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Darwin
A
vida de um ex-macaco
Darwin,
pintura de John Collier 1883
Galeria Nacional de retratos de Londres
Na
fase mais recente da História da humanidade, a ciência,
que deveria ser uma das mais belas expressões do espírito,
acabou sendo transformada num instrumento a serviço dos
mais baixos níveis de fetichismo materialista, havendo
chegado ao extremo de negar a própria existência
do espírito humano. Compete agora ao homem do terceiro
milênio detectar e combater as causas de tamanha decadência.
Uma dessas causas foi sem dúvida o pensamento de Charles
Darwin (1809-1892), mentor de uma teoria sobre a origem e a evolução
das espécies que acabou se tornando um dogma quase absoluto
entre leigos e especialistas no assunto. Em oposição
a seus antecessores, Darwin apresentou argumentos inteiramente
mecanicistas para explicar a origem e o processo de evolução
dos seres vivos, alegando que a competição e o acaso
constituem as regras que definem a sobrevivência e que o
homem não passa de uma versão um pouco mais complexa
que o macaco. Além disso, a teoria de Darwin, por apresentar
os argumentos certeiros para validar planos de dominação
e de exploração sistematizada das massas, prestou-se
a alimentar toda a violência que se manifestaria depois
através de ideologias como o Nazismo, o Sionismo e o Comunismo.
E, como se não bastasse, agravou ainda em grande medida
os conflitos entre o homem e a Natureza.
Emitidas em meados do século retrasado, as idéias
de Darwin foram em suma uma das principais causas do devastador
processo de materialismo que impregnou e contaminou todo o século
XX e que se estendeu ao XXI, contribuindo para levar o homem a
um lamentável embrutecimento intelectual e espiritual.
Tão deplorável foi seu legado que, a partir do momento
em que começou a produzir sua obra, nem ele próprio
conseguiu escapar aos seus nefastos efeitos. Durante os cinqüenta
anos que ainda lhe restaram de vida, o naturalista padeceu de
uma série de distúrbios físicos em função
dos quais viveu momentos de verdadeiro suplício. Além
disso, sofria de grande instabilidade emocional e psíquica
e vivia angustiado por uma insatisfação existencial
profunda que o acompanhou até o final de seus dias.
Embora constitua um verdadeiro despropósito do ponto de
vista espiritual e já tenha sido refutada até mesmo
por meio de evidências científicas, a teoria darwiniana
ainda hoje é ensinada e apresentada em escolas e universidades
do mundo inteiro como a chave da compreensão do enigma
da vida. De fato, quase unânime é a aclamação
de que a mesma goza já há quase dois séculos,
mas começa hoje a vir à tona o fato de que, inconsistente
e falaciosa como poucas, ela é na verdade um castelo de
areia que as ondas já começam a fazer ruir.
O
surgimento da ciência moderna e o mistério da origem
da vida
O insondável mistério da origem da vida e da exuberante
diversidade de espécies que habitam a Terra estimulou a
fantasia e a imaginação dos povos desde tempos remotos.
Em praticamente todas as culturas, o milagre da vida foi reconhecido
como o mais belo e expressivo sinal da existência de uma
força superior criadora. Na sociedade ocidental, no entanto,
difundiu-se desde a Idade Média, impulsionado pela Igreja
Católica, um materialismo pseudo-religioso que, tendo admitido
a lógica aristotélica e as alegorias da Bíblia
como as únicas vias possíveis de acesso à
Verdade, fez com que essa natural capacidade do homem de curvar-se
diante da magnificência da obra da criação
acabasse contaminada por uma série de dogmas. A partir
de então, como se sabe, a ciência permaneceu dominada
durante cerca de um milênio pela influência cerceadora
do Catolicismo.
O surgimento da ciência moderna nos séculos XVI e
XVII, cujo marco principal é sem dúvida a revolução
copernicana, contribuiu para trazer à tona os equívocos
e interesses que se ocultavam por trás dos preceitos da
Igreja. Inspirados pelas profundas mudanças no pensamento
e na forma de vida que eram trazidas pela ciência, surgiram
pensadores reformadores nas mais diversas áreas do conhecimento
humano. Refutar os dogmas católicos, e em muitos casos
até a própria Bíblia, tornou-se uma atitude
de praxe, um passo considerado necessário para quem quisesse
romper com um passado de estagnação e alargar as
fronteiras do conhecimento.
Mas os homens da época não se deram conta de que,
diante do surgimento das novas ciências e as descobertas
das leis fundamentais que regem o universo físico, encontravam-se
numa situação crucial de escolha : se não
adotassem uma postura de admiração e respeito pela
revelação da beleza e da ordem do Cosmos, e se com
o auxílio do conhecimento adquirido não produzissem
senão obras que se harmonizassem com essa ordem, tenderiam
a usar suas descobertas para fins políticos e para a acumulação
de capital através da exploração desmesurada
dos recursos naturais. Caso a primeira opção tivesse
se concretizado, ter-se-ia aproveitado a oportunidade histórica
de dissipar o materialismo que durante tanto tempo havia obscurecido
o discernimento de grande parte da humanidade. No entanto, prevaleceu
a segunda.
