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Fundamentalismo
Islâmico
X
Fundamentalismo Democrático
A semelhança
dos opostos
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Democracia:
bela palavra que designa as aspirações mais elevadas do ser humano, como a
fraternidade, a justiça e a liberdade! Mas não é preciso ser um grande
observador para perceber que os regimes que se dizem democráticos estão longe
de encontrar-se à altura de tão nobre significado, apresentando-se, a bem da
verdade, como as mais contundentes manifestações de engodo político da história
das civilizações.
São
bem conhecidos os funestos efeitos da atuação de regimes despóticos como as
monarquias absolutistas e as ditaduras. No século XX, as sociedades, já
cansadas de sofrê-los, elegem a democracia como a melhor forma de governo. Mas
este regime, paradoxalmente, terminou por revelar-se uma nova forma de ditadura.
Muitos de seus representantes não têm hesitado em recorrer aos mais baixos
subterfúgios – manipulando cordões, impondo condições e comprando votos
– quando o que está em jogo é a conservação do poder.
Cruel
e tirana como as mais opressoras formas de governo, essa pseudodemocracia,
autora da maior parte dos bombardeios da História, peca ainda por lançar mão
de um meticuloso disfarce com o qual submete as populações a terríveis pressões
econômicas e as hipnotiza através da ação alienante de recursos como o álcool
e a mídia. Será que essa opressão é melhor que a tirania declarada? Até que
ponto é válido dizer que a democracia é menos opressora que a mais radical
das ditaduras?
O
recente atentado terrorista contra o Pentágono e o World Trade Center nos EUA
ilustra a grande tensão que se criou entre a falsa democracia e essa outra
forma de radicalismo que é o Fundamentalismo islâmico. Mas a História ensina
que, apesar do que possam sugerir as aparências, as ideologias que se combatem
são no fundo bastante semelhantes...
"Este é o castigo mais
importante do culpado:
Nunca ser absolvido no tribunal de sua própria consciência"
Décimo Junio Juvenal, Sátiras, XIII, I

Democracia
é coisa antiga, suas origens remontam à Grécia da Antigüidade1. E desde que
surgiu, já expressava uma elevada aspiração, a de que o governo deveria ser
“de todo o povo para o bem comum”.
A
partir do século XVIII, época do Iluminismo, esse conceito é retomado e
sintetizado numa nova definição, adotada pelo presidente dos EUA Abraham
Lincoln em 1863 2. Segundo este presidente, um governo democrático seria um
governo “do povo, pelo povo e para o povo”. Assim, a esperança para a
realização dos mais nobres anseios humanos, como a liberdade, a justiça e a
fraternidade, era facilmente associada à democracia. Esta palavra traduzia,
pois, um ideal, e este ideal acabou adquirindo as características de uma crença
que se propagou por toda a civilização do Ocidente. Acreditava-se piamente
que, através de reformas políticas, seria possível compor um governo
angelical verdadeiramente capaz de zelar pelo bem-comum. Tal crença transparece
com nitidez na seguinte passagem da obra Modern Democracies, de James Bryce,
renomado pensador irlandês do século XIX 3:
“O
legislativo será composto de homens capazes e íntegros, pensando apenas em
servir à nação. O suborno, a corrupção entre funcionários públicos terá
desaparecido. Os líderes poderão nem sempre ser completamente impessoais, nem
as assembléias sábias, nem os administradores eficientes, mas apesar disso
haverá honestidade e zelo, de modo a prevalecer a atmosfera de confiança e boa
vontade. A maior parte das causas de dissensão terminará, pois não haverá
privilégios nem vantagens que excitem o ciúme. Os cargos serão ambicionados
apenas por darem oportunidade de bem servir ao interesse público.” 4
Que
triste surpresa teria Bryce se pudesse assistir agora ao resultado das experiências
democráticas! Sua descrição só pode nos soar hoje como uma anedota irônica...
Já não é segredo que, por baixo do verniz de sucesso, esconde-se uma
verdadeira panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento.
O
“modelo” democrático norte-americano
O
célebre documento da Declaração da Independência dos EUA, redigido por
Thomas Jefferson em 1776 e baseado nas idéias de Rousseau (1712-1778) e
Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755), foi o ponto
inicial da experiência das democracias modernas. Nele se inspiraram, em certa
medida, a Revolução Francesa de 1789 5, as democracias européias e as
constituições latino-americanas.
O
início da Grande Democracia do Norte foi bastante festejado na Europa, e no
mundo inteiro difundiu-se a idéia de que a experiência democrática nos
Estados Unidos da América era um grande sucesso. O francês Alexis de
Tocqueville, em seu clássico A democracia na América 6, descreve com
entusiasmo essa experiência:
“O
povo reina sobre o mundo político americano como Deus sobre o universo. É ele
a causa e o fim de todas as coisas, tudo sai do seu seio, e tudo se absorve
nele.”
Mas
a verdade é que os EUA da época eram uma terra cheia de oportunidades e de
oportunistas, que viam no mundo uma fonte infinita de recursos à disposição
para satisfazer seus desejos. Eles tinham mesmo a quem puxar: a Inglaterra, seu
país padrinho, com sua antiga vocação imperialista e “respeitável” tradição
em pirataria, enriquecera a olhos vistos com a Revolução Industrial que começara
naquele país a partir de 1700.
A
nova classe burguesa industrial, que no século XVIII surgia na Europa, buscava
o apoio do povo a fim de consolidar em suas mãos o poder político. E foi através
do sedutor discurso sobre democracia, liberdade e justiça que ela finalmente
conseguiu esse apoio. A Inglaterra e a Holanda, que lideraram a Revolução
Industrial, foram os primeiros países europeus a adotar o regime democrático.
Nascia assim o Capitalismo.
Na
América, os verdadeiros interesses capitalistas escondidos por trás da fachada
do ideal democrático não tardaram a transparecer. Na segunda metade do século
XIX, a economia do país se expandiu. Concomitantemente, sua indústria conheceu
um notável desenvolvimento acompanhado de uma crescente e abusiva concentração
de capitais e recursos em poucas mãos 7. Diante disso, era de se esperar que o
governo americano interviesse. E o que o governo da época fez, cedendo a pressões
populares, foi declarar a Lei Antitruste, que exigia o fracionamento das grandes
empresas com o intuito de evitar os monopólios. Mas essa lei foi facilmente
burlada, pois nada impedia que, ainda que as empresas fossem divididas, os
mesmos empresários de antes continuassem a possuir a maior parte das ações 8.
De
modo que, assim nos EUA como na Europa, o Capitalismo, no teatro democrático,
foi o ator que roubou a cena. Mais e mais dominada por valores materialistas e
pelo grande capital, a sociedade norte-americana gradualmente vai então
perdendo o seu referencial moral. Tanto é que, com o tempo, ela se tornou uma
das mais injustas e violentas da História. As estatísticas mostram um claro
aumento do índice de criminalidade nos EUA, refletido pelo aumento do número
de pessoas presas, hoje três vezes maior que na década de 70. Esse aumento da
criminalidade, por sua vez, reflete o agravamento do quadro de injustiça
social: em 1979, 16.4% das crianças viviam em condições de pobreza; em 1998,
eram já 19%. A desigualdade na divisão de renda é gritante: atualmente, 1% da
população norte-americana detém o poder sobre uma fortuna maior que aquela
que é compartilhada por 95% da população do país! 9
Essa
situação, é claro, é incompatível com o ideal democrático de liberdade,
igualdade e fraternidade proposto pela ascendente classe burguesa nos tempos da
Revolução Francesa. O discurso democrático não passa hoje de um pretexto
para fazer a apologia do american way of life, aquela forma de vida
tecnologicamente bem arrumadinha da qual tanta publicidade se faz através da mídia
em geral e por trás da qual se escondem as mais escabrosas negociações
imperialistas, como, por exemplo, aquelas que são efetuadas nas reuniões do
grupo Bilderberg, em que se traçam os destinos das populações mundiais 10. O
que temos hoje de fato, com o triunfo global da ideologia dita neoliberal, é
uma ditadura global de poderosos grupos econômicos.
Portanto,
os resultados da experiência política da Grande Democracia do Norte ficaram
muito aquém das expectativas de dois séculos atrás. Os Estados Unidos, embora
detenham um know how tecnológico admirável, em grande medida herança da parte
que lhes coube no espólio da Segunda Guerra, e embora contem com a vantagem de
ser sustentados pelo fruto bilionário da extorsão a que submetem os países
que dominam, ainda estão longe de ter conseguido desfrutar de uma forma de vida
realmente justa e humana. O autor norte-americano Christopher Lasch, na introdução
de sua obra O mal-estar democrático, desabafa:
“Os
norte-americanos estão menos otimistas quanto ao futuro do que estavam antes, e
com razão, tendo-se em vista o declínio das indústrias, com a conseqüente
diminuição dos empregos; o encolhimento da classe média; o número cada vez
maior de pessoas pobres; a ascensão do índice de criminalidade; o crescente tráfico
de drogas; a decadência das cidades – e as notícias não param por aí.
Ninguém tem uma solução plausível para esses problemas incuráveis, e quase
tudo o que passa por discussão política sequer se refere a eles.”
