pensamentos,
palavras e atitudes. O próprio conceito de honestidade, por exemplo, começa a
ser encarado de forma bem mais ampla. “Ser honesto não é só não roubar,
como pensam as pessoas. Para se chegar ao ponto de ser honesto espiritualmente
é preciso parar de mentir, de omitir, de enganar, de tirar vantagens e de usar
de manha para conseguir as coisas”, esclarece o Mestre.
Burracheira
e mirações
As
imagens contempladas durante a burracheira recebem a denominação de mirações
e podem se manifestar de formas infinitamente variadas: ora são duradouras, ora
fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues contornos; ora de aparência
assustadora, ora de grande beleza. Muitas vezes as mirações revelam fatos do
passado, às vezes de um passado anterior à atual encarnação. E, conforme a
necessidade, até mesmo o futuro pode ser revelado. Em todas é possível
encontrar um significado; todas pedem uma decifração. Mas a forma pela qual
elas revelam seus conteúdos é também extremamente variável: às vezes são
bastante claras e diretas; às vezes são enigmáticas e oraculares. Por este
motivo, os discípulos podem precisar do auxílio do Mestre para conseguir
compreender o seu significado.
Na
verdade, as mirações constituem recursos de ilustração utilizados pela
burracheira para revelar
ensinamentos e o estado de espírito de cada um. Porém, as revelações
também podem se manifestar através de sentimentos, de sensações ou de inúmeras
outras formas. As palavras do Mestre, por exemplo, são fonte inesgotável de
revelações, como também o são os acontecimentos da vida diária, desde que
corretamente interpretados.
Apesar
de ser a miração apenas uma das possíveis manifestações da burracheira, é
comum acontecer de pessoas procurarem a UDV imaginando que a Oaska é bebida com
o único objetivo de se “ver coisas”. Muitas vezes estas pessoas, após uma
experiência marcante com a Oaska, afirmam que não tiveram burracheira pois
“não viram nada”. Este tipo de idéia é, em grande medida, o efeito de uma
série de publicações a respeito de experiências com chás preparados com
Mariri e Chacrona sem a orientação do Mestre. Os relatos que estas publicações
trazem praticamente se resumem à descrição de visões de formas exóticas e
coloridas. Em muitos casos esses relatos estão impregnados daquela espécie de
misticismo selvático tipo “exportação”, muito em moda ultimamente.
Proliferam então os xamãs voadores furando os ares em direção ao arco-íris,
os animais falantes de pelagem iridescente e os pequenos seres espirituais da
floresta. Outros depoimentos não vão além de uma descrição cansativa de
padrões geométricos complexos e coloridos ou de formas abstratas esvoaçantes
em contínua metamorfose. Tudo isto não é senão uma prova tanto da falta de
orientação das pessoas que preparam e ingerem aquelas beberagens como do
escasso alcance espiritual das mesmas. Elas podem produzir visões, mas isso não
quer dizer que estas provenham da burracheira, mesmo porque a burracheira é um
efeito exclusivo da Oaska. E a Oaska só pode ser produzida pelas mãos do legítimo
Mestre Geral Representante da União do Vegetal, e não por curiosos.
De
nada adianta ter visões se não se pode ter a compreensão trazida pela
burracheira; e quem bebe a Oaska sabe perfeitamente que é bem melhor ter
burracheira sem ter mirações do que ver muitas coisas sem ter burracheira.
As
origens
A
possibilidade de certas plantas comporem um chá capaz de nos revelar o sentido
de nossa vida é algo que o homem moderno – que desaprendeu a reverenciar a
natureza e se tornou insensível aos seus mistérios – reluta em aceitar. De
fato, não se pode demonstrar por meio de argumentos lógicos que haja esta
possibilidade. Porém qualquer esforço de demonstração é desnecessário, uma
vez que o chá existe e é acessível a todos os que quiserem comprovar os seus
poderes e aprender com ele.