Então, se concebida da maneira correta, a teoria darwiniana
certamente teria servido para fazer frente ao materialismo que
já então se verificava, e teria contribuído
assim para o processo coletivo de sensibilização
do espírito humano. Isto porque, apesar desse materialismo,
até meados do século XIX a origem da vida ainda
era considerada pela maioria como um mistério que extrapolava
o alcance da lógica e do intelecto. Aconteceu porém
exatamente o contrário: embora a ciência da época
preservasse ainda alguns vestígios de suas raízes
espirituais, Darwin rompeu com todas elas. E indo mais longe que
seus antecessores, apresentou uma explicação exclusivamente
mecanicista para a existência dos seres vivos tal como os
conhecemos. Segundo ele, estes seriam o produto de um processo
de evolução biológica das espécies
regido pelas leis da probabilidade e por cruéis regras
de competição numa luta pela sobrevivência
que levaria à seleção dos mais aptos. E,
nesse processo, o homem não passaria de um animal entre
outros, apenas um pouco mais complexo que os demais em decorrência
do aprimoramento físico e mental de um ancestral dos macacos.
Devido a suas premissas, a teoria de Darwin projetou uma visão
deturpada e tendenciosa da existência, e prestou-se assim
a banalizar ao extremo a razão de ser do homem neste mundo.
No plano social, ela foi muitas vezes usada para justificar a
tradicional exploração dos pobres (os "fracos")
pelos ricos (os "fortes"). Afinal de contas, se o homem
não passava de um animal, qualquer restrição
moral frente às injustiças sociais deixava de fazer
sentido. Não é de estranhar, portanto, que a classe
burguesa tenha acolhido as idéias do naturalista com tão
grande entusiasmo, contribuindo desse modo para que seus postulados
se difundissem e viessem a ter uma influência decisiva no
processo de embrutecimento cultural, intelectual e espiritual
que o homem vinha sofrendo há séculos.
Os
precursores de Darwin

A
ciência pré-darwiniana reconhecia a infinita diversidade
de seres vivos que existem. Bastante influenciada pelo mito bíblico
da origem do mundo, ela os considerava como produtos prontos resultantes
da obra da criação divina. Ainda no século
XVIII, Linné professava o princípio da imutabilidade
das espécies, segundo o qual elas teriam sido criadas desde
o início com as características que apresentam hoje
("Species tot sunt, quot formae ab initio creatae sunt"
).
O homem ainda sentia dentro de si a certeza inabalável
de que ele se diferenciava dos mamíferos mais desenvolvidos
por algo além de um grau mais desenvolvido de complexidade
biológica ou física. As teorias da imutabilidade
das espécies prestavam-se a justificar essa distinção
do homem em relação às outras criaturas:
se, assim como estas, ele era uma obra à parte, então
não havia razão para supor que compartilhasse com
elas qualquer característica. Segundo essa concepção
pseudo-religiosa, admitir a existência de uma origem comum
para todos os seres vivos seria o mesmo que equiparar o animal
ao homem, atitude que entrava em choque com os fundamentos teóricos
da Igreja.
Outros povos que não os ocidentais possuíam acerca
do assunto concepções mais elaboradas, se bem que
dotadas de origem antes mitológica que científica
(embora não por isso se encontrassem menos próximas
da verdade). O chinês antigo, por exemplo, fala sobre a
unidade da natureza, e não sobre diversidade. O mito de
criação de algumas tribos indianas, por sua vez,
admite uma forma de evolução, pois diz que os vários
tipos de plantas e animais surgiram dos mais simples seres aquáticos.
Os indianos, reconhecendo que toda percepção de
sentidos é maya (isto é, ilusória)
e que, portanto, nos induz a equívocos, consideraram já
desde a Antigüidade que as diferenças físicas
entre os seres vivos limitam-se ao âmbito das aparências.
O fato é que, tradicionalmente, as culturas orientais sempre
tenderam a considerar o conjunto dos seres (incluindo-se o homem)
como uma unidade. Mas, embora isto possa parecer um paradoxo do
ponto de vista da lógica cientificista que infelizmente
ainda impera na civilização contemporânea,
o fato não implicava a inexistência de distinções
entre o homem e os demais seres. Aquelas culturas tampouco consideravam
que as diferenças se restringissem apenas ao nível
físico, o que é claramente ilustrado no fim da história
da criação nos Vedas , em que se lê:
"Depois
de nascidos, Ele observou os seres e disse: 'Quem aqui quer se
declarar diferente?' - Ele reconheceu, então, o Homem como
o mais brâmane ."
A
passagem, como se vê, sugere fortemente que o principal
fator a distinguir o homem dos demais seres seja sua supremacia
espiritual.
Já na cultura ocidental a discussão se dava principalmente
entre os que defendiam a imutabilidade das espécies e os
assim chamados evolucionistas, que acreditavam num desenvolvimento
que partia da unidade rumo à diversidade. O poeta alemão
Goethe, influenciado talvez pelas culturas orientais, decidiu-se
a favor dos evolucionistas e deu forma poética à
idéia da evolução:
"Todos
os seres são similares e nenhum se parece com o outro;
e assim o coral aponta para uma lei secreta, um enigma divino."
Um século depois de Goethe, a teoria da evolução
na versão de Charles Darwin era apresentada ao Ocidente.
A "lei secreta" a que o poeta alude viu-se então
reduzida ao status de mera lei mecanicista determinada pela competição
entre os seres vivos em sua luta pela sobrevivência. À
medida que essa concepção era aceita, difundia-se
mais e mais a idéia de que o enigma divino tivesse finalmente
sido decifrado. Nem mesmo o avô de Charles Darwin, o naturalista
e poeta Erasmus Darwin, compartilhou de tamanha presunção
científica. Embora fosse um evolucionista convicto, ele
reconhecia a existência de uma força superior misteriosa,
conforme o atesta a seguinte passagem de sua Zoonomia:
"O
mundo é desenvolvido, não criado; surgiu, gradativamente,
a partir de um pequeno início, aumentou devido às
forças básicas que nele se incorporaram e cresceu,
ao invés de ter sido criado de uma vez por qualquer força.