Lasch
não exagerou, conforme o atestam diversas estatísticas, inclusive oficiais. E,
na verdade, não é preciso ser pesquisador para constatar quão indigente é a
forma de viver norte-americana do ponto de vista do bom senso e da educação,
entendida esta em seu mais amplo sentido. O país é um dos maiores campeões do
planeta em índices de tabagismo, alcoolismo (incluindo-se, no caso deste
segundo vício, grande número de mulheres e crianças), tráfico de drogas,
obesidade (devido à alimentação excessiva e artificial), doenças cardíacas
e câncer (decorrentes também, em grande parte, de problemas com a alimentação),
ingestão abusiva de medicamentos, violência, criminalidade e número de
presos.
Além
disso, os norte-americanos são fortemente estimulados à prática do
perdularismo, isto é, a consumir mais do que o necessário. Esse infeliz hábito
os leva a desperdiçar aquilo que faz falta a nada menos que 90% dos habitantes
do planeta, atitude que constitui uma verdadeira afronta a esta significativa
parcela da população do mundo. Além disso, o consumo desenfreado de bens
deriva daquela pretensiosa idéia – que lhes é inculcada desde a infância
– de que pertencem à nação mais importante do mundo, diante da qual todas
as demais nações devem obrigatoriamente se curvar.
Esse
triste quadro reflete uma ideologia que privilegia a economia – ou o lucro –
em detrimento dos valores do espírito humano. Grosseira evidência da disseminação
dessa ideologia nos EUA é a inclusão da palavra Deus nas cédulas americanas
de um dólar, nas quais, como se sabe, lê-se a sentença In God We Trust 11.
Haverá retrato mais fiel de uma sociedade que, adotando como meta principal a
especulação e a acumulação de capital, presta-se com tão grande ardor a um
autêntico culto ao dinheiro?
Então,
embora a sociedade norte-americana se declare predominantemente adepta do
Protestantismo religioso, a verdade é que, conforme ilustrado por essas cédulas,
ela trai os princípios cristãos, uma vez que contraria o ensinamento de dar
“a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, ou seja, de não
misturar assuntos profanos com assuntos sagrados. E não é também de autoria
norte-americana a conhecida sentença de que tempo é dinheiro, na qual essa
lamentável mistura uma vez mais se verifica? Como igualar ambas as coisas se o
tempo é expressão do sagrado atributo da vida, passagem a ser percorrida por
todos os seres da natureza, e o dinheiro não passa de um instrumento de aquisição
e venda de mercadorias? Descobre-se aqui, uma vez mais, a total falta de coerência
das democracias de fachada.
Há
quem se conforme com os problemas da democracia por considerar que, apesar de
tudo, ela ainda continua a ser a menos ruim de todas as formas de governo. Sim,
mas é inadmissível que um sistema injusto, por “menos ruim” que seja,
pretenda servir de modelo a todas as nações do mundo! Com sua arrogância sem
parâmetros, o sistema democrático norte-americano chega ao ponto de atribuir a
si próprio o monopólio da liberdade, como se os EUA possuíssem os direitos
autorais sobre o ideal de democracia.
As
imitações do “modelo”
Na
verdade, em quase todos os países em que o regime democrático foi implantado
verificou-se um agravamento das injustiças sociais. A maior parte dos desvios
que fazem parte da realidade dos Estados Unidos da América podem ser
constatados também nos países latino-americanos democráticos, onde abundam
empresários mercenários, juízes prevaricadores e políticos venais, sempre
prontos a ser condecorados mas bem pouco dispostos ao trabalho. Seus discursos
oficiais, palavras ocas sem quaisquer chances concretas de aplicação, não
passam de recursos retóricos destinados a arrancar aplausos de audiências
predispostas a uma exaltação momentânea. Nesses países, o que se observa é
que a imitação, como é de praxe, ficou ainda pior que o original, tanto no
aspecto social como no político.
Na
segunda metade do século XX, diversas nações da América Latina ficaram
oscilando entre dois aparentes opostos, a ditadura e a democracia liberal, numa
contínua e por vezes violenta troca de governos. Quando a situação de um país
governado ditatorialmente se tornava crítica, a democracia aparecia sempre como
a iminente salvadora. Nesse sentido, os regimes ditatoriais foram criados para
justificar a posterior implantação de democracias, ao gosto, é claro, dos
interesses financeiros hegemônicos. Em outras palavras, criava-se a serpente
para depois matá-la, para grande alívio do povo (que ignora o que ocorre nos
bastidores) e para fazer o vilão passar então por herói.
Dentro
desse contexto, merece especial destaque a atuação da School of the Americas
(SOA), em Fort Benning, Georgia, rebatizada em 2001 como o Western Hemisphere
Institute for Security Cooperation. Desde 1946, sessenta mil militares e
policiais latino-americanos passaram por essa escola. Sua relação de ex-alunos
inclui quase que a totalidade dos ditadores, torturadores e assassinos de
opositores dos tempos mais negros das ditaduras na América Latina (alguns dos
quais causaram inclusive o genocídio de indígenas12): Roberto Viola e Leopoldo
Galtieri (Argentina), Manuel Noriega e Omar Torrijos (Panamá), Juan Velasco
Alvarado (Peru), Guillermo Rodriguez (Equador) e inúmeros outros. Os atuais
alunos da SOA estão na Colômbia comandando grupos paramilitares de direita e
envolvidos em seqüestros, assassinatos e massacres.
A
FBI define o terrorismo como “atos violentos com o objetivo de intimidar ou
coagir a população civil, influenciar as políticas de um governo ou alterar a
conduta de um governante”. Ora, essa é uma descrição precisa das atividades
dos formados pela SOA! Em 1996, o governo americano foi forçado a divulgar o
conteúdo de sete manuais de treinamento dessa escola. Chantagem, tortura,
assassinato e seqüestro de parentes de testemunhas se revelaram então algumas
das “disciplinas” cobertas em suas aulas.13
Portanto,
não é preciso fazer grandes esforços para perceber que, na verdade,
democracia de fato é coisa que nossa civilização ainda não teve a graça de
conhecer. O que se tem testemunhado, sobretudo nos séculos mais recentes, é
apenas o uso indevido da palavra democracia, a exploração de seu rico
significado (que é capaz de expressar os mais nobres e elevados ideais
humanos), no intuito de mais facilmente manipular a opinião pública e obter
assim vantagens diversas.
A
ditadura do sufrágio
A
pseudodemocracia atual, que pretende descender diretamente da definição de
Lincoln de um governo do povo, pelo povo e para o povo, adota como princípio básico
a adesão ao sufrágio universal. Essa adesão, como se sabe, é justificada sob
a alegação de que, através do voto, o povo poderia escolher seus governantes
e ter assim um maior controle sobre os assuntos que lhe dizem respeito. O
argumento mais insistentemente apregoado pelos defensores do regime democrático
é o do direito à liberdade. E essa liberdade, explicam, se legitimaria,
principalmente, pelo direito ao voto. Aliás, segundo eles, nada é mais democrático
que isso.
Mas, considere-se: e a
não votar, o cidadão tem direito? Ele é livre para não ir votar? Nem sempre.
Em muitos países, principalmente na América Latina, a obrigatoriedade do voto
ainda prevalece.
Ora,
obrigar as pessoas a comparecer às urnas – mesmo que seja para anular seu
voto ou deixá-lo em branco – é tão democrático quanto proibi-las de fazê-lo;
e é tão democrático, ainda, quanto, por exemplo, obrigar os cidadãos do sexo
masculino a cumprir o serviço militar. E aqueles que decidem que o voto é
obrigatório são, em última instância, os próprios políticos, que dependem
do voto para assumir o poder e temem um boicote coletivo nos dias de eleição.
E
haverá acaso algo menos democrático que a forma como os candidatos são
selecionados? Eles são escolhidos por seus respectivos partidos e se assemelham
entre si como os integrantes de um time de futebol, que só se distinguem uns
dos outros pelos números de suas camisas. E depois que um candidato imposto é
eleito, criam-se leis para garantir seu poder de ação.

Por
outro lado, aqueles que são eleitos pelo povo são políticos profissionais que
para conseguirem seus cargos fazem inúmeras concessões. Agrupados em partidos,
despejam sobre o eleitorado sofismas populistas no intuito apenas de conquistar
o maior número de votos, provando ser verdadeira aquela afirmação do general
Perón de que a política é a arte da hipocrisia, proferida por ele, com
hombridade, num rompante de indignação e autocrítica. Grupos de interesse,
sejam religiosos, sindicais ou outros, comprometem-se a votar “em bloco” em
troca de que seus interesses sejam servidos. Mas um governante que se elegeu
vendendo seus ideais (supondo-se que os tivesse) não é livre para realizá-los.
E se ficou algum na vitrine, este, certamente, será vendido às elites econômicas,
que têm por hábito subornar os governos, sejam eles do partido que forem, para
que não lhes venham a criar problemas.
Dentro
desse triste contexto, a vontade do povo, entendida, tal como o postulam alguns
teóricos, como um vivo e ativo interesse no bem comum, desapareceu. Ela foi
substituída pela tolerância da mentira e da corrupção dos governos. O povo
parece ter sido forçado a acreditar que, tolerando as constantes humilhações
sofridas e contentando-se com as migalhas do tesouro da nação que lhe chegam
às mãos, está cumprindo um dever civil exigido pelo espírito democrático e
obtendo ainda a “vantagem” de uma vida pacífica, sem sobressaltos. E,
assim, tudo permite, desde que possa continuar votando. Afinal, errarum humanus
est, e todos, eleitores e eleitos, têm lá suas fraquezas. E a falcatrua de
cada indivíduo termina onde começa a do outro...
Pseudo-liberdade:
pior
que escravidão
“Vive-se
hoje muito depressa; vive-se de uma maneira muito
irresponsável,
e exatamente a isso se chama liberdade.”
