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Sartre
o filósofo do nada
“Ó vós que perdestes toda a esperança! Entrai!”
(À porta do Inferno de A Divina Comédia
Dante, Canto III, 3.3)
Todas as épocas tiveram seus filósofos representativos, que se encarregaram de
abrir novos horizontes ao pensamento humano: a Antigüidade teve Sócrates e
Platão; a Idade Média, os escolásticos; a era moderna, Schopenhaüer e
Nietzsche, precedidos de Descartes e inúmeros outros. Cada um deles, em sua época
e a seu modo, contribuiu para que os homens voltassem sua atenção ao que
existe de essencial, perene e grandioso na criatura humana.
Mas no século XX, no momento mais crucial
da história do pensamento, quando o materialismo filosófico tentava, de todas
as formas, fazer capitular os valores espirituais do homem, e quando mais se
fazia necessário o surgimento de um pensador brilhante e inovador capaz de
reverter esse triste quadro, eis que, ao invés disso, surge, no cenário
internacional, o incongruente e desconjuntado Jean-Paul Sartre, artífice mercenário
de palavras e idéias, elucubrador e estimulador de vilezas humanas, ou ainda,
como bem o definiu o crítico espanhol Joaquín Bochaca, o incomparável filósofo
do nada.
Semblante sério, olhar compenetrado por
detrás de grossas lentes e um enorme cachimbo na boca ostensivamente contorcida
para o lado: eis como ele, o filósofo do nada, se apresentou, desde sempre, ao
público em geral. Mas essa espécie de protótipo caricaturesco do homem
pensador só impressiona mesmo os mais desprevenidos e mal informados, pois não
passa de uma imagem forjada exclusivamente no intuito de tapar uma lacuna
essencial na obra do escritor: o nada-ter-de-importante-a-dizer.
A mídia do sistema, empenhada em fazer
apologias ao que há de pior na cultura do mundo inteiro, está sempre a
lisonjear Sartre. Seguindo essa linha, o jornal O Estado de São Paulo costuma
homenageá-lo de três em três meses.1 Em fevereiro de 2000, por exemplo,
dedicou-lhe nada menos do que cinco páginas das quatorze que, em seu caderno
Cultura, são destinadas a apresentar aqueles que são por eles considerados os
maiores escritores e pensadores da História. Portanto, mais de um terço do
caderno foi usado para enaltecer o trabalho de Sartre, tendo-se tentado, das
mais variadas maneiras, compor a seu respeito uma imagem que em nada condiz com
a realidade. Não há no texto nenhuma ilustração capaz de sustentar a tão
recorrente opinião de que seu pensamento é “simplesmente brilhante”, mas
constam no mesmo, em contrapartida, várias alusões à quantidade de suas produções,
não se deixando de frisar que ele foi romancista, ensaísta, jornalista, etc,
como se a diversidade literária pudesse garantir-lhe o talento e como se a
tolice, por ser extensa, pudesse deixar de ser tolice...
A certa altura lê-se, nessa reportagem, a
seguinte declaração de Merleau-Ponty: “Sartre era uma verdadeira máquina de
produzir idéias, produzia idéias como uma locomotiva produz fumaça!”. Admirável
definição! Com ela, certamente, alcançamos a justa e correta conceituação
das idéias de Sartre. Sim, suas idéias assemelham-se em tudo a fumaça de
locomotiva, disso não há sombra de dúvida. Os eflúvios que emanam de sua
mente, assim como a fumaça mais obscura, fétida e poluidora que já possa ter
pairado sobre a face da Terra, sufocam as pessoas assim que as atingem, embaçando-lhes
a visão, impedindo-as de refletir e entender o que se passa à sua volta. E,
quando elas começam a suspeitar que estão sendo envenenadas, a mídia,
empenhada sempre em confundir, entra em ação, encarregando-se de exaltar a
malcheirosa fumaça, sugerindo tratar-se de algo raro e precioso e fazendo-a
alvo dos mais descabidos louvores.
Porém, apesar das tristes seqüelas de
entorpecimento mental deixadas por esse intelectual de axilas, suas poluidoras
irradiações um dia passarão. Passarão como tudo o que é efêmero e sem
valor, porque, na verdade, não são senão fumaça, e porque tudo o que é ilusório
e desprovido de valor está mesmo destinado a passar um dia. E uma vez
dissolvida a espessa cortina de suas emanações, os que a haviam inalado
experimentam então um grande alívio: voltam, enfim, a respirar livremente!
Então, assim como tudo o que não possui
consistência ou valor real, a obra de Sartre passará. Mas, enquanto não
passa, roguemos aos céus por paciência, porque, decorridos já mais de cinqüenta
anos desde as suas primeiras publicações, elas ainda cheiram mal e sufocam. Só
mesmo a imprensa do sistema, que tem motivos de sobra para desejar manter falsos
ídolos, é que se sente à vontade com tamanha pestilência. A cada semana,
algum jornal do mundo incumbe-se de expor (ou melhor, de impor), de maneira
destacada, alguma matéria sobre esse que é, sem dúvida, um dos maiores
expoentes da pornografia intelectual de todos os tempos, não deixando de ilustrá-la
com sua caricaturesca imagem e de recheá-la com os tão imerecidos louvores à
sua obra.
