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O
discípulo de Buda

Um discípulo de Buda queria viajar a fim de transmitir
a palavra de seu Mestre. Buda lhe perguntou:
Aonde irás, em que direção, a qual
província?
E o discípulo lhe respondeu que iria a um lugar remoto
de Bihar, Sukha era o nome, porque nenhum outro discípulo
havia ido até então àquela região.
Buda lhe disse então:
Antes que tomes uma decisão responde-me a três
perguntas. A primeira é: Estás ciente de que as
pessoas dessa província a que te diriges são muito
violentas, fáceis de se irritar, assassinos? É perigoso
ir até eles. Se te insultarem e na verdade vão
te insultar como vais responder? Que sucederá em
teu coração?
Tu sabes perfeitamente bem o que sucederá em meu
coração porque o conheces, porque és meu
coração. Por que essas perguntas desnecessárias?
Mas já que me perguntaste, tenho que responder-te. Se me
insultarem, no fundo do meu coração lhes estarei
agradecido por apenas me insultarem, por não me haverem
golpeado.
Buda disse:
Agora a segunda pergunta: Te golpearão, certamente
serás golpeado. Que acontecerá contigo? Que pensarás
então?
O discípulo respondeu:
Tu sabes perfeitamente bem. Eu ficarei agradecido porque
pensarei que só me golpearam quando poderiam ter me matado.
Buda disse:
Agora a terceira pergunta. Pode ser que te matem. E se
te matarem, que acontecerá contigo? Que pensarás
em teu coração?
O discípulo respondeu:
Tu o sabes perfeitamente bem, não tens necessidade
de perguntar-me. Mas já que me perguntas, tenho que responder-te.
Quando estiverem me matando, lhes estarei agradecendo porque me
terão dado uma bela oportunidade, terão criado para
mim o maior dos desafios.
Podes ter gratidão inclusive com aqueles que estiverem
te matando? Esse é o maior de todos os desafios!
Eu os estarei agradecendo porque me estarão matando
e tirando-me a vida, evitando assim que eu fizesse algo de incorreto.
A partir de então já não haveria nenhuma
possibilidade. Eu nunca mais faria nada incorreto. Uma vida durante
a qual eu poderia cair por falta de consciência. Pensaria
que eu, a partir de então, não poderia cair por
falta de consciência... Eu lhes seria grato, absolutamente
agradecido porque se podes permanecer alerta quando te estão
matando, estarás vivendo tua última vida, já
não voltarás à Terra. Pensarei que são
meus amigos, porque me estarão libertando da escravidão.
Sempre me lembrarei deles com imensa gratidão em meu coração.
Buda lhe disse então:
Agora tens permissão para ir aonde queiras, porque
aonde quer que vás poderás irradiar minha energia.
Poderás compartilhar meu amor e meu afeto; e serás
capaz de fazer com que as pessoas estejam alertas, conscientes.
Estás preparado.
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