Nietzsche
O
fato é que, pela forma infeliz como tem sido colocada em prática, a democracia
se viu rebaixada à categoria de um sistema macabro a serviço da alienação e
do embrutecimento dos seres humanos. O principal instrumento desse sistema é a
mídia: sob o pretexto de dinamizar a comunicação entre os cidadãos e de
possibilitar-lhes o acesso a variadas fontes de informação, os governos
estimularam o desenvolvimento dos meios de comunicação em massa e os colocaram
em mãos de monopólios de duvidosa reputação14. Foi o que bastou para que os
meios de difusão começassem a impor modas e modos representantes da ideologia
do sucesso fácil e do prazer imediato. Fez-se a apologia da promiscuidade e da
violência, e difundiu-se assim a idéia equívoca de que liberdade e
licenciosidade são a mesma coisa.
A
partir dessa imposição, desencadeou-se um processo de idiotização das
massas: a opinião pública, “amparada” agora pelos meios de comunicação,
tornava-se mais manipulável que nunca, e não faltou quem tirasse partido da
situação. Simulou-se um sério compromisso com a verdade e a liberdade a ponto
de se ter permitido nas telas de TV a exibição de verdadeiros capachos
fantasiados de críticos, os quais gesticulam e falam como se fossem grandes
opositores do sistema. Bem observadas, entretanto, suas críticas se revelam
superficiais e até infantis, e nunca são acompanhadas de qualquer providência
efetiva no sentido de combater os problemas apontados. Por outro lado, doenças
sociais como a prostituição e a corrupção são não apenas toleradas mas
também organizadas pela maioria dos governos democráticos, e a mídia se
encarrega de vender a imagem de que ambas são normais e inevitáveis nas
sociedades humanas. Na TV, o bombardeio de anúncios publicitários e dogmas
implícitos é tão intenso que o telespectador dificilmente consegue manter sua
individualidade, e a população, atordoada, acaba rendendo-se às idéias que
através dela lhe são sub-repticiamente inculcadas.
E
ai de quem ousar questionar as ideologias implícitas nos programas de TV ou as
normas que subjazem a essa sociedade manipulada: correrá sério risco de ser
tachado de antidemocrático e fascista, ou até mesmo de perder o emprego!
Portanto, os que vivem nos regimes democráticos, por mais que se considerem
livres, não o são. E tal situação é pior que a da falta de liberdade
declarada. Sendo a liberdade uma aspiração do homem, existe dentro dele uma
força que o impulsiona a conquistá-la, e por isso, quando ele se sabe escravo,
luta para libertar-se. Mas se uma pessoa é escravizada e enganada a ponto de se
julgar livre, por que haveria de lutar?
A
grande incoerência democrática manifesta-se, sobretudo, na forma como os EUA
se relacionam com as demais nações. Embora se autodenominem o mais democrata
de todos os países, os Estados Unidos da América orgulham-se (sic!) de ter o
maior e mais poderoso arsenal bélico do mundo. Campeões absolutos em matéria
de bombardeios, têm atacado todos os povos que ousaram pôr em risco sua
supremacia econômica e poder político, e atingiram o ápice da desumanidade e
da contradição bombardeando até mesmo países na miséria.15
Além
disso, as elites financeiras, em grande parte sediadas nos EUA e com a
cumplicidade do governo norte-americano, sufocam diversos países através dos
juros exorbitantes e outras formas de pressão econômica aos quais os submetem,
recursos que configuram uma verdadeira guerra econômica. E a guerra econômica
é bastante favorável a qualquer governo mal intencionado, porque, ao contrário
do que acontece nos conflitos armados, não dá lugar a uma violência
declarada, além de evitar os inconvenientes gastos com a manutenção de exércitos.
Por outro lado, os EUA conseguem ainda impedir, por meio desse tipo de guerra,
que seus subordinados reflitam sobre o que está acontecendo à sua volta, dado
que a situação de opressão que estes vivem não lhes permite ocupar-se senão
com a própria subsistência.16
Essa
tendência dos governos democráticos a repetir os mesmos erros que condenaram
em seus oponentes, procurando disfarçá-los depois sob o manto da benevolência,
não é exclusividade da democracia, mas caracteriza as ideologias em geral.
Outro caso de espelhamento entre ideologias opostas foi retratado pelo escritor
inglês George Orwell (1903-1950) em A Revolução dos Bichos (Animal’s Farm).
Nessa obra, os animais de uma fazenda, indignados contra o tratamento recebido
dos homens, planejam livrar-se deles e constituir uma nova sociedade em
que só os bichos reinassem soberanos, zelando pela liberdade, justiça e
harmonia. Por fim, expulsam os fazendeiros do local. Mas o alívio dura pouco:
os porcos acabam conseguindo convencer o grupo de que são os únicos
suficientemente aptos a governar a fazenda e, a partir de então, usando de uma
série de artimanhas para fazer-se passar por justos, começam paulatinamente a
instituir um regime que cada vez se assemelha mais ao anterior. No final da história,
os porcos se parecem tanto a seus antigos opressores que já andam em duas
patas, e os demais bichos, que vivem momentos de verdadeiro terror sob seu domínio,
sequer conseguem saber quem é quem: se os porcos são homens ou se os homens são
porcos.
Por
meio dessa inteligente alegoria, Orwell tinha em vista atacar o Stalinismo,
ideologia comunista que, como se sabe, foi desenvolvida e aplicada na Rússia em
princípios do século XX. Os stalinistas lograram derrubar o regime czarista da
Rússia prometendo às massas uma maior justiça social. Uma vez no poder, porém,
o governo stalinista não tardou a ensangüentar a nação, exterminando um número
de pessoas como nunca se havia visto na História. Mas a obra A Revolução dos
Bichos, mais do que uma crítica a um regime específico, vale como alerta sobre
o perigo das ideologias, além de mostrar que duas correntes inimigas
podem ser no fundo praticamente iguais.
O poder é a droga
Outra
forma de idiotização bastante comum nos regimes democráticos é aquela que se
dá através das drogas. Eis aí uma tática perversa: por meio delas,
consegue-se afetar, em especial, o impetuoso potencial de contestação que é
próprio da adolescência e juventude, já que grande parte dos usuários de
drogas encontram-se, justamente, nessa faixa etária. De fato, a droga é uma
das mais eficazes armas contra os possíveis questionamentos por parte da
juventude em relação ao sistema social, e funciona como grande trunfo no
sentido de minar seus princípios morais e sua dignidade, uma vez que torna as
pessoas passivas, apáticas e predispostas aos mais baixos tipos de sedução.
Estimula-se, por exemplo, a cumplicidade promíscua e inescrupulosa, capaz de
transformar um humano num mero boneco de carne, totalmente desprovido de vontade
própria. Quanto ao consumo de narcóticos por pessoas mais maduras,
principalmente por aquelas que ocupam cargos públicos, o que se visa é torná-las
vulneráveis e, portanto, passíveis de serem chantageadas.
O
uso de drogas, ao contrário do que se costuma alegar, é incentivado pelos
governos, tanto é que estes permitem a realização de intensa propaganda para
o consumo de tabaco e álcool. E a tolerância em relação a elas não abrange
apenas as que são legalizadas, mas inclui também as ilegais. O governo
norte-americano fornece aos governos de países produtores de entorpecentes
(como, por exemplo, o México e a Colômbia) que conseguem cumprir determinados
requisitos no combate ao narcotráfico um certificado que lhes permite receber,
junto a instituições financeiras, verbas destinadas a reforçar esse combate.
Mas, na realidade, tudo não passa de um esquema destinado a sugerir que os EUA
seriam fiéis defensores da moral e dos bons costumes.
A
grande verdade sobre essa luta contra as drogas que é fomentada pelo governo
dos EUA é que por meio dela procura-se combater apenas o tráfico em âmbito
doméstico nacional, ou seja, deixa-se de lado aquilo que mais interessa
combater: a rede internacional de narcotráfico. Por isso mesmo é que, até
hoje, ainda não se pegou nenhum “tubarão”, mas apenas peixes pequenos.
Entretanto, qualquer pessoa com um mínimo de visão percebe que a cúpula do tráfico
de drogas não são os “Pablo Escobares” da vida nem tampouco os “Comandos
Vermelhos”, os quais, na verdade, não passam de micróbios diante da
gigantesca rede internacional que permanece ainda incólume. E se ela permanece
assim é porque conta com o apoio e com recursos de poderes que se mantêm fora
do alcance da lei. É sabido que existem fortes indícios (dentre os quais,
inclusive, depoimentos) de que a própria CIA estaria envolvida em operações
internacionais de tráfico de entorpecentes. O dinheiro assim arrecadado teria
sido usado, com o conhecimento de funcionários de altos cargos do governo
americano, para financiar ações terroristas que estivessem de acordo com os
interesses desse governo17.
A
receita do narcotráfico é uma das maiores que existem. Poucas outras
atividades no globo movimentam um montante de dinheiro tão significativo quanto
aquele que é gerado pela comercialização de drogas. A ONU estima que há no
mundo mais de cinqüenta milhões de pessoas que usam regularmente heroína,
cocaína e drogas sintéticas. Outros milhões estariam envolvidos nas
atividades de produção e tráfico dessas drogas. A organização que move o
narcotráfico internacional, alimentada por acordos internacionais de livre comércio,
possui dimensões comparáveis à das maiores multinacionais18. Mas a parte do
leão é embolsada pelos EUA, que transformaram a narco-economia no seu mais
importante setor, enquanto que os países produtores de matérias-primas, os do
“terceiro mundo”, ficam com as menores fatias do bolo e ainda na mão dos
grandes traficantes. A indústria norte-americana de drogas movimenta entre 750
bilhões e um trilhão de dólares ao ano, produzindo o maior lucro que já se
viu no mundo: 3.000%! O consumo de cocaína nesse país chega a 240 toneladas
por ano.