Indecência intelectual
De uma obra de má qualidade espera-se, ao
menos, que constitua o fruto, por pior que seja, de uma arrojada iniciativa por
parte de seu autor no sentido de expor ao mundo aquilo que ele teve a audácia
de produzir. Não é, porém, o caso dos escritos de Sartre. O fato é
escassamente divulgado, mas, além de haver sido ele um inveterado imitador de
estilos, há fortes indícios de que muito do que lhe é atribuído sequer seja
de sua autoria. Há quem defenda, por exemplo, que O Ser e o Nada, sua obra mais
conhecida, tenha sido composta com base nos manuscritos de Simone de Beauvoir
que viriam a ser publicados mais tarde sob o título A Convidada, e que ele
teria copiado várias idéias dela, ao invés do contrário, como
tradicionalmente se afirma.2
“A realidade é”, esclarece Bochaca, crítico
de Sartre, “que, assim como em suas opções políticas ele não passou de um
oportunista que, sempre que lhe pareceu conveniente, fez abstração total de
toda espécie de princípios éticos, em sua obra filosófica sua falta de decência
intelectual atingiu uma dimensão tal que, para chegar a ela, terão sido necessários
uns ímpetos de audácia merecedores de uma certa admiração. Com efeito,
Sartre é, conceitualmente falando, um plagiário. Mais precisamente, é um
plagiário na íntegra. Seu nome tem sido associado ao do Existencialismo como
se este fosse uma genial descoberta sua. Mas a verdade é que o Existencialismo
nada deve a Sartre, a não ser, quiçá, o seu descrédito.”
3
Além de plagiário, Sartre foi também
mercenário, pois usou seus textos para comerciar com o que há de pior no ser
humano. Dessa forma, além de sustento e fama, conseguiu ainda chamar a atenção
dos esbirros da intelectualidade nanica, a qual proliferou notavelmente no final
do século passado. E se os naturalistas franceses, precursores seus, chocaram a
sociedade de sua época fazendo das misérias humanas o tema principal de suas
obras, é preciso reconhecer que eles ao menos tinham em vista o objetivo de
substituir a postura light do Romantismo literário (que insistia em assuntos
amenos e frívolos e se omitia em tratar de problemas sociais) por uma linha
mais voltada para o lado rude da vida. Em mãos de Sartre, entretanto, os mesmos
ingredientes, por si só já tão repulsivos, adquirem contornos ainda mais
degradantes, pois se prestam meramente ao propósito do lucro. E o pior é que
ele realmente conseguiu enriquecer assim.
Não seria de estranhar então que uma
dessas redes de televisão cuja programação reconhecidamente tem como base
essa mesma ideologia da exploração comercial das misérias humanas (e, na
verdade, nenhuma delas se salva) decidisse qualquer dia condecorá- lo com o título
de grande patrono da empresa.
O Inexistencialismo de Sartre
Embora tenha assumido ares de pai do
Existencialismo e passado décadas alardeando e propagandeando uma corrente
filosófica com esse nome que lhe abriu as portas do universo acadêmico e
intelectual, Sartre é, na verdade, o inventor do Inexistencialismo, corrente
que nega a legitimidade do direito de viver à altura da condição humana. Todo
aquele que se dispuser a contemplar a vida sob o prisma inexistencial de Sartre
terá que decair a ponto de rejeitar, de forma absoluta, os valores essenciais
da existência. À semelhança de Freud, ele vê o homem como um ser sórdido e
vil, promíscuo por natureza e sem qualquer perspectiva de reabilitação.
Provavelmente tanto um como o outro tomou a si mesmo como referência...
Assim, por detrás de um belo nome, capaz
de atrair o interesse dos mais sensíveis, escondeu-se uma corrente de
pensamento obscura, contrária ao bem. Maquiada com o verniz da erudição, ela
levou muita gente desprevenida a cair em suas teias. A repercussão das obras de
Sartre é uma prova disto. A obra A Náusea, segundo seu autor, tem por objetivo
“ridicularizar o conceito de Humanismo”, e era justamente o trabalho que ele
prezava mais. A seu respeito declarou: “Considero que, do ponto de vista
propriamente literário, é o que fiz de melhor” 4. Seu personagem principal, Roquentin, sente-se
permanentemente nauseado pelos homens e pelo mundo, motivo pelo qual opta por
viver segregado de tudo. O clima da obra é tão pesado, pernicioso e deprimente
que acaba provocando um asco atroz no leitor mais exigente e avisado.
O ápice da perversão e da aberração foi
atingido por Sartre com a peça teatral Huis Clos (Entre quatro paredes).
Enaltecendo o rechaço do reconhecimento dos próprios erros, essa obra postula
a idéia de que todas as dificuldades que um homem enfrenta resultam não de
suas falhas, mas das alheias. Dificilmente se terá produzido no mundo texto
menos ético que esse. No momento mais tenso da peça, um dos personagens,
emocionado, proclama em alta voz aquilo que, supõe-se, seria uma grande revelação:
O inferno são os outros! Com esse disparate, o pai do Inexistencialismo busca
deitar por terra o princípio moral da responsabilidade sobre os próprios atos,
e desconsidera ainda a lei de causa e efeito que governa o rumo de todos os
acontecimentos.