A idéia do infinito poder do grande arquiteto, da causa
de todas as causas, do pai de todos os pais, do Ens-Entium, está
acima de qualquer suspeita. Quando quisermos comparar o infinito,
então deve existir uma força maior que o infinito,
que seja a causa dos efeitos e os próprios efeitos."
Outro
naturalista célebre, o francês Jean Baptiste Pierre
Antoine de Monet (1744-1829), cavaleiro de Lamarck, um dos precursores
diretos de Charles Darwin, proclamara em seu Philosophie Zoologique
a evolução dos seres vivos mais simples para todas
as espécies hoje existentes. Contudo, diferentemente de
Darwin, Lamarck pressupunha a existência de uma "causa
ativa nos organismos, uma ordem estabelecida pelo Criador de todas
as coisas, uma necessidade interna de ambicionar sempre níveis
mais elevados de evolução".
As inconsistências da teoria de Charles Darwin
"Um
sapo ser beijado por uma princesa e transformado em príncipe
é conto de fadas. Agora, um suposto unicelular ao longo
de bilhões de anos transformar-se em Australopithecus e
depois em Charles Darwin, isto sim é considerado ciência!"
(Enézio E. de Almeida Filho)
Foi
inspirado nas idéias de Malthus , clérigo e economista
político do século XVIII, e também em Lyell
e Lamarck, que o naturalista Charles Darwin elaborou sua teoria
evolucionista, segundo a qual os seres vivos tendem a reproduzir-se
em progressão geométrica e a luta entre eles impede
que o número de indivíduos exceda determinados limites
através da eliminação dos menos aptos.
De acordo com Darwin, ao longo do tempo as espécies tendem
a gerar indivíduos com pequenas variações
em relação a um padrão genérico, e
apenas as variações dos mais aptos são legadas
às gerações futuras (na luta pela sobrevivência,
os demais seriam eliminados naturalmente ou mortos antes de se
reproduzirem). Somando-se sem cessar durante gerações,
estas variações dariam origem a uma variação
maior e mais relevante na espécie, concretizando assim
a evolução. Ainda segundo o naturalista inglês,
a primeira forma de vida, surgida de uma "sopa química",
teria sido mero fruto do acaso. E a partir dela, através
dos processos de evolução e seleção
natural, ter-se-iam originado todas as demais espécies,
cada vez mais desenvolvidas e complexas.
É verdade que o documento fóssil aponta para a existência
de uma sucessão hierárquica das formas de vida ao
longo do tempo: na maior parte dos casos, quanto mais antiga,
menos desenvolvida é a espécie na escala biológica.
Sobre essa evidência, principalmente, é que os darwinistas
têm se apoiado para defender suas idéias. No entanto,
esse mesmo registro, juntamente com alguns ramos da Biologia Molecular
e da Bioquímica, têm revelado também diversas
evidências de que, na realidade, a teoria de Darwin se encontra
permeada de falhas e contra-sensos.
Inexistência dos seres híbridos
Se da evolução de uma forma de vida primitiva -
algo comparável a uma ameba - tivesse resultado a grande
variedade de organismos que há hoje, teriam que ter existido
então, necessariamente, milhares de formas de transição
entre uma coisa e outra. O próprio Darwin disse que esta
talvez fosse a objeção mais óbvia e mais
séria a sua teoria, pois a confirmação da
mesma ficou condicionada à descoberta dos elos perdidos.
Ele pensou que com o passar do tempo e o achado de mais fósseis
suas idéias seriam comprovadas, mas aconteceu justamente
o contrário: dois séculos se passaram e nenhum fóssil
de ser híbrido foi encontrado, e quanto mais fósseis
são descobertos mais hipóteses de seqüências
evolutivas estão sendo descartadas ou modificadas.
Afirmam os biólogos italianos G. Sermont e R. Fondi que
"cada vez que se estuda uma categoria qualquer de organismos
e se acompanha sua história paleontológica (...)
acaba-se sempre, mais cedo ou mais tarde, por encontrar uma repentina
interrupção exatamente no ponto onde, segundo a
hipótese evolucionista, deveríamos ter a conexão
genealógica com uma cepa progenitora mais primitiva"
. Assim, foram encontrados por exemplo fósseis de inúmeras
espécies de invertebrados do período Cambriano,
mas, em contrapartida, nenhum fóssil de algum espécime
que representasse um estágio de transição
entre esses invertebrados e os unicelulares do período
Pré-cambriano foi descoberto. Além disso, não
se pode considerar um animal com características de duas
espécies distintas como um elo entre ambas enquanto não
forem identificados os demais estágios intermediários.
Inexistência de variações em inúmeras
espécies
Outro
ponto a ser questionado é o fato de que inúmeras
espécies atuais não apresentam qualquer variação
em relação aos mais remotos antecessores seus de
que se tem notícia. Veja-se por exemplo o caso do peixe
celacanto, que existe há pelo menos trezentos milhões
de anos e nunca conseguiu transformar-se sequer num anfíbio.
Tampouco o foraminífero, organismo unicelular existente
desde o Pré-cambriano, evoluiu jamais para pluricelular.
Além disso, é improvável do ponto de vista
científico e impossível do ponto de vista filosófico
que hoje outro mamífero avance em direção
à forma humana, que uma ameba evolua até a de peixe
ou ainda que o homem se torne um "super-homem", pelo
menos no que concerne ao nível físico, da mesma
forma que não há motivo para supor que as escamas
dos répteis tenham evoluído até se tornarem
penas e não há nenhuma prova de que um ancestral
do macaco tenha dado origem ao homem.