O
negócio começa nos países semi-coloniais, que entram com a produção (Colômbia,
Peru e Bolívia no caso da folha de coca e Afeganistão no caso da papoula, por
exemplo), fruto do trabalho de milhões de camponeses que vendem o quilo da matéria
prima por alguns poucos dólares. Numa segunda etapa, os narcotraficantes
latino-americanos processam a matéria-prima, transformando-a na droga tal como
é consumida, a qual vendem já por alguns milhares de dólares. A terceira
etapa está nas mãos dos distribuidores nos grandes centros de consumo –
principalmente nos EUA, que consomem 240 toneladas de cocaína por ano, e na
Europa – e é controlada por uma máfia internacional nunca perseguida nem
denunciada. Aquilo que essa máfia lucra é depois dividido com os grandes
bancos internacionais que fazem a lavagem dos narco-dólares, transformando-os
em capital financeiro, principalmente especulativo, o qual voa pelo mundo afora
em prol da globalização.
O
pretenso combate ao tráfico de drogas pelos EUA utiliza o chavão do perigo do
narcotráfico apenas para justificar sua crescente intervenção nas forças de
segurança de outros países. Por detrás dessa máscara insinua-se a penetração
de militares norte-americanos em toda a América Latina e outras partes do
mundo, os quais se colocam a serviço da manutenção do controle econômico e
político das nações em que se infiltram.
Na
época da invasão da URSS no Afeganistão, os EUA vendiam armas a grupos afegãos
de resistência que lutavam para expulsar os russos19. A moeda corrente na
compra de armas era então o ópio.
Sua produção nesse país correspondia a 75% da produção mundial. Em 2000,
quando o Afeganistão passou a ser controlado pelo Taleban, proibiu-se em território
afegão o cultivo da papoula, porque o comércio da droga era contrário aos rígidos
princípios religiosos desse grupo20. Segundo fazendeiros afegãos, o mullah
Omar enviava helicópteros às áreas de plantação de papoulas para arrasá-las
através de explosivos. Assim, até 2001, o Taleban havia conseguido reduzir em
95% a produção do ópio no território controlado pelo regime. E, em decorrência
disso, houve uma redução de 95%
nos lucros auferidos pelos caputs do narcotráfico internacional, o que, com
certeza, os levou a derrubar o governo dos mullah e colocar em seu lugar o grupo
político Aliança do Norte, cuja principal atividade sempre fôra o cultivo da
papoula.
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LIBERDADE
DEMOCRÁTICA: UM
HIPOPÓTAMO METAFÍSICO
Alegar
que a tão apregoada liberdade democrática existe é fazer como aquele
homem que, certa vez, decidiu advertir outro a respeito de um fato
singular: um hipopótamo, sem qualquer cerimônia, acabava de invadir-lhe
os aposentos. Este, incrédulo, retrucou:
– Como assim? Um hipopótamo no meu quarto? Mas isso é um completo
disparate!
– Por que um disparate?
– Simplesmente porque no meu quarto não vejo hipopótamo algum!
– Bem – replicou o primeiro – trata-se de um hipopótamo invisível,
mas nem por isso menos real...
– O quê? Um hipopótamo invisível, mas real? E como entra semelhante
paquiderme em meu quarto e eu não tropeço nele?
– Permita-me esclarecer-lhe que não estamos falando de um hipopótamo
vulgar, mas de um que é invisível e impalpável. Ele atravessa as
paredes e, portanto, não se pode tocá-lo.
– Mesmo assim! Meu cachorro o ouviria e sentiria seu cheiro...
– Ele tampouco produz ruídos ou desprende cheiro. Além de invisível e
impalpável, é inaudível e inodoro. E digo-lhe mais: esse hipopótamo não
apresenta massa nem energia, e sua presença não pode ser detectada
sequer pelos mais sofisticados instrumentos de laboratório.
– Mas, afinal, que hipopótamo é esse?
– Ora, é um hipopótamo metafísico...
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Quantidade
em detrimento da
qualidade
O
processo de degeneração social, moral e cultural sofrido pelos povos de países
democráticos está vinculado à opção por favorecer a quantidade em
detrimento da qualidade. Observe-se o que ocorre no plano social. A lei que
determina que a escolha dos governantes compete à maioria define que cada homem
vale um voto. E, para justificar essa norma, estabeleceu-se o axioma de que
todos os homens são iguais. Mas a realidade demonstra que não existem dois
homens iguais, e então, a fim de forçar esse nivelamento, despojou-se cada
homem de todo o seu “conteúdo qualitativo”, esvaziando-o completamente até
que se visse reduzido, simplesmente, a um número. Surgiu assim o homem medido e
numerado, o animal eleitoral, o animal de rebanho de que falava Nietzsche. Nesse
sentido, o ato de votar tem um lado que depõe contra a dignidade humana.
Além
disso, ao mesmo tempo em que se tenta fazer o povo engolir o sapo de que todos
os homens são iguais, ele é obrigado a conviver com condições absolutamente
desiguais, e a maioria ainda está longe de se dar conta do veneno hipnótico
que essa frase mágica destila. E que dizer do fato de que, nas democracias, a
maioria escolha a minoria? Com esse procedimento, pretende-se que a quantidade
eleja a qualidade, o que, evidentemente, é uma
grande insensatez. Pois, se a quantidade (representada pela base da pirâmide
social) elegesse a qualidade (pico dessa pirâmide), a qualidade tornar-se-ia
então fruto da quantidade. Mas quantidade nunca foi e nunca será garantia de
qualidade, e o povo é um rebanho sem pastor, desprovido das mínimas condições
para escolher. Sendo assim, os eleitos pela quantidade não podem ter qualidade,
e tudo não passa mesmo de uma grande farsa.
O
terrorismo democrático
Ao
longo da História, grandes povos sempre oprimiram os pequenos. Atualmente, algo
bem diferente acontece: pequenos grupos aterrorizam os grandes povos. Assim, os
brancos norte-americanos têm medo dos negros, os negros dos porto-riquenhos, os
judeus dos palestinos, os árabes dos judeus, os sérvios dos albaneses, os
chineses dos vietnamitas, os ingleses dos irlandeses... Não são mais as
minorias que vivem no terror. Quem vive assim, agora, é a maior parte da população
do mundo.
O
século XX assistiu à proliferação dos assim chamados regimes democráticos.
Lado a lado com esse processo, observou-se ainda, no mesmo século, um segundo
fenômeno: o do surgimento de um terrorismo organizado, com um grau de sofisticação
nunca antes visto. Esses dois fenômenos estão relacionados: o grande atentado
terrorista de setembro de 2001, que fez cair por terra o World Trade Center,
centro do Capitalismo mundial localizado no país que se autodenomina a maior
democracia do mundo, é um símbolo histórico disso.
O
terrorismo é uma reação desumana e covarde diante da injustiça. Quanto maior
a injustiça, maior o terrorismo por ela gerado. Há inúmeras ilustrações
disto na História contemporânea. As sangrentas revoluções francesa e soviética,
por exemplo, apoiaram-se na revolta popular contra sua situação de opressão e
acabaram levando à implantação de regimes dispostos a praticar ações
terroristas para manter-se no poder. Na América Latina, as infames tiranias das
ditaduras dos anos 60 e 70, como a de Somoza, que tratava a Nicarágua como se
fosse sua fazenda particular, é que induziram a uma forte adesão da população
ao terrorismo.
É
claro que um ato de violência não pode justificar novos atos de violência,
mas o fato é que exploração tem limite. Um pai que não tem leite para dar
aos filhos é um revoltado em potencial. Um homem desesperado é uma besta, pois
o desespero afeta sua estrutura pessoal. E quanto mais os métodos de coação
se tornam sutis e abusivos, levando as populações a sentir-se violentadas e
impotentes, maior é o risco de que alguns acabem insurgindo-se contra essa violência
disfarçada através do terrorismo.
Vemos
então que, contrariamente ao que determinados discursos (como o do próprio
George W. Bush) pretendem nos fazer acreditar, a democracia por si só não é,
nem pode ser, um remédio contra o terrorismo. E os EUA poderão sofrer novas
conseqüências de sua política opressiva caso insistam em mantê-la, cobrando
juros que impedem os países de se desenvolverem normalmente e de terem vida própria.
Democracia, no verdadeiro sentido do termo, é a realização da aspiração
humana de ter o direito de alimentar-se, vestir-se e ter moradia digna, de ter
uma vida saudável, de escolher o que se vai comer e aquilo que se vai
ler. E recorrer ao discurso democrático de liberdade para justificar a prática
da opressão é o ato mais criminoso e terrorista que pode haver.
Se
ao invés de terem adotado uma política prepotente os pseudo-representantes do
povo americano tivessem tido alguma sensibilidade diante do sofrimento por eles
infligido a grande parte do mundo, se não tivessem sido arrogantes a ponto de
supor que ficariam livres de ter que colher um dia aquilo que semearam, teriam
economizado cerca de um trilhão de dólares, valor equivalente ao dos prejuízos
resultantes dos atentados de setembro de 2001. Dessa forma, teriam demonstrado
maior inteligência e proporcionado ainda algum conforto à maioria dos
habitantes do planeta, os quais se encontram sufocados pelo exacerbado
materialismo e egoísmo com que, um após o outro, os governos norte-americanos
têm agido.
|
O Governo do rabo

Quando
a baixa compreensão chega ao governo, acontece então como na história
da cauda e da cabeça da serpente.