Se, tal como sugere Sartre, o mal sempre
estivesse “nos outros”, por que então uma pessoa deveria esforçar-se para
corrigir-se e melhorar? Além disso, se todas as dificuldades enfrentadas por um
homem resultassem apenas de erros alheios, não tenderia ele a desprezar seu
semelhante? Onde ficarão, no
contexto de tais implícitos, as noções de amor e respeito? Pois os conflitos
humanos, as atitudes de desamor e desrespeito derivam, justamente, da
incapacidade que a maioria das pessoas têm para reconhecer que a origem de seus
problemas reside nelas mesmas.
Então, não é difícil perceber a
periculosidade das idéias do famoso inexistencialista. Através delas,
sorrateiramente, ele defende a perpetuação daquilo que no ser humano mais
deveria ser combatido. E, sendo assim, não há exagero em dizer que todo aquele
que nelas embarca sem examiná-las é um criminoso em potencial. Não é por
acaso que os heróis de Huis Clos estão todos no inferno e se recusam
terminantemente a reconhecer seus erros.
Recorrendo nessa peça à aludida frase de
efeito – que é na verdade um axioma – Sartre lançou ao ar uma espécie de
feitiço verbal que lhe valeu a adesão de muitos. Afinal, quem é que não tem
de quem se queixar? Não fosse por essa estratégia, é improvável que ele
tivesse sido tão solicitado como conferencista no mundo todo.
De certa forma, Huis Clos é uma obra
autobiográfica, pois é possível estabelecer alguns pontos de comparação
entre a trajetória de Garcin, um dos três personagens principais da peça, e a
do próprio Sartre. Ambos estiveram na guerra e foram prisioneiros do exército
inimigo. E ambos ansiaram encontrar, a qualquer preço, um meio de alcançar a
liberdade. Com esse objetivo, Garcin submete-se aos desejos dos inimigos e trai
seus companheiros; e Sartre prostitui-se para agradar um oficial alemão que nos
tempos da guerra acaba livrando-o da prisão, sem maiores explicações,
conforme relatado a seguir. A partir de então, o lambe-botas, marcado por esse
indelével acontecimento que lhe terá custado o pouco que ainda pudesse ter de
auto-estima, parece ter pretendido desforrar-se de sua auto-insatisfação lançando-se
inexoravelmente a oferecer ao mundo obras de cunho desagregador.
Huis Clos
não é a única obra autobiográfica de Sartre: também Les Mouches (As
Moscas) pode ser incluída nessa categoria. Ao retomar na peça o tema da tragédia
grega Electra, o escritor interrompe cada momento de lucidez e arrependimento de
Orestes, que é duplamente homicida5, com uma invasão de moscas repugnantes,
das quais o personagem tenta livrar-se. Da mesma forma, os raros flashes de
lucidez que no início da carreira Sartre possa ter tido sobre os crimes que já
então perpetrava contra o discernimento humano devem ter sido “enxotados”
por ele como moscas sujas até desaparecerem por completo. E a prova inequívoca
de que ele efetivamente conseguiu aniquilar seus escrúpulos é que tenha
chegado ao ponto de escrever, com ânsia esbaforida, de trinta a quarenta páginas
por dia de material literário da pior espécie.
Ao longo de sua carreira, Sartre granjeou
inúmeras inimizades. Quase todos os que, em algum momento, o defenderam e o
acompanharam em sua trajetória acabaram por afastar-se dele ao se darem conta
de suas incongruências e da assombrosa falta de ética que ele por vezes
demonstrava. Este foi, por exemplo, o caso de Jean Cau, que havia sido seu
aluno, secretário e admirador.
Há quem se apóie na famosa renúncia do
escritor ao prêmio Nobel de literatura (ocorrida em 1964) a fim de defendê-lo
de qualquer afirmação que ponha em dúvida a integridade de seu caráter. Mas
nem aqui é possível redimi-lo, porque, embora bem poucos o saibam, ele não se
fez de rogado no momento de aceitar o total em dinheiro que acompanhava o prêmio...6
Enigma
Foram muitas as farsas filosóficas e ideológicas
de Sartre e Simone, mas a maior delas, certamente, teve como cenário os cinqüenta
anos de convivência do casal (se é que se pode considerá-los um casal), pois
até hoje não ficou claro se Sartre é Simone ou se Simone é Sartre...
Um primor de ambigüidade
“A grande sorte de Sartre foi a
guerra”, escreve Paul Johnson, outro crítico do escritor. “Ele foi
destacado para o serviço meteorológico, bem longe do front. Feito prisioneiro,
os alemães o desprezavam e agrediam por sua notória falta de higiene. Ele
passava grande parte do tempo escrevendo o que viria a ser O Ser e o Nada”.
Tendo conquistado (não se sabe como) a simpatia de alguns oficiais, conta
Johnson que, em março de 1941, o escritor foi libertado, classificado como
parcialmente cego. “De volta a Paris, conseguiu uma vaga de professor no
famoso Lycée Condorcet. A maioria dos professores estava exilada, presa ou na
resistência. (...) No final da guerra, Sartre estava famoso e o Existencialismo
era a filosofia da moda.” 7
De fato, não fosse pela guerra, o mais
provável é que Sartre jamais houvesse saído do anonimato. Antes da invasão,
ele não passava de um professor a mais dentre tantos outros que nos colégios
de Paris lecionavam, e a escassa repercussão que suas obras haviam tido até
então estava longe de constituir indício de um futuro mais promissor.