Na
verdade, como demonstram fartas evidências apontadas por antropólogos e
etnobotânicos, a utilização de uma bebida composta pelo Mariri e pela
Chacrona já existia antes mesmo do início da civilização ocidental. Este
fato nos leva a indagar como é possível que em época tão remota tivesse sido
descoberto que, da união de duas plantas específicas, selecionadas dentre as
centenas de milhares de espécies que compõem a Floresta Amazônica, resultaria
um líqüido com os poderes surpreendentes da Oaska, cujo benefício à
humanidade supera o de todo o conhecimento tecnológico acumulado por nossa
civilização. Tal descoberta, que não poderia ser obra do acaso e da
experimentação, é uma indicação de que o surgimento da Oaska só pode ter
sido fruto da intervenção direta da Força Superior que governa a natureza.
Só
mesmo a Oaska poderia desvendar o mistério de sua própria origem. E o chá
misterioso revela que esta origem remonta à mais antiga cultura indígena, no
primeiro alvorecer da cultura humana. Foi nesta época que Salomão, o Rei da Ciência,
com a sua sabedoria inspirada, realizou a união entre o Mariri e a Chacrona e
entregou o fruto dessa união, que é o chá Oaska, ao seu fiel vassalo Caiano,
que, ao bebê-la, adquiriu a consciência espiritual e se tornou o primeiro
Oasqueiro, ou seja, a primeira pessoa a comungar e a distribuir a Oaska na
Terra. Nesta ocasião, Caiano recebeu de Salomão o sétimo segredo da natureza,
a União do Vegetal e, com ela, a chave da palavra perdida, que permite entrar
em contato com a Força Superior e penetrar nos encantos da natureza divina.
Desde
então, Caiano, sempre demonstrando grande abnegação, humildade e amor pela
humanidade, vem se reencarnando sucessivamente na Terra e cumprindo sua missão
de restaurar a União do Vegetal e de trazer aos homens a luz do verdadeiro
conhecimento espiritual. Neste século, ele reencarna em Coração de Maria,
Estado da Bahia, com o nome de José Gabriel da Costa, tendo se tornado
conhecido na UDV como MESTRE Gabriel.
De
origem humilde, MESTRE Gabriel se desloca, quando adulto, para a cidade de Porto
Velho, em Rondônia, a fim de trabalhar como seringueiro na Floresta Amazônica.
No seringal boliviano chamado Guarapari, bebe o chá sagrado, o qual lhe permite
recordar-se de sua missão e de suas encarnações passadas. Em 1961, após
passar três anos examinando as revelações recebidas, MESTRE Gabriel recria a
UDV, dando início ao seu trabalho de doutrinação e de distribuição do
misterioso líqüido. Em 1971 ele desencarna deixando um precioso legado
espiritual, em virtude do qual as gerações futuras hão de lembrar o seu nome
com gratidão e reverência.
O
Ritual
A
Oaska é comungada exclusivamente nas sessões da União do Vegetal, as quais têm
duração de quatro horas e são dirigidas pelo Mestre ou por quem for designado
a substituí-lo. A presença do Mestre dirigindo a sessão e a observância ao
ritual são imprescindíveis à concentração e ao auto-exame, garantindo também
a harmonia do ambiente e a elevação espiritual do discípulo.
Após
haverem bebido a Oaska, os participantes da sessão permanecem sentados até o
final do ritual. O Mestre faz então as chamadas (cantos iniciáticos) de
abertura e, em seguida, inicia os trabalhos de doutrinação espiritual, os
quais podem ser intercalados com músicas contendo ensinamentos, selecionadas
conforme a necessidade. Nessas ocasiões o discípulo tem oportunidade de ouvir
aquilo que ele mais precisa ouvir, uma vez que o Mestre atua como um canal de
ligação com a Força Superior, de onde vêm todos os ensinos espirituais.