A
cauda da serpente havia seguido por muito tempo a direção da cabeça, e
tudo estava bem. Um dia, a cauda começou a estar descontente com este
arranjo da natureza e dirigiu-se à cabeça nos seguintes termos:
–
Há muito tempo que observo com indignação o teu injusto procedimento.
Em todas as nossas viagens és tu que tomas a dianteira, enquanto eu, como
um criado servil, sou obrigada a seguir-te. Apareces primeiro em toda
parte, mas eu, qual escravo miserável, tenho que ficar atrás. Isto é
justo? É direito que seja assim? Acaso não somos membros do mesmo corpo?
Por que não poderei dirigi-lo tão bem como tu?
–
Tu –exclamou a cabeça– tu, rabo estúpido, queres dirigir o corpo?
Mas se não tens olhos para ver o perigo, nem ouvidos para te avisarem
dele ou cérebro para saber evitá-lo. Não compreendes que é para tua
vantagem, e do corpo todo, que eu dirijo e guio?
–
Para minha vantagem??!! Eis aí o discurso de todos os usurpadores: sempre
pretendendo reger para bem de seus servos! Mas eu não me submeterei por
mais tempo a semelhante estado de coisas. Insisto em tomar a dianteira!
–
Pois bem –replicou a cabeça– assim seja. Guia tu.
A
cauda regozijou-se e tomou a dianteira. Uma vez na direção do corpo, sua
primeira façanha foi arrastá-lo para uma fossa de lodo. A situação não
era das mais agradáveis. Ela lutou muito, andou às apalpadelas e, com
grande esforço, finalmente conseguiu sair. O corpo todo ficou coberto de
imundícies e lama.
A
segunda façanha da cauda foi dirigir-se a um espinheiro, onde o corpo
inteiro se embaraçou. A dor foi intensa e muitos foram os ferimentos.
Quanto mais a cauda se debatia, mais o corpo acabava se ferindo. E aqui
teria acabado a miserável existência da cauda, assim como a da cabeça e
do resto do corpo, se a cabeça não tivesse tomado a iniciativa de livrar
a todos de tão perigosa situação.
Não
contente, a cauda ainda teimou em levar a dianteira. Continuou a
marchar... Porém, quis o acaso que entrasse numa fornalha acesa. Bem
depressa, começou a sentir os dolorosos efeitos do elemento destrutivo. O
corpo inteiro ficou abrasado. Foi um lance terrível. A cabeça, uma vez
mais, apressou-se em intervir, concedendo à cauda seu auxílio amigável.
Mas, ai dela! Era tarde demais: a cauda estava consumida... O fogo, sem
demora, atingiu então as partes vitais do corpo, que foi destruído,
tendo sido a cabeça arrastada na ruína total.
Qual
foi a causa da destruição do corpo? Pois não foi o ter sido guiado pela
cauda estúpida? Tal será o destino de uma sociedade que se permita guiar
pelo peso morto da quantidade ao invés de pela qualidade de uma elite. Não
de uma elite econômica, mas espiritual. |
Fundamentalismo
Islâmico
X
Fundamentalismo
Democrático
O
conceito de Fundamentalismo, em princípio, abrange qualquer corrente ou
movimento de cunho conservador que divirja do sistema (normalmente religioso) a
que pertence por apregoar a obediência rigorosa e irrestrita ao seu conjunto de
fundamentos ou princípios básicos. Porém, na prática, o Fundamentalismo
acaba se tornando uma corrente extremada e fanática que, deixando de respeitar
a livre e espontânea vontade de cada um, rejeita de forma veemente qualquer
tipo de visão que não seja a sua. Trata-se, em suma, de uma postura de intolerância
extrema: os fundamentalistas, para alcançar seus objetivos, podem chegar à
violência e utilizar-se de diversos tipos de coação.
O
Fundamentalismo islâmico nasceu como uma tentativa de resgatar as raízes e os
fundamentos da religião contidos no Corão. Após a perda de territórios da
Palestina, Egito, Síria e Jordânia para Israel na guerra de 1967, o movimento
revestiu-se de novas conotações. Enquanto Maomé esteve presente, ele uniu os
nômades e elevou o mundo árabe a um nível de civilização e dignidade moral
jamais alcançado por esse povo. Porém, após sua morte, que deu lugar a inúmeras
cisões, o Corão começou a ser interpretado ao pé da letra, gerando-se assim
uma série de conflitos e complicações.
Um
dos aiatolás que lançaram as bases da revolução fundamentalista islâmica
que derrotou o regime do xá Reza Pahlevi evidenciou ao mundo a intolerância
desse movimento quando afirmou:
“Aqueles
que ignoram tudo sobre o Islã pretendem que ele recomende não fazer a guerra.
São insensatos. O Islã manda matar todos os infiéis da mesma maneira que eles
nos matariam.”
Mas
o Fundamentalismo religioso, essa excrescência fanática que, buscando zelar
pelos princípios de uma religião, acaba traindo esses mesmos princípios,
não é exclusividade do Islamismo. Veja-se, por exemplo, o caso daqueles que na
Idade Média se diziam representantes do Cristo. É bem sabido que, atendo-se
antes à letra morta que ao espírito vivificante, eles acabaram cometendo
grande número de desatinos totalmente incompatíveis com a essência dos
ensinamentos cristãos. E tais desatinos permitem classificá-los, igualmente,
como fundamentalistas. Também entre judeus há Fundamentalismo religioso, cujas
manifestações violentas em Israel são bem conhecidas.21
Fundamentalistas
são, também, muitos regimes políticos, dentre os quais os democráticos e,
sobretudo, o norte-americano. Já dissemos antes que democracia de fato é coisa
que nunca existiu, porque os regimes que se dizem democráticos são na verdade
formas veladas de ditadura. Acrescente-se aqui, então, que em lugar de
democracia o que existe hoje é, apenas, um Fundamentalismo democrático.
À
primeira vista, a democracia ianque parece não ter nada em comum com o
radicalismo de grupos islâmicos fundamentalistas como o Taleban, que controlou
o Afeganistão de 1996 até o final de 2001 e que ela combateu duramente e
acabou por derrubar dois meses após os ataques de setembro de 2001. Entretanto,
o fato é que, sob vários aspectos, assemelha-se a ele muito mais do que
gostaria de admitir. Ambos coincidem, em primeiro lugar, naquilo que caracteriza
todas as formas de Fundamentalismo: a traição aos próprios princípios. O
Fundamentalismo democrático, apoiado na crença da superioridade absoluta de
sua concepção de mundo, alimenta em relação a qualquer forma alternativa uma
mal disfarçada intolerância que o levou a distanciar-se de seus objetivos
iniciais: a conquista de liberdade e justiça para todos. E o Fundamentalismo
islâmico do Taleban, por sua vez, afastou-se de seu objetivo religioso – o de
resgatar os preciosos fundamentos do Islã – para tornar-se uma entidade política
que, longe de proporcionar aos afegãos uma vida melhor, criou-lhes inúmeros
problemas.
|

George Bush no muro das
lamentações
rezando para que seu filho
George W. Bush siga a sua carreira
Político
profissional
"Loiro
alto, vesgo, bonito sensual
Talvez eu seja a solução de seu problema
Ambicioso, a nível mundial
Demagogo e artificial
Inteligente e à disposição
Prum relacionamento íntimo e discreto
Realize, seu sonho eleitoral
Pra qualquer tipo de Convenção
Sem compromisso de tipo moral
Só financeiro
E o endereço para comunicação
É a caixa do diretório tal
Do político profissional
Favores sem preconceito
Sigilo total
Amplexo total
Político Profisional..." |

Mohammed Omar
1989 - Kandahar
Líder
político e religioso
Líder do
grupo Taleban, Mohammed Omar residiu em Kandahar até a época dos
bombardeios norte-americanos. De sua casa, que, segundo consta, foi
presente de seu genro, Osama Bin Laden, Omar comandava todas as
operações do grupo. Figura polêmica, evita aparecer em público e
não se deixa fotografar. A foto acima foi tirada em 1989. Sabe-se que
ele tem hoje cerca de 45 anos e que, nos anos 80, perdeu o olho direito
em combate. Avesso a todo tipo de cultura ocidental, tomou medidas
drásticas para preservar a tradição moral do afegãos. Até a
invasão americana, Mohammed Omar conseguiu controlar 95% do território
Afegão além de ter organizado milhares de madrassas (escolas
religiosas).
|
As
semelhanças, porém, não param por aí. Eis, aqui, outros pontos de contato:
1)
Uso de violência
A
segunda grande semelhança, e a que mais salta aos olhos, é, sem dúvida, a do
recurso à violência, contra civis inclusive. A mais recorrente forma de violência
norte-americana é aquela que se dá através de bombas, bastante conhecida no
mundo inteiro, e já mencionada nas páginas anteriores. Quanto à perpetrada
pelo Fundamentalismo islâmico, usada em defesa de interesses não apenas políticos
mas também religiosos, cabe dizer que pode ser representada pela atuação do
grupo terrorista Al Qaeda.