Mas nem mesmo se pode dizer que Sartre
tenha abraçado a causa dos invasores. Na verdade, seu posicionamento frente à
ocupação foi um primor de ambigüidade. A esse respeito, vale a pena, uma vez
mais, dar a palavra a Bochaca:
“Tolerado a princípio e a seguir
admirado pela censura militar alemã, Sartre pavoneia-se pela ocupada Paris em
companhia de oficiais da Propaganda Staffel. Comenta-se que o onipotente Tenente
Coronel Heller, o dirigente máximo desse organismo, é um cordial amigo seu. Ao
chegar a Libération, Sartre o negará veementemente, mas o documentadíssimo
pesquisador Henry Coston revelará (...) que o drama sartriano As Moscas foi
dedicado, muito carinhosamente, a Herr Heller. (...) Sartre participava da redação
de panfletos clandestinos para a Resistência. Isto tem sido divulgado ad
nauseam, enquanto que aquilo foi silenciado com zelosa discrição. E não
parece juízo temerário supor que se a sorte das armas houvesse sido diferente,
hoje em dia recordar-se-ia a amizade com Heller e silenciar-se-ia a redação
dos panfletos resistencialistas.” 8
A carinhosa dedicatória a Hans Heller
evidencia a total falta de escrúpulos de Sartre, que, durante toda a vida,
notabilizou-se por “jogar dos dois lados”. Tanto moral como politicamente,
ele foi mesmo uma verdadeira “gilete”. E o fato de ter sido lacaio de um
oficial da SS nos tempos da Segunda Guerra não o impediu de apresentar-se como
arauto do Comunismo internacional na década de 30, fomentando idéias que
incitavam à revolta, à inveja e ao ódio, e deixando-se fotografar, com Simone
de Beauvoir, ao lado de Fidel Castro, Tito, Masser e Mao, entre outros. Foi
ainda solidário a grupos fundamentalistas de esquerda, como o Exército
Vermelho, e não se vexou em fazer o papel de uma Madre Teresa visitando
terroristas em penitenciárias 9.
Os mais ingênuos, vendo-o posar de
comunista ao lado de tais celebridades, poderiam pensar tratar-se de alguém
sensível, idealista e preocupado com os oprimidos. Mas a verdade é que ele simplesmente se aproveitou do despotismo dos ditadores
empossados pela CIA em alguns dos chamados países de terceiro mundo para alcançar
notoriedade, fazendo-se passar por salvador da pátria e herói comunista.
É de se supor que a notável estreiteza de
espírito de Sartre não pudesse deixar de transparecer em sua obra. Bochaca o
confirma: “É impossível ler Sartre sem experimentar um desassossego, um
mal-estar e um certo enfado. Não se trata, porém, do desassossego ou do
mal-estar gerados pela confissão de alguns desvios diante de uma consciência
culpada, mas sim pelo desavergonhado exibicionismo de um espírito tortuoso e de
um cinismo sem par. Sartre degrada, denigre e suja tudo o que durante cinqüenta
séculos foi considerado nobre e elevado e celebra tudo o que tem sido
desprezado como vil, ruim e doentio. Numa época sã, na qual não prevalecesse
a transmutação de todos os valores morais tal como na atual se dá, Sartre não
seria visto como um filósofo, senão, no melhor dos casos, como um insano.”
10
A crítica é contundente, mas Bochaca
ainda tem munição. “O pseudo-Papa do Existencialismo, contudo, merece ser
conhecido”, avança o crítico, “não pela agudeza de suas idéias ou pela
clareza de suas exposições, e menos ainda pela nobreza de metas ou pelo
senhorio de sua atuação pública, mas por constituir o mais claro exemplo de
perversão intelectual de nossos tempos.” 11
Jean-Paul Sartre
por Giovanni Papini 12
Jean-Paul Sartre é o responsável e o
beneficiário da mais sinistra impostura literária deste pós-guerra de sapos
histéricos. Uma vez esgotada a fonte do sangue, abriu-se a refinaria das fezes.
Sartre é um dos zeladores da latrina pública da república literária. Um dos
mais afortunados. O que recebe mais propinas dos coprófagos dilettanti 13 de
seu país e de outros países. Entre esses países não podia faltar a Itália.
Os italianos, desde o século XVIII, têm se convertido (competindo nisto com os
bósnios) nos provincianos da Europa, que ingerem qualquer mistura sempre que
provenha daquela que os romanos chamaram justamente de Lutécia 14, cidade da
lama. Alguém os rebatizou “boquiabertas”, e suas bocas, certamente, estão
sempre abertas, seja para receber os eflúvios e os alimentos putrefatos que vêm
da França, seja para arrotar as fétidas emanações de seu servil entusiasmo.
O autor de La Putain Respectueuse 15 escreveu sem querer, neste título, a
definição mais indulgente da Itália literária.
Sartre era, antes da guerra, um obscuro
professor de filosofia, travaillé 16, como dizem na sua língua, pela ambição
e pela libido. É fácil encontrar, na França, exemplares de uma espécie de
homens que são ao mesmo tempo completamente cerebrais e completamente carnais.