Origem genética de mudanças observadas
Pesquisas
genéticas comprovam que as mudanças sofridas por
uma espécie não decorrem simplesmente do processo
de competição, mas que elas já estavam gravadas
de antemão em seu material genético. A genética
sugere ainda que o soletrar químico dos ácidos nucléicos
é que dê origem a diferentes espécies.
Através de suas experiências o biólogo T.
Morgan constatou que as mutações ocorrem, mas que
na maior parte dos casos elas são prejudiciais ao organismo.
Ele concluiu também que elas não impulsionam a evolução,
pois nunca desenvolvem um órgão ou função
nova. O que provoca as mudanças são os erros de
leitura do DNA, e estudos demonstram que, em geral, a seleção
natural não opera no sentido de provocá-las, mas
que ocorre exatamente o contrário: ela tende a manter a
estabilidade morfológica da espécie ao longo do
tempo, uma vez que a predominância de características
mais favoráveis num determinado meio tende a tornar os
indivíduos mais parecidos entre si. Se, tal como Darwin
afirmou, apenas os providos dessas características tendessem
a deixar descendência, não haveria então transformação,
porque o estágio de transição por eles representado
constituiria uma séria desvantagem biológica. A
seleção natural não favoreceria, por exemplo,
os que estivessem com um órgão em formação.
O biólogo australiano Michael Denton , por sua vez, pergunta
quais seriam as possíveis formas intermediárias
entre uma ramificação reptiliana de pulmão
sem saída e o pulmão de passagem livre da ave. Desse
modo, ele sugere a improbabilidade de que, como sustentam os evolucionistas,
os répteis tenham evoluído através de uma
série de variações até a forma de
aves. Se essa hipótese fosse correta, esperar-se-ia então
que tivesse existido uma forma intermediária entre a ave
e o réptil, o que parece impossível em decorrência
da incompatibilidade entre os órgãos desses animais.
O que Denton defende é, em suma, que o modo de funcionamento
de seus aparelhos respiratórios possui características
tão diferentes entre si que se torna difícil imaginar
que possa ter havido uma forma de transição com
características orgânicas intermediárias.
Não há nenhuma prova concreta de que essa forma
tenha de fato existido. E, mesmo que tivesse, os órgãos
dela teriam sido instáveis e não poderiam ter resistido
a um processo de seleção natural.
Insuficiência da hipótese da utilidade funcional
para explicar as formas
Darwin identifica a utilidade funcional como a lei que dá
forma aos seres vivos, e a beleza destes como um simples artifício
na luta pela sobrevivência. Dizia ele que "se os
objetos belos tivessem sido criados apenas para deleitar o homem,
deveria ser possível provar que antes do aparecimento do
homem havia menos beleza na Terra" .
Para o naturalista inglês, as mais belas características
presentes em algumas espécies de vertebrados, como por
exemplo as escamas coloridas dos peixes na época do acasalamento,
as penas de cores mais vivas de alguns pássaros machos
ou o adereço decorativo na cabeça de alguns mamíferos,
teriam apenas a função de estimular o interesse
sexual dos espécimes do sexo oposto. Porém, já
foi comprovado que, devido à configuração
de seus olhos, os peixes nem sequer podem distinguir a diferença
na cor das escamas. No caso dos pássaros, o macho conquista
sua fêmea através do canto e não graças
à cor da penugem. Além disso, os atrativos dos seres
vivos em geral tendem a despertar a atenção dos
predadores, o que, obviamente, não representa qualquer
vantagem na luta pela sobrevivência. Portanto, do ponto
de vista funcional a beleza dos seres vivos é algo realmente
difícil de justificar, e se todas as características
dos mesmos que os homens consideram belas tivessem obrigatoriamente
que ter uma utilidade na competição pela vida então
o mundo não poderia ser tão belo e diverso como
é. Ou, pelo menos, dificilmente haveria nele tantas variedades
distintas de pássaros coloridos...
A verdade é que a visão insensível de Darwin
diante da beleza das formas vivas é no mínimo absurda.
Se fôssemos seguir à risca seu princípio de
que a existência do belo não pode ser explicada senão
em termos de sua utilidade funcional, ao tentarmos "projetar"
um animal voador que enxerga bem nunca chegaríamos a uma
águia, mas talvez a algum avião de binóculos.
Além disso, poderíamos nos perguntar como o Darwinismo
explicaria que os supostos ancestrais das plantas e dos animais
- os seres unicelulares - tivessem evoluído para formas
magnificamente belas apesar de não possuírem órgãos
de percepção que lhes possibilitassem apreciar a
beleza uns dos outros, e de que modo as primeiras formas dotadas
deste atributo teriam auxiliado os seres que as tivessem ostentado
em sua luta pela sobrevivência.
É mesmo provável que a beleza dos seres vivos tenha
outras funções além da estética, e
não há razão para supor que ela exista meramente
para deleitar e encantar os homens. Mas a pretensão darwinista
de atribuir a ela apenas funções primárias,
como se o belo não pudesse servir senão de estímulo
para a alimentação e para a reprodução,
é atualmente desacreditada por evidências experimentais.
Sabe-se, por exemplo, que algumas plantas precisam da intermediação
de insetos para poderem reproduzir-se, e durante várias
décadas os darwinistas sustentaram que a beleza de suas
flores apenas servia para atrair esses insetos e permitir por
meio deles sua reprodução. No entanto, está
hoje comprovado que os insetos em questão possuem olhos
multifacetados e que, por esse motivo, são incapazes de
distinguir as características estéticas das flores,
de modo que não é pela beleza destas que eles são
atraídos. Portanto, a beleza das formas vivas continua
sendo mesmo um grande mistério...