Encerrada
a doutrinação, os participantes têm oportunidade de, mediante pedido verbal,
se expressar e fazer perguntas ao Mestre. No prazo previsto do ritual, este
entoa as chamadas de encerramento e
dá por encerrada a sessão.
O
Preparo
O
chá comungado nas sessões é preparado pelos próprios membros da União do
Vegetal sob a orientação do Mestre, num ritual que constitui um verdadeiro
culto à natureza. Os homens colhem o Mariri, que, em seguida, é raspado,
amassado e desfiado. As mulheres colhem as folhas da Chacrona e lavam-nas, uma a
uma. O Mestre dispõe então o Mariri e a Chacrona em caldeirões e verte sobre
eles água suficiente para a fervura. Depois que o Vegetal é distribuído e
comungado, são feitas as chamadas de abertura e é aceso o fogo sob os caldeirões.
Com a chamada da União, o Mestre invoca a luz e a força, que são assimiladas
pelo Vegetal e gravadas em sua memória.
Esse
fenômeno mágico através do qual um líqüido adquire a propriedade de fazer o
poder de Deus se manifestar no espírito humano só é possível graças à
intermediação que o Mestre realiza entre o plano espiritual e o mundo físico.
É por isto que a existência da Oaska na Terra tem como condição essencial a
presença de um Mestre consciente e recordado espiritualmente na direção do
seu preparo e distribuição. Sem isso, o resultado pode ser um chá feito de
Mariri e Chacrona, mas certamente não será Oaska, ou seja, não será provido
dos seus efeitos misteriosos. E sem a verdadeira Oaska não há como
experienciar a burracheira.
Quanto
aos demais participantes do preparo, exige-se de todos, durante os trabalhos, um
alto nível de compenetração e de atenção. Cada um deve cuidar para que suas
atitudes, palavras e seus pensamentos estejam sempre em sintonia com o dirigente
e com a seriedade do trabalho que se está realizando.
Fazenda
Rei Salomão
A
Fazenda Rei Salomão é uma experiência de organização de uma irmandade
comunitária, na qual os associados da União do Vegetal podem desfrutar
de uma vida saudável pautada pelo respeito mútuo e pelo amor à natureza. Está
situada no município de Tapurah, Estado de Mato Grosso, no centro geográfico
da América Latina, em plena Floresta Amazônica, abrangendo 500 hectares de
extensão. É também o primeiro núcleo rural da UDV e, como tal, conta com um
Centro de Ensino e Produção Agrícola (CEPA), entidade que é implementada em
cada núcleo rural da União do
Vegetal e cujas funções prioritárias são o cultivo do Mariri e da Chacrona,
bem como o ensino das técnicas de plantio destes vegetais, com os quais se
realizará o preparo do chá que será comungado em todos os núcleos da UDV. Além
de trabalhar por esses objetivos, os CEPAs desenvolvem atividades destinadas a
possibilitar a autonomia e a auto-suficiência do grupo e atender às
necessidades da sociedade local.
Esses
Centros têm também o objetivo de despertar o homem para a importância do
trabalho físico (considerado na União do Vegetal um requisito de purificação
inerente ao aperfeiçoamento espiritual), iniciando-o na prática do uso do
prumo, do nível, do esquadro, do compasso e da enxada. Cada CEPA deverá
implantar uma escola, que, além de instrução primária, fornecerá cursos técnicos
sobre os fundamentos da agricultura e da construção civil. Cada Centro contará
ainda com um Posto de Saúde, o qual, assim como a escola, atenderá tanto a
demanda interna da UDV como a da comunidade circunvizinha.