Basta recordar o velho Diderot, que se afundava com igual paixão na vagina e na
razão. Seres que o desenho de um Rops ou um Odilon Redon poderia simbolizar
mediante um cérebro flanqueado por dois testículos, a modo de asas. Seres que
descansam dos coucheages 17 com a orgia dos conceitos abstratos, que estão
sempre à caça de perversões sexuais e de perversões intelectuais, e que
alternam o culto de Descartes com o do Marquês de Sade.
O professor Sartre, que ensinava filosofia
num colégio de Paris, pertencia também a essa tão conhecida raça. Antes da
invasão alemã ele ruminava sua vida medíocre dando lições sobre Kant e
envolvendo-se em amoricos clandestinos. A literatura da Resistência lançou
Sartre sobre a crista espumosa da contramaré.
Havia publicado já uma coleção de
contos, Le Mur, que não teve então grande repercussão. Mas ele, iluminado
pela auréola de um imaginário heroísmo, lançou-se à conquista dos gêneros
literários mais produtivos: a novela e o teatro. E surgiram assim L'Age de la
Raison 18 e Le Sursis 19, após ele
já haver escrito e encenado Les Mouches e Huis Clos.
Mas Sartre compreendeu a tempo que para
subir ao topo não bastava a literatura, ainda que estivesse adornada de
perversas obscenidades: era necessário um pensamento e um partido. Um
pensamento para atrair os snobs, e um partido para agradar as multidões. E
rapidamente atou à sua cintura, a modo de salva-vidas, o Existencialismo e o
Comunismo, os mitos da moda para uso de povos vencidos.
Muitos ignorantes, na França e fora dela,
vêem em Sartre o chefe, se não já o fundador do Existencialismo. Na
realidade, o Existencialismo tem sua origem no pensamento de dois homens
profundamente enamorados de Cristo, embora com trêmula inquietação:
Kierkegaard e Dostoievsky. E na própria França, muito antes da guerra,
havia-se afiançado por obra de Gabriel Marcel um existencialismo cristão. Mas
Sartre, desejoso de apostar também na carta comunista, propôs-se a separar,
com a ajuda dos existencialistas alemães, o Existencialismo da fé, e quis
demonstrar que aquele era, em sua essência, puro e cru ateísmo; esse é o
extrato de sua famosa palestra L'Existencialisme est un Humanisme. Porém, não
advertia o professor acrobata que, subtraindo ao Existencialismo sua premissa
religiosa, corria-se o risco de esvaziar de todo sentido possível os seus princípios
fundamentais. A angústia nasce da idéia de pecado, e a idéia de
responsabilidade da idéia de uma lei e de uma finalidade, e não se pode viver
tais conceitos sem a confiança em Deus. Não se pode lançar a âncora quando
os cabos, cortados, bamboleiam-se fora da nave.
Semelhante descoberta, que não era sua,
permitia a Sartre aderir ao Comunismo. Tal adesão, mais ou menos sincera, não
era realmente uma novidade na moderna literatura francesa. Os mais conhecidos
escritores dos nossos tempos – Anatole France, André Gide, André Malraux –
já haviam sido atraídos, por amor ao contraste ou por instinto destrutivo,
pela ideologia comunista. Mesmo neste ponto, Sartre não é mais que um tardio
epígono.
Mas era bem difícil para esses sensualíssimos
dilettanti aceitar o duro e linear dogma do materialismo histórico e do
materialismo dialético. Gide e Malraux saíram do Comunismo; Jean-Paul Sartre
é suspeito aos comunistas franceses que vêem nele um saltimbanco filosofista e
pruriginoso para uso de burgueses masoquistas.
Todo o esterco de que Sartre se serve para
suas manipulações filosóficas e literárias é, por outro lado, de procedência
estrangeira e sobretudo alemã. Existem nele ressaibos de Kant, plágios de
Heidegger, reflexos de Stirner e de Marx, influências de Kraft-Ebing e de
Freud. O pretenso profeta francês, que deve sua vitória à derrota de sua pátria,
é, ainda, súcubo do pensamento dos invasores. Os que foram amos de seu país são
agora amos de seu espírito, se é que se pode falar em espírito a propósito
deste animal escrevente e vociferante.