A complexidade misteriosamente perfeita do DNA
No
que toca à hipótese de Darwin de que a primeira
forma viva teria surgido casualmente de uma "sopa química"
rica em aminoácidos e outras substâncias, cabe considerar
que, atualmente, tendo em vista todos os estudos já realizados
sobre a estrutura das proteínas e do DNA, até os
cientistas mais céticos estão se rendendo e assumindo
que algo tão complexo e perfeito como a célula não
poderia nunca ter se formado por acaso.
Os estragos do Darwinismo

Apesar
de suas muitas incongruências, infelizmente a teoria evolucionista
de Darwin difundiu-se como poucas e passou a ter grande aceitação
em todas as áreas do conhecimento, inclusive nas ciências
humanas. A partir de então, ocasionou grandes danos não
apenas à própria ciência mas também
à concepção do homem sobre si mesmo e sobre
o universo como um todo.
As idéias do naturalista deram margem a que se cultivasse
uma imagem deturpada da natureza social, metafísica e fisiológica
do homem, e contribuíram para sustentar uma série
de confusões no campo moral e espiritual. Por trás
da imagem do cientista dedicado, do amante da Natureza e inocente
colecionador de bichinhos singelamente guardados em caixinhas,
escondia-se alguém disposto a deixar seu nome registrado
nos anais da ciência mesmo à custa de disseminar
pelo mundo as secreções de uma mente conturbada
e agressiva.
Uma das filhas do Darwinismo é a Sociobiologia, uma "ciência"
que pretende explicar todo comportamento social através
da teoria da evolução e da seleção
natural das espécies. Atributos e qualidades do homem como
a inteligência, a linguagem, a consciência, o patriotismo,
o patriarcado, a guerra, a desconfiança, entre outros,
seriam determinados biologicamente com alguma finalidade evolutiva.
Segundo os sociobiólogos, a sociedade humana estaria sujeita
às mesmas leis dos formigueiros e o homem seria movido
por seus instintos de sobrevivência. As guerras? Uma questão
natural de sobrevivência! As injustiças sociais?
Ah, eis aí uma manifestação, também
natural, da supremacia do mais forte e da decorrente derrota do
mais fraco!
Dá-se portanto que, no contexto da Sociobiologia, todos
os males da humanidade recebem uma explicação "natural".
Resta saber apenas se seus seguidores são capazes de explicar
também as tendências boas do ser humano. Por que
razão, mesmo tendo uma anatomia compatível com um
regime onívoro, escolhe ele às vezes ser vegetariano?
E qual a explicação para que se arrependa, se envergonhe,
perdoe e ame? Ora, se um homem opta por dizer a verdade mesmo
sob risco de perder o emprego ou de sofrer por isso algum outro
tipo de represália ele certamente não o faz guiado
pelo instinto de sobrevivência. Os sociobiólogos
não saberiam o que dizer a este respeito, nem tampouco
conseguiriam explicar a existência da própria revista
Humanus ou qualquer atitude que tenha se originado na consciência
espiritual do homem. E isso por negarem sua origem divina, sinal
de que ainda não puderam senti-la...
E como se não bastasse a Sociobiologia, o Darwinismo gerou
ainda a Psicologia Evolucionista, que tenta explicar todo comportamento
individual humano através de razões biológicas
darwinistas. Também para os seguidores desta linha tudo
tem uma explicação natural. Segundo eles, a depressão
origina-se na frustração que o indivíduo
sente por não poder dar vazão a seu instinto de
sobrevivência, e o meio de combatê-la seria extravasar
os próprios impulsos (através de atitudes como,
por exemplo, a de acertar um soco no nariz do chefe no trabalho).
Para os psicólogos evolucionistas, o ciúme, por
sua vez, é apenas uma manifestação natural
de medo que um coitado sente de ser eliminado por alguém
mais apto no processo de seleção natural. Já
o infanticídio é considerado um ato instintivo de
eliminação do excesso de proles na humanidade, e
o estupro não passa de uma inocente alternativa natural
que o macho encontra para vencer na competição com
outros machos pelas fêmeas. A julgar pela Psicologia Evolucionista,
qualquer crime é válido, por mais grave que seja,
uma vez que a regra básica é fazer de tudo para
ser incluído entre os mais "aptos" e sair-se
"vencedor" na luta pela sobrevivência!
Mas, sem dúvida, o estrago maior do Darwinismo foi aquele
que ele ocasionou ao legitimar implicitamente o terrorismo de
Estado através da ideologia da supremacia do mais apto
que o conceito de seleção natural encerra. O século
XX, em particular, conheceu as mais sangrentas ilustrações
desse fenômeno.
Veja-se por exemplo o caso do Nazismo. Em nome daquela que considerava
ser a raça superior, Hitler recorreu à teoria da
eugenia, que não é senão mais uma filha do
evolucionismo. Francis Galton, o homem que a formulou, era primo
de Darwin e acreditou que para melhor promoverem o progresso os
homens deveriam substituir as forças cegas da seleção
natural por uma "seleção consciente".
Seguindo essa lógica, o Estado deveria propiciar a formação
de uma elite genética através de medidas de controle
científico, favorecendo a um só tempo a procriação
dos "superiores" e a eliminação dos "inferiores".
Esse modo de pensar, como se sabe, provocou nada menos que o holocausto
nazista. Em 1908, o inglês Leonard Darwin, filho de Charles,
fundava a Eugenics Society, entidade destinada a defender
os postulados da eugenia, dando assim continuidade à tradição
familiar de afronta aos princípios humanistas.