As
condições inóspitas da mata já foram vencidas, e hoje os moradores e
visitantes da Fazenda Rei Salomão podem desfrutar do ambiente paradisíaco que
a natureza oferece e de todo o conforto de que dispõem na cidade. Sua produção
abrange leite e derivados, além de diversos produtos hortifrutigranjeiros, tais
como banana, abacaxi, limão, caju, laranja, mamão, jaca, mandioca, milho, raiz
de lótus, palmito, e também mel. Faz parte ainda da cultura agrícola dessa
fazenda uma variedade enorme de plantas medicinais, como guaco, boldo, sálvia,
camomila, hortelã, melissa, etc. Mas a sua principal produção, sem dúvida, são
as duas plantas que compõem a Oaska, o Mariri e a Chacrona, as quais são
cultivadas em grande extensão e com um cuidado todo especial pelos associados
da UDV.
A
Fazenda, entre outras coisas, permite ao homem da cidade descobrir o encanto do
campo: respirar um ar isento de resíduos industriais e de fumaça de automóveis,
banhar-se em águas de fontes cristalinas, pescar em rios largos e silenciosos e
caminhar por estradas ladeadas por árvores frondosas em contato com aves e
animais silvícolas. Permite-lhe arar a terra, escolher o que quer plantar e,
depois do cultivo, preparar e comer o que plantou. Permite-lhe também descobrir
o encanto que os relacionamentos humanos possuem quando cada um está centrado
em si e cumprindo a sua parte.
O
grande destaque da paisagem da Fazenda Rei Salomão é um belíssimo lago, no
centro do qual pode-se ver tremular num mastro a bandeira azul da União do
Vegetal. Ao seu redor, estende-se um amplo jardim com plantas ornamentais e árvores
frutíferas. Num suave aclive encontra-se um conjunto sóbrio e harmonioso de
edificações, e, emoldurando todo este jardim, está a imponente floresta
virgem, como um vasto oceano verde cheio de vida. Em nome do respeito à
natureza, a UDV declarou toda a área de floresta virgem pertencente à Fazenda
como reserva ecológica, preservando-a assim de qualquer tipo de agressão.
Instalações
e recursos
A
Fazenda Rei Salomão demonstra que o respeito à natureza não está em contradição
com a utilização da tecnologia: graças a décadas de dedicação por parte da
Administração Geral da UDV, ela hoje se encontra bem equipada. Sua Sede
administrativa conta com os recursos da telefonia e da informática, e seu
refeitório de 500 m² possui anexa uma moderna cozinha industrial. Estão também
edificados o Templo (onde são realizadas as sessões da UDV), diversos
alojamentos constituídos de apartamentos confortáveis para os residentes fixos
ou temporários, além de escritórios, secretaria e tesouraria.
As
funções desempenhadas pelos moradores da Fazenda visam não apenas manter suas
boas condições como também ampliar as instalações e acomodações da mesma.
Nesse sentido, esses associados colaboram para a expansão da obra, uma vez que
propiciam condições para que a Fazenda possa acolher um número grande de
pessoas, inclusive do exterior, tal como já vem acontecendo. Com esta
finalidade, cuidou-se de treinar equipes para cobrir cada área de trabalho: a
de edificações, a de alimentos, a de limpeza, a de manutenção elétrica e
hidráulica e a que cuida da plantação do Mariri e da Chacrona. Um sino de
grande porte anuncia o café da manhã às 6 horas, o almoço às 12 e o jantar
às l9, sendo as refeições servidas no refeitório central.
A
Constituição do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal
MESTRE
Gabriel ocupa o vértice superior da hierarquia da UDV, sendo a fonte de todos
os ensinamentos desta. Por ter recebido a União do Vegetal das mãos do seu
autor, o Rei Salomão, ele é o guardião espiritual dos segredos da Oaska, e
esta se encontra indissoluvelmente ligada a ele. O cozimento conjunto do Mariri
e da Chacrona só resulta no misterioso chá quando realizado sob sua supervisão
e a serviço da obra que lhe foi confiada pela Força Superior. A Oaska é, por
sua vez, o veículo pelo qual o MESTRE se faz presente na Terra, iluminando o
caminho trilhado pela União do Vegetal.