Mas um pensador espúrio e escravo pode
salvar-se por meio da arte. Nem mesmo a esta salvação tem direito o professor
Jean-Paul Sartre. Suas novelas não são senão um retorno à mais baixa tradição
do Naturalismo francês de 1890: certos escritores das Noites de Médan, discípulos
de Zola, precederam-no na fabricação de novelas realistas copiosamente
apimentadas de cochonneries 20. As novelas pornográficas, na França, são um
ressaibo de tempos muito longínquos: baste recordar Les Bijoux Indiscrets 21,
de Diderot, Justine, do Marquês de Sade e Le Paysan Perverti 22, de Rétif de
la Bretonne. O sensualismo anglo-saxão de um Joyce ou de um Lawrence é, em
comparação, indizivelmente mais sadio. Sartre, no entanto, retomou preguiçosamente
o estilo e o tema dos porcos naturalistas das últimas décadas do século XIX
francês, adicionando-lhes algum elemento que tomou emprestado do sodomítico
Proust, mais alguma coisa do argot 23 parisiense e algum truque técnico roubado
aos novelistas norte-americanos de sua época. Seu livro A Idade da Razão, por
exemplo, não é senão a história de um professor em busca de dinheiro para
pagar o aborto voluntário de sua amante grávida, entremeada com as aventuras
de um amigo pederasta (que acaba por desposar a amante grávida do professor) e
com as façanhas de um jovem gigolô russo que vive às custas de uma cantora de
café concerto, muito madura e muito ciumenta. Observem, aqueles que apreciarem
as bufonarias das antíteses, que A Idade da Razão é a primeira parte de uma
trilogia que se intitula Os Caminhos da Liberdade. Tais caminhos, ao que parece,
são o infanticídio, o furto, o rufianismo e a sodomia, com alguma veleidade
falida de vanguardismo verbal. E se, ao menos, houvesse nestas sujas novelas, em
que todos os personagens são velhacos flácidos e abúlicos, algum resplendor
de beleza e profundidade...24 Mas não, o estilo se assemelha terrivelmente ao
de um Céard ou Bonnetain 25, discípulos de Zola, com algumas gotas de Huysmans
e algumas cabriolas ao modo ianque. A análise dos protagonistas é prolixa e ao
mesmo tempo superficial e sumária. Os ambientes são descritos como os
descreveria um repórter corrompido por ambições literárias.
Restam apenas as peças de teatro, e nem
mesmo aqui podemos encontrar nada fora do comum, nada capaz de justificar a
aceitação do professor Sartre. Em As Moscas ele retomou um dos temas mais
famosos da tragédia antiga: a vingança de Orestes e de Electra contra os
assassinos do pai. Gide, em Édipo, e Giraudoux, em Electra, haviam feito o
mesmo, mas com maior fineza e mais sábia originalidade. Sartre tentou renovar o
tema fazendo surgir em cena um Júpiter filósofo, cético e sádico, e
confiando às moscas o ofício de Erínias. Mas o nó da tragédia dos Atridas
continua sendo o mesmo: Orestes quer matar e mata sua mãe e o amante homicida e
usurpador, e por tomar tal vingança é perseguido pelas Fúrias. Os paradoxos
burlões e os aforismos despreocupados de algumas personagens não bastam para
dar um novo e mais profundo significado ao antigo episódio sanguinário de
Argos. Júpiter é uma caricatura do Deus cristão, mas a tragédia de Sartre não
passa nunca de uma restauração satírica, e desce às vezes ao nível de uma
farsa com pretensões filosóficas. Bastante superior se mostra, por sua altura
e dignidade de concepção, outra restauração francesa de tragédias gregas: a
Antígona de Anouilh.
A obra-prima teatral de Sartre é, segundo
seus mais perigosos amigos, Huis Clos. Um escritor italiano que traduziu esse
processo verbal de desabafos diabólicos ousou mencionar Dante e A Divina Comédia.
Também Sartre, com efeito, tratou do problema da vida dos mortos no inferno.
Seu inferno é um quarto de pousada, fechado, mobiliado no odioso estilo Segundo
Império, e contém somente três personagens: um traidor velhaco, uma
infanticida e uma lésbica.
Este inferno sujamente medíocre não tem
senão uma tortura: as almas dos mortos não mudam, eles são condenados a
permanecer como foram, a examinar e remastigar eternamente suas vergonhas e
culpas. A idéia não era totalmente idiota, mas Sartre, que apesar de seu
Existencialismo possui uma alma pequena e conhece muito de longe os abismos da
vida, conseguiu deitá-la a perder. O breve drama é um jogo esquemático e neurótico
de confissões reticentes, de agressões convulsas, de ejaculações verbais e
verbosas. Os três heróis desta contenda mais conceitual que emotiva não têm
em comum senão infâmia e ódio. Mais que verdadeiros condenados, são
marionetes pensantes e vociferantes. Sartre, que já havia envilecido os vivos,
quis envilecer também os mortos. Havia tido uma idéia não desprovida de
grandeza: a condenação dos mortos consiste na impossibilidade de morrer; os
mortos são castigados pela continuação de uma vida que não pode ser
esquecida nem redimida. Mas a arte de Sartre revelou-se muito inferior à tarefa
que ele se propôs. Da leitura de Huis Clos sai-se antes enfastiado que
iluminado.
Não é mister gastar palavras com a última
ricotta teatral de Sartre, La Putain Respectueuse, uma agridoce comedieta de
propaganda antiburguesa destinada a comentar a astuta e cruel hipocrisia dos
ricos luxuriosos disfarçados de puritanos patrióticos.
Tais são, até hoje, a figura e a obra de
Sartre, o rouco intérprete da dupla loucura que borbota nas meninges de nosso
tempo. Eis aqui esse Sartre que os badauds 26 de nossa literatura têm acolhido
como um profeta do novo pensamento e da nova arte deste pós-guerra de negros
tornados brancos pelo terror. Esse Sartre que alguns ousam comparar com
Baudelaire e com Flaubert, que certos zeladores dos hipogeus herméticos esforçam-se
por colocar em suas fúnebres vitrines críticas. Merecemos realmente, embora
vencidos e pisoteados 27, tomar o exemplo e lição deste intoxicado bastardo de
uma derrota?