E adepto do Darwinismo foi também Karl Marx, que se baseou
no modelo de história natural proposto por Darwin para
explicar as relações humanas ao longo da História.
Basta substituir a luta entre as espécies pela luta de
classes e as mutações genéticas por mutações
econômicas para ter uma idéia bastante completa daquilo
que o pai do Comunismo professou. Não é à
toa que ele quis dedicar seu tão comentado O Capital
antes a Darwin que a Hegel, em cuja dialética os marxistas
costumam dizer que seu método se fundamenta. Aplicando
as idéias darwinistas diretamente ao plano da economia
social, o Marxismo acabou conduzindo a Rússia à
revolução bolchevique, uma das mais sangrentas de
toda a História, fazendo assim com que se instaurasse nesse
país um dos maiores e mais radicais sistemas de terrorismo
de Estado, o Stalinismo, causa direta do extermínio de
milhões de pessoas.
A ideologia darwinista da supremacia racial, da luta pela sobrevivência
e da seleção do mais apto encarnou-se ainda no Sionismo
político. O Sionismo parte do pressuposto de que o mundo
é um conglomerado de "subespécies humanas",
uma das quais é representada pelo povo judeu, e de que,
no mais autêntico espírito darwinista, todas elas
lutam entre si para sobreviver. Somente a mais apta sobrevive,
e a "aptidão" se traduz aí em esperteza
política e, em muitos casos, no uso da violência
contra outros povos.
Para os sionistas de direita, como o atual primeiro-ministro de
Israel, Ariel Sharon, qualquer tentativa de relacionamento pacífico
com outros povos é considerada um sinal de fraqueza capaz
de colocar toda a "subespécie judaica" em risco
de extermínio. Para os de esquerda, como por exemplo o
ex-primeiro-ministro desse país Itzhak Rabin, tentativas
do gênero não respondem a um sentimento de fraternidade
pelo povo vizinho. Assim como seus colegas de direita, também
eles atendem ao instinto de sobrevivência, com a diferença
de que vêem nos acordos de paz o método certo para
pôr fim à ameaça de extermínio da "subespécie".
Em ambos os casos, o respaldo científico para as idéias
defendidas é fartamente fornecido pelo Darwinismo, do qual
se lançou mão para descarregar contra os árabes
na Palestina os efeitos da mais cega prepotência sem ter
por isso que sentir remorso ou a necessidade de prestar contas
ao mundo. E foi ainda sob os auspícios de Charles Darwin
que se deu a criação do "Estado judeu",
por meio da qual oficializou-se em âmbito político
e jurídico a suposta supremacia racial do povo judeu. Através
da "lei do retorno" então decretada, garantiu-se
a seus membros uma série de direitos privilegiais por sobre
os membros de outros povos, decisão que, como é
sabido, submeteu milhões de refugiados palestinos a uma
situação de vida infra-humana.
E, finalmente, também o Capitalismo se serviu das idéias
de Darwin para justificar alguns de seus mais lamentáveis
aspectos. Nada mais óbvio, já que, a julgar pela
teoria darwinista, não há razão para ver
na mais desumana concorrência econômica algo além
de uma simples manifestação da luta pela sobrevivência.
Não por acaso, já houve quem considerasse Charles
Darwin o único profeta seguido de fato na América.
Em nenhuma outra cultura se verifica tão abertamente quanto
na americana o desprezo pelo loser, o derrotado - entendido
como aquele que não alcança sucesso profissional
ou comercial - nem tampouco a reverência ao mais apto, o
winner - aquele que alcançou esse mesmo sucesso,
quase sempre afrontando interesses e direitos alheios. Incapazes
de reconhecer na Natureza a obra de uma inteligência superior,
e vendo nela não mais que um sistema governado por leis
mecanicistas e pelo acaso, os capitalistas sentiram-se bem à
vontade para saqueá-la e para saquear também outros
homens e povos, tudo em nome do mais inocente "instinto de
sobrevivência".
Em suma, o que se observa é que Darwin mantém relação
com as correntes de pensamento que mais negativamente influenciaram
a consciência moral de culturas inteiras, o que contribuiu
para que muitos passassem a considerar a esperteza, a dissimulação,
a capacidade de enganar e até mesmo a propensão
à violência como os mais naturais e justificáveis
atributos humanos.
Por que o Darwinismo se mantém?

-
Mambo, sabe da última? Tem gente por aí que
anda dizendo que o homem descende do macaco...
- Há, há, há... Mas que ignorância!!!
Eles não souberam interpretar a teoria darwinista.
- Que que é isso... Hoje em dia, qualquer chimpanzé
sabe que não foi isso que Darwim quis dizer. Ele não
disse que o homem descende do macaco, e sim que ambos, nós
e os homens, descendemos de um ancestral comum.
- Por suposto, os homens não são filhos do macaco,
são apenas irmãos... |
Mas
se abundam as evidências de que a teoria de Darwin seja
falha em sua descrição dos fatos e danosa no que
respeita às tendências que estimula, por que então
em alguns meios ela continua a ser amplamente aceita e defendida
até os extremos do fanatismo?