Após
seu desencarnamento, ocorrido em 1971, MESTRE Gabriel continua a orientar os
passos da União do Vegetal, mas a sua intervenção passa a se dar através de
um representante. Por isto existe na UDV o cargo de Mestre Geral Representante,
cujo titular é o responsável pela continuidade de sua obra. O Mestre Geral
Representante está ligado ao MESTRE Gabriel por um vínculo de absoluta
fidelidade e obediência, constantemente renovado e confirmado pelo poder da
Oaska.
Percebe-se
que representar o MESTRE não é tarefa simples. Tampouco é simples a tarefa de
escolher a pessoa que deverá desempenhar este mister, daí o fato de essa
escolha, da qual depende a continuidade da UDV na Terra, não poder ficar a
cargo de terceiros. O próprio MESTRE é quem convoca o seu Representante, e se
não pode fazê-lo pessoalmente, o faz através do mistério. A força
misteriosa da Oaska faz chegar a pessoa certa ao lugar certo. Foi o que
aconteceu em 1975 em Porto Velho, quando um jovem chamado Joaquim José de
Andrade Neto, que participava pela primeira vez de uma sessão do Centro Espírita
Beneficente União do Vegetal, tendo sido convidado a falar, discorreu sobre a
União de uma forma absolutamente surpreendente. Nessa ocasião, ele expressou a
sua firme determinação de servir de forma incondicional a União do Vegetal,
com a qual demonstrou possuir uma relação pessoal aparentemente inexplicável,
uma vez que bebia a Oaska pela primeira vez.
Desde
então, o referido jovem, que mais tarde se tornaria conhecido como Mestre
Joaquim, não deixou jamais de agir de acordo com as palavras que proferiu
naquela sessão, trabalhando incansavelmente em prol da União. Inúmeras têm
sido as suas demonstrações de amor e dedicação à UDV, e eloqüentes os
muitos sinais de que sua presença na UDV é obra do mistério que permeia toda
a história da Oaska.
Ocorre,
porém, que o zelo com que Mestre Joaquim sempre cuidou da preservação da
integridade dos ensinamentos do MESTRE Gabriel, denunciando os abusos cometidos
por aqueles que se diziam discípulos da UDV, passou a constituir motivo de
revolta por parte dos mesmos, que viam ameaçados os seus interesses pessoais.
Essa situação deu origem a uma série de acontecimentos, os quais tornaram
inevitável a decisão do Mestre de se desligar do Centro Espírita Beneficente
União do Vegetal.
Consciente
de que a humanidade corria o risco de perder mais uma vez a ligação com os
mistérios da Oaska (como já ocorrera em outras ocasiões ao longo da História
da UDV na Terra), o Mestre percebeu que a responsabilidade pela preservação
desta ligação se encontra exclusivamente em suas mãos. Realizou então em
1981 uma sessão no dia de São João, na qual recebeu ordem superior e autorização
espiritual do MESTRE Gabriel para constituir novamente a UDV.
Segundo
a determinação superior, a data da nova constituição deveria ser o dia 22 de
julho do mesmo ano, e a palavra “Espírita”, que remete à doutrina
kardecista, deveria ser substituída pelo termo “Espiritual”, que melhor
expressa o sentido da doutrina da UDV.
Desde
que foi constituído, o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal é o único
baluarte da UDV na Terra. E o Mestre Geral Representante da UDV, Mestre Joaquim
José de Andrade Neto, o único depositário da autoridade e do conhecimento
necessários para orientar o preparo e a distribuição da Oaska.
Pelo canal de ligação com a Força Superior que o Mestre mantém sempre
aberto, ele vem recebendo as revelações sobre todos os elos que compõem a
história milenar desse misterioso chá. E enquanto houver na Terra alguém
capaz de receber esta tradição e, com ela, a consciência clara da importância
e da missão da UDV, a história da Oaska não terá fim.
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