Um exegeta francês de Sartre, o senhor
Pierre Boutang, depois de ter negado a opinião de muitos de que “Jean-Paul
Sartre est le diable en personne” 28, sustenta que há, no entanto, uma relação
entre o Demônio e Sartre, uma relação de possessão: “Jean-Paul Sartre est
un possedé!” 29
Não acompanharemos o senhor Boutang em
seus laboriosos desvarios, mas podemos tranqüilizá-lo. Sartre não é um possuído,
e muito menos um possuído do demônio. Satanás é infinitamente mais
inteligente que seus historiadores, que dele conhecem, no máximo, aquilo que se
abre e fede debaixo de seu rabo. Ele nunca sonhou servir-se desse professorzinho
que recolheu pedaços de esterco seco em todos os muladares da cultura européia,
preparou pílulas com eles e as empurra incansavelmente, como um besouro
estercorário da literatura, para oferecê-las de alimento às larvas nativas e
forasteiras. Sartre não é um espírito satânico (por horrível que ele seja,
falta-lhe todo resplendor de grandeza), senão apenas o medíocre antologista
dos subprodutos da putrefação européia do século passado 30. Não é sequer
um comparsa da noite de Walpurgis, senão simplesmente um grande inseto sujo saído
dos velhos divãs daquele café da rive gauche 31 chamado, profeticamente, de
Les Deux Magots. 32
Domingo de sol em
Araraquara 33
Na cidade paulista de Araraquara, há pouco
mais de quarenta anos, assistiu-se a uma cena ao mesmo tempo insólita e hilária
como poucas: ao retornar às ruas após proferir sua histórica palestra num
campus universitário local, Jean-Paul Sartre deparou-se com grande multidão
que, em altos brados, agitava bandeiras a título de aclamação. Ao declarar-se
o filósofo impressionado com tão calorosa acolhida, foi preciso retificar-lhe
a fala: as causas do tumulto não residiam, propriamente, em terreno
existencialista...
Uma das mais pitorescas viagens de Sartre e
Simone de Beauvoir ao exterior e, com certeza, a mais surreal de todas, foi
aquela que teve como destino a cidade de Araraquara. Naquele domingo ensolarado,
4 de setembro de 1960, essa cidade do interior paulista acordou em festa para
receber duas grandes atrações: o escritor Jean-Paul Sartre, que falaria aos
estudantes pela manhã, e Pelé, presente na disputa do clássico Santos versus
Ferroviária, a ocorrer durante a tarde.
Muita gente deslocou-se de São Paulo e
cidades vizinhas a Araraquara para prestigiar os dois acontecimentos. Com o
calor aumentando e o tempo suando os relógios, muitos chegaram a duvidar da
presença de Sartre na cidade. Notícias desencontradas afirmavam que ele havia
cancelado a viagem e outras sugeriam apenas um atraso, motivado por sua obsessão
em consultar alguns livros para responder adequadamente à questão formulada
pelo professor Fausto Castilho: “como conciliar filosofia e ideologia,
Existencialismo e Marxismo”.
Passava do meio-dia e nada acontecia, a não
ser a ansiedade crescente. Pouco depois do almoço tudo esclareceu-se. O filósofo
chegaria às 15 horas e falaria às duas platéias: estudantes e camponeses.
Vestindo um terno de risca-de-giz e acendendo continuadamente sua cigarrilha
cubana, Sartre desceu de uma Kombi, esbaforido, acompanhado pelo cicerone Jorge
Amado e por Simone de Beauvoir, que trajava blusa branca, saia barrada de listas
e seu indefectível turbante na cabeça.
Poucos minutos depois das 15 horas Sartre
adentrou o Teatro Municipal e iniciaram-se as apresentações. Uma jovem, em
esforçado francês, incumbiu-se da saudação dos estudantes, solicitando ao
escritor que falasse de problemas concretos. Ele não se fez esperar: deitou
falação sobre Cuba, onde estivera antes de chegar ao Brasil, falou dos
problemas do colonialismo e da situação da Guerra da Argélia e depois
interrogou o auditório sobre a condição dos camponeses. Um grupo de líderes
rurais de Santa Fé do Sul apresentou suas reivindicações e as discussões
sobre reforma agrária foram esquentando no auditório.
No Estádio Municipal, próximo dali, rojões
anunciavam a progressão da partida futebolística: 1 a 1. Os ânimos
exaltavam-se. Um estudante sugeriu que os camponeses seguissem o exemplo das
Ligas Camponesas do Nordeste e pediu um voto de protesto contra o governo do
Estado. Sartre retrucou que não poderia fazê-lo, porque não conhecia o
governo do Estado.
O bate-boca continuou e o assunto
desviou-se para a situação dos estudantes e a conjuntura política francesa.
Mais falação, quando alguém interroga Simone sobre o ser mulher. Ela não se
fez de rogada: respondeu. Novos rojões anunciam o fim do primeiro tempo e o
preocupante escore de 2 a 1. A reunião encerrou-se e Sartre continuava a
perguntar: quem era o governo do Estado?