Uma das razões disso é sem dúvida a presunção
científica, que tão bem caracteriza as sociedades
ocidentais dos séculos XIX e XX e em função
da qual o homem tende a supor-se capaz de compreender através
do intelecto todo fenômeno natural. A experiência
comprova que a ciência materialista se mostra disposta a
admitir alguma incoerência aqui ou acolá sempre que
a teoria em questão venha a respaldar uma interpretação
de mundo tipicamente atéia. Aos adeptos dessa pseudo-ciência,
a tentação de dispor de uma concepção
de vida que acene com a possibilidade de que todo e qualquer mistério
da Natureza seja abarcado pela mente humana tem falado mais alto
que o próprio anseio da busca pela verdade, característica
suprema da verdadeira ciência. Contentam-se eles em ver
a ciência divorciada da religião, e, nesse sentido,
ninguém até hoje os satisfez mais plenamente que
o inglês Charles Darwin. Numa de suas cartas a Marx, aquele
tão proeminente cientista ateu que atendia pelo nome de
Engels soube expressar com singular franqueza o regozijo que diante
das idéias do naturalista sentiu: "O Darwin que
estou lendo agora é magnífico", afirmou
ele, "a religião não estava destruída
em algumas partes, e agora isso acaba de acontecer".
Outro fator que propiciou ao Darwinismo manter-se em pé
até os dias de hoje é certamente a dificuldade que
alguns cientistas têm de reconhecer que estiveram enganados.
Considere-se a este respeito a observação do biólogo
Richard Darkins de que "é absolutamente seguro
dizer que se você conhece alguém que não acredita
na evolução, essa pessoa é ignorante, estúpida
ou insana"; o filósofo Michael Ruse, por sua vez,
alardeia: "A evolução é um fato,
fato, FATO!". Mas, longe de caracterizar o espírito
genuinamente científico, a opção de não
rever os fatos por receio de descobrir que se estava equivocado
é atitude que merece ser identificada com o mais rasteiro
fanatismo. Afinal, não menos digno é o comportamento
de muitos ferventes seguidores de algumas seitas pseudo-religiosas
que têm por hábito ocultar suas dúvidas por
trás do véu da retórica.
E considere-se ainda que também a forma como a mídia
tem se posicionado em relação à teoria de
Darwin tem contribuído para que o dogmatismo por esta fomentado
sobreviva. Inexplicavelmente, o jornalismo científico omite
do público há pelo menos dez anos a existência
de evidências suficientes capazes de deitar por terra os
principais alicerces teóricos do Darwinismo.
|
No
beco sem saída
Embora grandes tenham sido os danos que Charles Darwin ocasionou
ao mundo através de sua teoria da evolução,
a principal vítima desta foi sem dúvida ele
próprio. A partir do momento em que o naturalista
começou a emitir suas primeiras idéias a respeito
do assunto, uma série de problemas passaram a se
fazer presentes em sua vida: ele se precipitava em direção
a um poço do qual já não conseguiria
sair. O desejo de ver aclamado como fiel expressão
da verdade aquilo que seu próprio espírito
não pode ter reconhecido como verdadeiro havia-o
colocado num beco sem saída. A certa altura, o próprio
Darwin o admitiu:
"Estou
consciente de que me encontro num atoleiro sem a menor esperança
de saída. Não posso crer que o mundo, tal
como o vemos, seja resultado do acaso; e, no entanto, não
posso considerar cada coisa separada como desígnio
divino."
Ainda
jovem, Darwin foi mandado por seu pai a Cambridge para estudar
Teologia. Mas ele próprio não alimentava nenhum
interesse particular pelo assunto nem tampouco dava mostras
de qualquer vocação espiritual, o que não
deixa de prenunciar sua tendência a ocupar-se com
questões que extrapolavam sua capacidade de compreensão.
Algum tempo depois, aquele que se tornaria "o pai do
Evolucionismo" abandonava seus estudos teológicos,
e mesmo antes de tê-lo feito já rompia de vez
com a vida austera que implicavam, caindo num outro extremo.
É o que relatam os biógrafos Adrian Desmond
e James Moore:
"Obcecado
consigo mesmo e cheio de autopiedade, Darwin estava nas
últimas. (...) Ele ria e afastava suas mágoas
com uma turba de companheiros de bebida. (...) Herbert e
Whitley estavam 'dando algumas festas muito alegres', com
até sessenta homens em cada bebedeira. Eles fumavam,
contavam piadas, jogavam e desfrutavam de lubricidade abundante.
Nas manhãs que se seguiam, Darwin punha-se sóbrio
de novo, lendo 'Declínio e Queda do Império
Romano', de Gibbon, o tônico perfeito para um ordenado
excessivamente indulgente consigo mesmo. Isso tornou-se
um hábito regular. (...) Eram duas da manhã
e tudo estava negro como piche antes que ele rastejasse
de volta para a faculdade, violando o toque de recolher.
O banimento, sabia, estava agora por um triz."
Não
se pode descartar a hipótese de que o álcool
tenha contribuído para alimentar a concepção
materialista de mundo que Darwin manifestou depois através
de sua teoria. Um indivíduo alcoolizado tende facilmente
ao atrevimento, e a defesa sistemática e doutrinária
do materialismo, assim como a de outro dogma qualquer, constitui
necessariamente uma atitude atrevida.
Outro episódio capaz de ilustrar o estado em que
se encontrava o suposto decifrador do enigma da origem da
vida, admirador e amante da natureza, foi a constituição
do "Clube dos Glutões", que ele presidia.
Semanalmente, Darwin e seus amigos se reuniam para comer
"carnes bizarras", "uma ave ou animal
raro que um deles houvesse caçado e que fosse desconhecido
ao paladar humano" . Eis como ele demonstrava seu
grau de respeito à Natureza.