O
Al Qaeda, que, segundo se crê, realizou os ataques em Washington e Nova Iorque,
foi fundado em 1989 por Osama Bin Laden para expulsar os norte-americanos da Arábia
e da Somália. Estendeu seu combate a todos os governos não islâmicos ou
aliados de Israel. Foi autor, também, do atentado à embaixada norte-americana
no Quênia (213 mortos). O mullah Mohammed Omar, líder do Taleban, abrigou o Al
Qaeda de Bin Laden, seu genro, e instituiu em seu país, o Afeganistão, as práticas
de amputação de membros e execução de criminosos, as quais se tornaram
procedimentos de rotina.
A
morte de civis em guerra não é encarada pelos seguidores dessas duas
ideologias como crime, mas como uma simples fatalidade. Em ambos os casos, o que
se observa é a imposição dos próprios interesses a qualquer preço. No caso
dos EUA, há também, como já dissemos, a imposição por meios sutis, o que não
quer dizer que os governos desse país titubeiem quando eles não parecem
prometer sucesso.
2)
Supervalorização do supérfluo
Não
é novidade que a cultura democrática norte-americana, com seu exacerbado
materialismo e consumismo, tende a supervalorizar o supérfluo em detrimento do
essencial. Mas, e que dizer dos talebans, inflexíveis em relação à
obrigatoriedade do uso de barba pelos homens e do xador (túnica e véu) pelas
mulheres, assim como no que se refere à proibição de ouvir músicas que não
as marciais e religiosas por eles autorizadas? E acaso proibir as mulheres de
ser atendidas por médicos do sexo masculino, arriscando assim suas vidas, não
era, igualmente, supervalorizar o secundário em detrimento do essencial?
3)
Tendência aos extremos no âmbito moral
A
bem conhecida permissividade moral e sexual que vigora nas culturas democráticas
– e, sobretudo, na norte-americana – é tão extrema quanto a repressão
taleban com todas as suas restrições impostas ao sexo feminino. Neste ponto, a
semelhança reside no extremismo, pois ambas as ideologias, cada qual à sua
maneira, pecam pelo exagero. O contraste é surpreendente. Os EUA vêem minorias
sexuais clamarem abertamente por seus direitos, a promiscuidade sendo encarada
com “naturalidade”, a indústria do sexo sendo explorada até os últimos
limites e as mulheres atuando no campo de trabalho tão intensivamente quanto os
homens (em muitas famílias americanas é comum, inclusive, que a mulher saia
para trabalhar enquanto o marido cuida da casa). Já no Afeganistão, até a
queda do Taleban, as mulheres, além de não poderem exibir em público o rosto
ou qualquer parte do corpo nem tampouco ser atendidas por médicos do sexo
masculino, eram proibidas até mesmo de estudar e trabalhar fora do lar (se
pudessem formar-se médicas, poderiam tratar umas às outras e não ficariam sem
atendimento). Tanto num caso como no outro, o que se tem é um grande
distanciamento em relação àquilo que constitui um dos maiores desafios
humanos: o ponto de equilíbrio. Sabe-se que grande é a tendência do ser
humano a resvalar para os extremos. Então, não é de estranhar que cada uma
dessas duas formas de Fundamentalismo tenha se mostrado tão violenta, já que
uma das manifestações mais freqüentes do desequilíbrio é a violência.
4)
Imposição de valores e hábitos
O
Fundamentalismo islâmico considera que quem não compartilha seu próprio ponto
de vista irá para o inferno ou em vida estará condenado a viver como um réprobo,
e o Fundamentalismo democrático, conforme já comentado no decorrer deste
artigo, à semelhança do primeiro, procura impor a diversas culturas sua própria
concepção de mundo, sintetizada no american way of life. Justamente uns poucos
dias antes do atentado, a OEA havia determinado que se um Estado, ainda que
eleito pelo povo, não aplicasse métodos e normas devidamente “democráticos”
(isto é, dentro dos moldes tolerados pela constituição dos EUA), seria passível
de severas sanções que poderiam, inclusive, levar à sua derrocada pela força.
Assim, o governo norte-americano não é menos radical que os próprios talebans
quando se trata de impor os próprios princípios, mas dispõe-se, igualmente, a
fazê-lo a ferro e fogo, se preciso for.
5)
Exibicionismo religioso
O
Fundamentalismo democrático, principalmente às vésperas de eleição, exibe
seus líderes saindo de missas dominicais com a Bíblia na mão, sugerindo assim
que eles teriam sentimentos religiosos. E os fundamentalistas islâmicos
deitam-se ao chão para orar defronte à Meca num gesto de aparente humildade
que, é claro, não necessariamente condiz com o que sentem ou fazem no seu
cotidiano.
6)
Intolerância cultural
Movidos
pelo fanatismo religioso, e no intuito de coibir o culto a qualquer outra religião
no país que não a islâmica, os talebans bombardearam e destruíram no
Afeganistão imagens colossais de Buda (com aproximadamente 40 m de altura), as
quais haviam sido esculpidas em pedra e constituíam verdadeiras obras de arte.
A truculência do ato acabou atraindo violência ainda maior, o ataque dos EUA
ao país através da recente série de bombardeios que dizimaram milhares de
vidas humanas, numa nova demonstração de que a cultura democrática
norte-americana afronta todas as demais culturas do mundo ao pretender forçá-las
a uma padronização definida segundo seus próprios critérios. Essas são
algumas das inúmeras atitudes desrespeitosas dos fundamentalistas, que, por
orgulho e arrogância, esquecem-se de levar em conta a liberdade alheia.
Quanto
aos representantes dessas duas formas de Fundamentalismo, o mullah Mohammed Omar
e George W. Bush, é preciso reconhecer que existe, entre eles, uma diferença
fundamental. Se há algo que os dois definitivamente não tem em comum é a
coragem: enquanto o líder afegão conseguiu expulsar os russos de seu país
numa árdua luta corpo a corpo, o texano Bush, no momento em que soaram as
primeiras explosões das torres gêmeas, correu a refugiar-se num abrigo nuclear
nas montanhas do Nebraska. No mais, eles se parecem em muitos aspectos...
O
feitiço virou contra o feiticeiro
Não
há como negar que os governos norte-americanos, com sua política disfarçadamente
violenta e usurpadora, acabaram fazendo com que sua própria nação se tornasse
vítima de violência. Pois, por ironia do destino, os grupos fundamentalistas
islâmicos do Afeganistão, assim como seu líder milionário Osama Bin Laden,
foram apadrinhados financeira e militarmente pelos EUA. Ao vincular-se a esses
grupos, o governo americano pretendia utilizar-se do arraigado nacionalismo étnico
dos fundamentalistas para montar um exército capaz de expulsar os russos, que
haviam se instalado no Afeganistão em 1977.
Logo
no início dos combates, Bin Laden, na época um engenheiro recém-formado de
rica família saudita, chega ao Afeganistão. Ele paga a passagem de outros
quatro mil voluntários árabes, torna-se o líder dos “árabes-afegãos”,
participa dos combates, constrói estradas e abrigos para armas e munições e
trava fortes relações com os líderes fundamentalistas, entre eles o mullah
Mohammed Omar, que mais tarde emergiria como o líder supremo do Taleban. Usando
foguetes americanos, os Mujahedden, aliança islâmica radical afegã montada
pelos EUA, abatem os helicópteros dos russos, que, em 1989, finalmente
abandonam o Afeganistão. As atrocidades então cometidas pelos Mujahedden foram
na época basicamente ignoradas pela mídia internacional. Ironicamente, os
mesmos veículos de comunicação que hoje os tacham de terroristas costumavam
referir-se a eles, simplesmente, como combatentes da liberdade.
Logo
em seguida, em 1990, os americanos invadem o Kuwait e 540.000 soldados dos EUA
instalam-se na Arábia Saudita, deixando os religiosos islâmicos enfurecidos.
Mesmo depois de acabada a crise do Kuwait, o governo americano, buscando
garantir a casa real saudita (cliente dos americanos desde 1932) e assegurar o
suprimento de petróleo para as multinacionais americanas, mantém instalados na
Arábia aproximadamente vinte mil soldados dos EUA.
A
partir de 1995, o feitiço começa a voltar-se contra o feiticeiro: os grupos
terroristas islâmicos, que haviam sido fomentados e usados durante anos pelos
EUA para combater a URSS, voltam-se agora contra os próprios norte-americanos.
A existência de forças militares instaladas em determinados locais da Arábia
Saudita soa aos afegãos como ofensa grave. São então realizados ataques no
quartel da Guarda Nacional em Riyadh e, em 1996, tem lugar um atentado em Al
Khobar, perto da base americana de Dhahran. Bin Laden participa ativamente do
movimento anti-americano, convocando um jihad (guerra santa) contra a presença
dos EUA na Arábia Saudita. Em 1998, uma frente islâmica internacional divulga
o seguinte comunicado:
“Há
mais de sete anos os EUA estão ocupando a terra mais sagrada do Islã, a península
da Arábia, saqueando suas riquezas, manipulando seus governantes, humilhando
seu povo, aterrorizando seus vizinhos e transformando suas bases na península
em pontas de lança para combater os povos muçulmanos vizinhos.”
Em
seguida, veio a Fatwa, o decreto muçulmano:
“A
ordem de matar os americanos e seus aliados, civis e militares, é um dever para
cada muçulmano que puder executá-la em qualquer país onde isso seja possível,
para libertar a mesquita de El-Aqsa [em Jerusalém] e a
Mesquita Sagrada [em Meca] de suas garras, e para que seus exércitos se
retirem de todas as terras do Islã, derrotados e incapazes de ameaçar de novo
qualquer muçulmano.”