Nos salões da Faculdade de Filosofia a
platéia exibia algumas personalidades de destaque: Antônio Cândido, Fernando
Henrique Cardoso, José Celso Martinez Corrêa, Fausto Castilho, Ruth Cardoso,
entre outros. A conferência girou basicamente sobre dois temas: Filosofia e
ideologia, onde Sartre abordou as relações entre Marx e o racionalismo
cartesiano e seu desdobramento kantiano, apontando para a superação filosófica
antevista no futuro; e os fundamentos de uma antropologia estrutural e histórica,
a partir dos fundamentos da dialética social. No auditório, a
pseudo-intelectualidade tupiniquim bebia deslumbrada e embevecida as tonterías
proferidas pelo sapo francês. Neste momento, o Ferroviária fez mais um gol.
Muitos comentavam que a conferência de
Araraquara expunha um Sartre muito mais político do que aquele visto em São
Paulo, onde falou sobre estética e problemas existenciais. Ao ser indagado
sobre Nietzsche, Sartre respondeu: é muito mais um poeta do que um filósofo.
Terminada a palestra, ele saiu às ruas e
ficou encantado com a multidão espalhada nas praças, que fazia saudações com
bandeiras, rojões e muita cerveja. Chegou até a comentar que não suspeitava
ser o interior do Estado de São Paulo tão sensível à Filosofia,
especialmente em tardes de intenso calor. Foi então que alguém, não sem
constrangimento, reuniu coragem para informá-lo de que o Ferroviária havia
vencido o Santos por 4 a 2, razão pela qual Pelé estava amargando uma profunda
angústia existencial.
Notas
1. Quiçá essa insistência do jornal O
Estado de São Paulo em homenagear Sartre possa ser atribuída ao fato de que,
por ocasião de sua folclórica viagem ao interior paulista, ele tenha se hospedado
numa fazenda dos Mesquita,
proprietários do referido veículo de
comunicação. E não deixa de causar
estranheza o fato de que estes, tendo por hábito
difundir a imagem de que são bons tradicionalistas, amigos da moral e etc,
tenham aceitado hospedar em sua casa alguém com tão extenso e notável currículo
na área da pornografia.
2.
Johnson, Paul. Intellectuals. New York, Harperperennial, 1988.
Tradução
nossa.
3. Bochaca, Joaquín. El filósofo de la nada, em: El martillo, n.°5. Barcelona, Thor, 1977,
p.23. Tradução nossa. De fato, embora seja comum observar alguma
confusão a este respeito, essa corrente de
pensamento não é um invento
sartriano, mas encontra em Kierkegaard
(1813-1855) e Heidegger (1889-1976) seus principais fundadores.
Ou ainda,
segundo Giovanni Papini,
em Dostoievsky, conforme consta em texto de sua autoria
reproduzido neste artigo. Originalmente, o Existencialismo era cristão.
A “contribuição” de Sartre consistiu numa tentativa de desvinculá-lo da fé
(ele alegava que, em sua essência, essa doutrina era ateísta).
4. In: A Náusea, obra traduzida do francês
ao português por Beatriz N. S. Uranga e Marilda Barroca. Rio de Janeiro, Nova
Fronteira, 2.000. A primeira afirmação consta na orelha frontal da capa do
livro, e a segunda, na contracapa.
5. Na tragédia grega Electra, Orestes mata
a mãe e seu amante para vingar a morte de seu pai, que havia sido por eles
assassinado.
6.
Bochaca, Joaquín. Op. cit., p.25.
Tradução nossa.
7. Johnson, Paul. Op. cit. Tradução nossa.
8. Bochaca, Joaquín, Op. cit., p.23. Tradução
nossa.
9. Afirma Olivier Roy em sua obra Fracasso
do Islã Político que extremistas terroristas europeus das extintas Facção
do Exército Vermelho (alemã), Ação Direta (francesa) e Brigadas Vermelhas
(italianas) colaboraram com movimentos extremistas do Oriente Médio na década
de 70, e que tais movimentos teriam sido inspirados nas ideologias de Sartre e
Marx. Roy relata que Sartre chegou, inclusive, a visitar Ulrike Meinhoff
na prisão.
10. Bochaca, Joaquín. Op.cit., p.25.
Tradução nossa.
11. Idem.
12. Papini,
Giovanni. Descubrimientos Espirituales. Traduzido do italiano por Vintila
Horia e E. Walsh. Buenos Aires, Emecê Editores S.A., 1951, p.208-215. A tradução
para o português é nossa.
13. Amadores
14. Antiga cidade da Gália, hoje Paris
15. A prostituta respeitosa
16. Atormentado
17. Orgias sexuais
18. A idade da razão
19. O Sursis: suspensão condicional da
pena.
20. Imundícies
21. As jóias indiscretas
22. O camponês pervertido
23. Gíria
24. Ou, acrescentamos nós, se elas ao
menos dessem alguma pista sobre como superar na vida tão deplorável estado...
25. Naturalistas decadentes que não
vingaram devido a sua mediocridade.
26. Pessoa que perde seu tempo olhando e
escutando tudo
27. Papini fala em nome do povo italiano
28. Jean-Paul Sartre é o diabo em pessoa
29. Jean-Paul Sartre é um possuído
30. Refere-se o autor ao século XIX
31. Margem esquerda
32. Os dois macacos (ou as duas figuras
grotescas)
33. Texto baseado em reportagens publicadas
sobre a visita de Sartre a Araraquara,
cidade do interior paulista.
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