Bin
Laden responsabiliza os EUA pela morte de seiscentas mil crianças em conseqüência
do bloqueio americano contra Saddam Hussein. Em 2001, finalmente, acontece o
grande atentado contra o Pentágono e o World Trade Center.22
O
que o governo americano tem pretendido fazer no Oriente Médio e na Ásia é
equivalente àquilo que já havia feito na América Latina. Durante anos, os EUA
dispuseram-se a tirar e colocar no poder, neste continente, governantes dos mais
diferentes matizes, desde que estes viessem a favorecer seus interesses de
hegemonia e propaganda alienando a população a ponto de induzi-la a um
envolvimento quase unânime com os interesses deles.23
Veja-se,
por exemplo, o que ocorreu no Panamá. Depois de colocar na presidência o
General Manuel Noriega, ex-agente da CIA, e depois de tê-lo usado por considerável
tempo a seu serviço, o governo americano tirou-o do poder de uma forma
humilhante, fechando-o numa penitenciária nos EUA onde se encontra até hoje. E
ele deve ter levado bastante tapa no ouvido até ficar atordoado, porque acabou
virando pastor, e é bem provável que funde uma igreja no dia em que conseguir
sair da prisão. Na Nicarágua, com Somoza, foi praticamente a mesma coisa:
depois de terem-no usado até onde lhes pareceu conveniente, os EUA o deixaram tão
vulnerável que ele acabou sendo eliminado tal como o foi Noriega, e puseram então,
em seu lugar, um cantinflas de esquerda, Daniel Ortega, que estava mais para
sandice que para Sandinismo e que gostou tanto do poder que passou a fazer
viagens a Nova Iorque e gastar, só em óculos, U$5.000. Ao mesmo tempo em que
fazia papel de comunista, era adepto do exacerbado consumismo norte-americano.
Na
verdade, o fanatismo religioso islâmico é, ao menos em parte, resultante da
atitude fanática dos EUA, que, para conseguirem seus objetivos, não titubeiam
em recorrer aos meios mais sórdidos.
George
W. Bush
X
Osama
Bin Laden
O
que pouca gente sabe é que, independentemente da questão dos russos no
Afeganistão, favores foram prestados pelos Laden aos Bush no passado. O avô do
atual presidente dos EUA, Preston Bush, que foi diretor da CIA em 1976, travara,
ainda nos anos sessenta do século passado, relações de amizade com o xeque
Mohammed Bin Laden, pai de Osama Bin Laden. Um dos irmãos de Osama, o xeque
Salem Bin Laden, foi parceiro de George W. Bush em negócios petrolíferos,
tendo-o socorrido financeiramente por diversas vezes para levantar sua empresa
Spectrum 7. E agora, Bush, esquecido de tudo, invade o Afeganistão em busca da
cabeça daquele que é filho do amigo (já falecido) de seu avô e irmão de seu
antigo benfeitor.24
George
W. Bush foi eleito numa disputa decidida no Supremo Tribunal em meio a fortes
suspeitas de fraude eleitoral na Flórida e vários outros Estados. Durante a
campanha, dominada pelo poder econômico, a mídia ignorou acintosamente a existência
de outros candidatos que não os dois majoritários. Não houve nenhum debate público
com a presença de Ralph Nader ou Pat Buchanan, candidatos não totalmente
coniventes com o sistema. Não é de surpreender, pois, que 49% dos eleitores não
tenham sequer votado. Bush, além de manter um declarado vínculo com a indústria
petrolífera, estaria fortemente ligado à sinistra organização do
“reverendo” Moon.
Se
fosse dotado de alguma vontade humanista, esse presidente teria aproveitado a
oportunidade de estar investido do cargo político de maior envergadura do globo
para tentar melhorar as condições gerais de vida da humanidade. Ao contrário,
ele assumiu o governo de forma totalmente inexpressiva e medíocre, continuando,
uma vez eleito, a levar praticamente a mesma vida que levava antes, jogando
golfe, cuidando de sua fazenda no Texas e tirando férias depois de seis meses
sem fazer nada de útil.
O
fato é que George W. Bush nunca mostrou estar empenhado em encontrar uma forma
inteligente de amenizar o sofrimento dos países que se encontram em petição
de miséria por estarem exauridos de recursos em decorrência de uma conta que,
além de impagável, aumenta a cada segundo devido a uma das coisas mais
desumanas e pestilentas que existem na Terra, a usura. Afinal, a usura contraria
o princípio eterno e natural de que quem não trabalha não come, bem como o
princípio universal de todas as religiões (ainda que não praticado pela
grande maioria delas) de que cada
um deve amar seu próximo como a si mesmo.
Então,
com sua indiferença, incompetência e inoperância, Bush causou ao mundo um sério
problema. Na medida em que nada fez para combater o sofrimento gerado pela
insana política de seus antecessores e afins, provocou uma reação,
manifestada nos ataques de setembro de 2001. De modo que, ainda que
indiretamente, afetou a vida de bilhões de pessoas e ocasionou enormes prejuízos
a seu país e a inúmeros outros.
Se
o total em dinheiro que os EUA perderam em função desses ataques tivesse sido
usado para pacificar o planeta, hoje certamente não se estaria falando em
riscos de guerra, e ter-se-ia proporcionado a todos a esperança de não terem dúvidas
de que são seres humanos25. Mas, em lugar de investir na paz, o presidente
desse país optou por manter sua posição de sumo terrorista fantasiado com os
trapos daquilo que ainda insiste em chamar de democracia. Através dos furos
desse trapo é possível enxergar, bem gordo, seu ego americanalhado.
A
rigor, ao invés de ficar mobilizando o mundo para uma guerra, Bush deveria
dignar-se a fazer uma profunda autocrítica e a reconhecer os erros cometidos a
fim de não agravar ainda mais a situação de ignorância e penúria mundial.
Francamente, não se pode definir quem é mais terrorista, se o xeque Osama Bin
Laden ou o “cheque” George W. Bush. Sem dúvida, o melhor (e mais econômico)
para a humanidade seria que os dois tivessem resolvido a questão mano a mano,
numa luta sobre um ring. Com os recursos de TV via satélite de hoje, pessoas do
mundo inteiro poderiam tê-los visto lutar sem nem mesmo ter que sair de casa.
Uma
nova Cartago
Os
Estados Unidos da América quiseram ser uma nova Roma, mas tudo o que
conseguiram foi ser uma nova Cartago. E talvez a visão de sua cidade primeira
em chamas seja augúrio de que o império ianque acabará também como Cartago.
Eis o destino de todas as esquizofrenias políticas: hoje no poder, amanhã na
sarjeta da História. Os talebans já não poderão negá-lo.
Se
o grupo Aliança do Norte não mais se dispuser a proteger o comércio do ópio
e se mantiver isento do fanatismo do Fundamentalismo islâmico e da corrupção
do Fundamentalismo democrático, isso será um refrigério para o tão sofrido
povo afegão, berço da sabedoria sufi, cujos representantes, à margem da
parafernália político-religiosa que em sua própria casa lhes foi imposta, têm
se sentido, nela, verdadeiros estranhos no ninho.
Tudo
é possível desde que haja coragem. O homem de coragem é idealista e, ao mesmo
tempo, pragmático. Se os poucos corajosos que há no mundo tiverem que arcar
com o estigma de iconoclastas, isto não deverá impedi-los de prosseguir com
seu trabalho nem de questionar os dogmas vazios dos pseudovencedores da História.
E seu trabalho é o de lutar para que os homens possam alcançar uma nova e mais
humana concepção de vida, porque isto não poderá ser feito nem por usurários,
nem por traidores, nem por golpistas disfarçados de liberais.
Séculos
e séculos de lutas e intrigas serviram para ensinar que a solução para os
problemas humanos não pode residir nas ideologias. Quantas já terão sido
inventadas? Já está provado que não é através delas que os desequilíbrios
sociais serão sanados. E como poderiam, se suas causas não se encontram fora
do homem, mas dentro dele? Orgulho, inveja, ganância e ódio: eis os
verdadeiros inimigos. A eles sim é preciso combater sem clemência, pois a paz
só será alcançada no dia em que cada um tiver conseguido aniquilá-los dentro
de si.
Que
cada um possa, então, tornar-se um centro espiritual capaz de atrair e irradiar
as mais serenas vibrações que emanam do amplexo infinito da Força Superior.
Somente esta força sensibilizará os homens a ponto de torná-los capazes de
realizar a mudança copernicana que, com certeza, faz-se imprescindível no
mundo. É tempo de que a humanidade reconciliar-se com sua verdadeira identidade
e compreender que sua existência não consiste numa mera justaposição de patéticas
imagens hollywoodianas e clichês estereotipados. Abandonada a ilusão ignara, a
miragem democrática por fim se dissolverá. Nascerá assim, por fim, a primeira
democracia de fato.
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Esta
carta de Ghandi, enviada a Hitler há sessenta e dois anos, poderia bem
ter servido, em fins do ano passado, ao presidente norte-americano
George W. Bush. A resposta de Hitler todos conhecem. E a de Bush, foi
diferente?
Índia, 23.7.1939
Querido
amigo:
Amigos
exortaram-me a escrever-lhe pelo bem da humanidade. Eu resisti a seus
pedidos por causa do sentimento de que qualquer carta de minha parte
seria uma impertinência. Mas algo me diz que eu não devo calcular, e
que devo fazer meu apelo qualquer que seja o seu valor.
É bastante claro que o senhor é hoje a única
pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade
a um estado selvagem. Deverá o senhor pagar tamanho preço por um
objeto, não importa quão valioso este possa parecer-lhe? O senhor
escutará o apelo de alguém que deliberadamente descartou o método da
guerra, não sem considerável sucesso? De qualquer maneira, antecipo-me
a pedir-lhe perdão se errei em escrever-lhe.
Seu sincero amigo,
M. Ghandi |
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Legítima
Defesa
A
alegação de "legítima defesa" por parte de George W. Bush
para justificar os recentes bombardeios ao Afeganistão não é válida,
segundo esclarece o juiz espanhol Baltazar Garzon. Em entrevista ao
jornal La Nación, Baltazar diz ser favorável à eliminação de
bases de treinamento de terroristas, mas não à guerra. "A
legítima defesa exige uma coincidência temporal entre a ação e a
resposta, e a reação dos EUA não caracterizou legítima
defesa." - explicou ele.
Melhor
seria se, ao invés de terem se escondido - um em seu bunker subterrâneo
no Nebraska, e outro nas cavernas subterrâneas afegãs -, Bush e Osama
tivessem se enfrentado numa luta corpo a corpo. Teria sido realmente uma
ação humanitária, através da qual mlhares de mortes poderiam ter
sido evitadas e bilhões de dólares economizados. Além disso, o mundo
teria tido a oportunidade de assistir a uma verdadeira palhaçada via
satélite. |
Notas
1.
O termo foi usado por Aristóteles em referência à politeia. Essa fórmula até
funcionava bem nas pequenas cidades-estado do mundo grego, que não continham
mais que cinqüenta mil habitantes, mas definitivamente não funcionou desde que
surgiu em épocas mais recentes.
2.
Em seu famoso discurso em Gettysburg.
3.
James Bryce nasceu em 1830 na Irlanda e faleceu em 1922. É autor de The
American Commonwealth, famosa obra sobre a constituição americana.
4.
Bryce, James. Apud Carl Becker, O dilema da Democracia.
5.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento emitido pelos
revolucionários franceses, foi redigido com o auxílio do próprio Thomas
Jefferson.
6.
Obra escrita no final do século XVIII pouco depois da Revolução Francesa e
ainda hoje estudada em cursos de ciência política.
7.
Formaram-se naquela época grandes fortunas como a de John P. Morgan e John
Davidson Rockefeller.
8.
Do site http://www.zaz.com.br/voltaire/mundo/truste.htm
9.
Do site http://www.inequality.org/factsfr.html
10.
A esse respeito, leia Bilderberg: o plano oculto de dominação mundial, na
Humanus II (ano 2001), e também, no presente número, Bilderberg (II).
11.
Em Deus confiamos.
12.
George Monbiot – Backyard Terrorism, The Guardian, 30 de Outubro de 2001,
disponível on line em:
http://www.guardian.co.uk/waronterror/story/0,1361,583254,00.html
13.
http://www.soaw.org/home.html – School of the Americas Watch – ONG de vigilância
sobre a SOA
14.
A respeito do mesmo assunto, vide neste número da Humanus o artigo Televisão:
a boceta de Pandora.
15.
Consta que os bombardeios norte-americanos no Afeganistão no final do ano de
2001 visavam obstruir os canais de acesso a extensas áreas subterrâneas
habitadas por uma comunidade de monges tibetanos dedicados a alimentar uma
resistência espiritual capaz de impedir a consumação de um sinistro plano de
dominação mundial. Pelo que se sabe, os objetivos visados através dos
bombardeios não foram atingidos. E o mistério permanece.
16.
Esse parágrafo e o anterior baseiam-se em trecho do livro Um conto de Tolstoi
à Luz da Oaska, de Joaquim José de Andrade Neto, Campinas, Sama, 1999.
17.
http://www.ciadrugs.com
18.
O atual chefe do cartel da Colômbia, Gilberto Rodriguez Orejuela, embolsa 4
bilhões de dólares anuais vendendo cocaína no mundo todo.
(http://www.mojones.com/mother_jones/MJ95/mafia-map.html).
E, com tudo isso, é possível que ele sequer chegue a ser um dos “tubarões”.
O Cartel Internacional da Droga movimenta US$500 bilhões por ano apenas com
seus três “produtos” principais: cocaína, heroína e maconha. Isso é
pouco menos que o Produto Interno Bruto do Brasil, dinheiro suficiente para
adquirir a General Motors, a Microsoft e a IBM em apenas um ano. Esse cartel usa
seu poder econômico para eleger em todo o mundo políticos dispostos a proteger
seus interesses. (Yallop,
David – The Unholy Alliance, 2001)
19.
De acordo com especialistas em crime organizado, Nova Iorque, Los
Angeles, Dallas e Miami são pontos chaves de entrada, nos EUA, de drogas e
dinheiro oriundo do tráfico internacional não apenas de drogas mas também de
armas. (http://www.mojones.com/mother_jones/MJ95/mafia-map.html)
20.
A extinção do plantio de papoula em 2000 no Afeganistão foi confirmada por
observadores da ONU. Em um ano, as áreas ocupadas por essa planta, as quais
somavam 80.000 hectares, foram reduzidas a zero. E isso apesar de o ópio
ser tradicionalmente o único meio de sustento importante do Afeganistão,
que em 1998 foi o maior fornecedor mundial da droga. (Cohn,
Martin Regg. The Toronto Star
(http://www.afghanradio.com/news/2001/may/may20f2001.html). Por décadas,
a papoula foi a única fonte de renda para os camponeses afegãos. Com a proibição
de seu cultivo, muitos deles se viram reduzidos à miséria. Os raros
transgressores foram presos. O Taleban contava com o auxílio das Nações
Unidas para compensar esses lavradores, mas o programa de apoio durou pouco,
pois foi abruptamente cancelado em dezembro de 2000 devido às relações do
grupo com Bin Laden. Vários comandantes da Aliança do Norte têm conexões com
o tráfico da droga.
21.
Um dos grupos mais conhecidos é o Gush Emunim (Bloco dos Fiéis), cujos membros
consideram que o confisco de terras árabes a qualquer preço é um ato de
santificação e que as almas dos judeus são mais valiosas que as dos não
judeus. Outra manifestação do Fundamentalismo judaico foi aquela que, em 1995,
levou um radical chamado Yigal Amir a assassinar o primeiro ministro de Israel
de então, Izhak Rabin. Durante o processo judiciário, Amir disse ter agido
pela “lei do Talmud”. No dia em que ouviu a sentença de prisão perpétua,
declarou: “Tudo o que fiz, fiz por Deus, pela Torá de Israel, pelo povo de
Israel e pela terra de Israel” (http://www.parascope.com). Embora os
fundamentalistas em Israel sejam uma minoria, eles têm uma grande influência
na vida política do país e na opinião pública. Uma pesquisa feita em 1998
revelou que 2/3 da população israelense haviam aderido à idéia da expulsão
dos árabes do país.
(http://www.hebron.com/israel-honors-serial-murderer-111597.html).
A respeito do Fundamentalismo judeu, vide também Jewish Fundamentalism in
Israel, de Israel Shahak e Norton Mezbinsky (Londres, Pluto Press, 1999).
22.
Baseado em artigo de Dilip Hiro intitulado The Cost of an Afeghan “Victory”,
publicado em The Nation em 15-02-1999. Disponível on line no site:
www.thenation.com
23.
Resta saber o motivo pelo qual essa intervenção política americana em escala
mundial tem sido tão pouco divulgada pela imprensa.
24.
A história dessa relação Laden-Bush começou em 1960, quando o avô de Bush,
Preston, envolvido com negócios de petróleo, tornou-se amigo de Mohammed Bin
Laden, um empreiteiro árabe que viajava com freqüência para o Texas. Mohammed
morreu em acidente aéreo em 1968 quando sobrevoava propriedades dos Bush. Em
1970, o filho de Preston, George Bush, decidiu incentivar seu filho George
William, cujo desempenho na escola era medíocre, a fundar sua própria empresa
petrolífera, a Bush Energy. George William procurou por Salem Bin Laden, o mais
velho dos 52 filhos do falecido Mohammed, e por Bin Mafouz, casado com uma das
irmãs de Salem. Mafouz era presidente da Blessed Relief, ONG árabe na qual
trabalhava um dos irmãos de Salem, Osama Bin Laden. A empresa de George W.
Bush, chamada Spectrum 7, se encontrava em apuros quando Salem Bin Laden, fiel
aos laços de família, comprou àquele que considerava um amigo seiscentos mil
dólares em ações no intuito de auxiliá-lo. Depois, firmou com ele um
contrato de importação de petróleo no valor de cento e vinte mil dólares
anuais. A partir de então, a situação melhorou sensivelmente para Bush, que
logo embolsou um milhão de dólares e firmou um contrato com o emirado de
Bahrein que deixou a Esso morrendo de inveja. (Baseado em artigo de Frei Beto
intitulado Laços de família, publicado pelo jornal O Estado de São Paulo em
31-10-01. O artigo extrai
informações de A Fortunate Son: George Bush and the Making of an American
President, de Steve Hatfield.)
25.
Para se ter uma idéia, foram torrados 20 bilhões de dólares com seguros
patrimoniais e humanos. Além disso, os prejuízos em empresas de aviação
atingem a marca dos 10 bilhões, e 40 outros foram liberados pelo congresso
norte-americano para retaliação.
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