O naturalista sofreu de uma série de distúrbios
que o atormentaram dos trinta aos oitenta anos, precisamente
o período da vida em que ele se dedicou aos estudos
que o conduziram ao panteão da fama. Há bastante
controvérsia no que se refere ao assunto. Fala-se
em doença de Chagas, de Meniére, em síndrome
do pânico e indigestão nervosa, e há
até quem acredite que Darwin talvez sofresse de todos
esses males ao mesmo tempo, uma vez que nenhum deles abarca
todos os sintomas que ele apresentava. O autor da teoria
da evolução das espécies padecia de
um mal-estar constante: tinha insônia, dores de cabeça,
taquicardia, zumbidos nos ouvidos, espasmos, falta de coordenação
motora, vômitos freqüentes, calafrios, tremores
e convulsões musculares; além disso, sentia
fraqueza, vertigens e tonturas, e era acometido de ataques
violentos de náusea, forte ansiedade e crises de
choro histérico. Apresentava ainda manchas negras
ao redor dos olhos e sofria crises de depressão profunda
.
Tais sintomas colocavam Darwin de cama às vezes por
meses a fio, e ele se desesperava por perder em função
deles, segundo ele próprio dizia, quatro quintos
de seu tempo. Aquele que foi unanimemente proclamado um
dos mais notáveis pensadores de todos os tempos não
conseguia trabalhar mais que duas ou três horas por
dia e estava completamente debilitado no final de sua vida.
Costuma-se pensar no desequilíbrio orgânico
de Darwin como mera obra do acaso. E assim fazem sobretudo
os que mais se deixaram influenciar por seu materialismo,
aqueles mesmos que aceitam sem pestanejar a explicação
darwiniana de que por obra do acaso teriam surgido igualmente
as primeiras formas de vida na Terra. Mas é possível
considerar a questão de outro ângulo: não
terá sido o constante mal-estar do naturalista um
alarme da natureza a indicar-lhe que de algum modo ele a
estava afrontando? Ou ainda: não terá seu
tormento correspondido a uma oportunidade de que ele refletisse
sobre aquilo que vinha professando, concedida pela mesma
inteligência superior cuja existência suas idéias
tendiam a negar?
Se assim foi, então o fato é que Darwin não
soube aproveitar essa oportunidade: ele deixou o mundo que
pretendera explicar sem haver encontrado a cura ou mesmo
algum alívio para seu mal, e sem ter conseguido encontrar
tampouco o conforto de que seu espírito tanto carecia.
Embora no intuito de curar-se tenha recorrido aos mais variados
subterfúgios - como rapé, bismuto, ópio,
correntes elétricas na barriga, açoito com
toalhas molhadas, entre outros - o naturalista se esqueceu
de uma prática elementar, a de cultivar o atributo
exclusivamente humano da humildade. Talvez por isso é
que, afinal, ele se supusesse tão próximo
do macaco. O próprio Darwin relata que publicar seu
livro "foi como confessar um crime" , mas,
esquecido de que o reconhecimento do erro é também
uma forma de encontrar alívio, jamais demonstrou
qualquer arrependimento por tê-lo cometido. O que
ele fez não foi confessar, e sim propagar seu crime
pelo mundo afora.
O cientista vivia isolado em sua casa, tinha fobia social.
Costuma-se atribuir esse seu isolamento ao conflito interno
em que ele viveria por temor à iminente reação
de amigos religiosos e conservadores diante de sua teoria
da evolução das espécies. Que ele vivia
em conflito ninguém haverá de negá-lo,
mas bem mais plausível parece supor que o mesmo se
devesse apenas à influência de seus pensamentos
sobre seu espírito. Como um homem que tinha fobia
dos outros homens pode ter se julgado capaz de explicar
a origem e evolução dos seres vivos e da própria
humanidade? Melhor teria sido para o mundo e principalmente
para o próprio Darwin se, ao invés de ter
tido a presunção de compreender a Natureza
através do prisma intelectual, ele tivesse simplesmente
se rendido a seus encantos e dedicado a vida a apreciá-la.
É interessante destacar ainda que o naturalista que
levou Darwin a sentir-se motivado a apresentar ao público
sua teoria, o inglês Alfred Russel Wallace, o qual,
após ter lido o famoso ensaio de Malthus, redigiu
ele próprio um manuscrito sobre a adaptação
dos seres vivos ao meio através da eliminação
dos inaptos na luta pela existência, fez tudo isso
durante um acesso de febre intermitente.
G. Pickering, um médico inglês, escreveu um
livro intitulado As doenças criativas em que
defende que a má saúde física e mental
de algumas pessoas contribuiu para que elas entrassem para
a História. No que se refere a Darwin, Pickering
sustenta que seu isolamento social teria lhe possibilitado
dispor de tempo para suas meditações sobre
a teoria da evolução, a cuja elaboração
o naturalista dedicou nada menos que vinte e cinco anos.
Seguindo mais ou menos a mesma linha, não faltou
também algum desvairado que atribuísse a suposta
genialidade de Darwin a seu gosto pela bebida, como se fosse
possível esperar do álcool alguma influência
positiva sobre a faculdade da razão.
A noção segundo a qual perturbações
físicas e mentais poderiam favorecer a formação
dos grandes gênios da humanidade responde com assombrosa
exatidão à lógica do mundo às
avessas que o próprio Darwinismo ajudou a disseminar.
Viu-se anteriormente que, se levadas às últimas
conseqüências, as idéias de Darwin permitem
concluir que o crime seja uma necessidade para a sobrevivência,
e não mais absurdo que isso é supor que um
homem precise estar doente para poder trabalhar.
Se tão despropositadas idéias são amplamente
difundidas e aceitas ao redor do mundo, isso apenas evidencia
o estado de confusão aguda em que se vê mergulhada
ainda a maior parte da humanidade. Mas àqueles que
se rendem facilmente à palavra de um pensador enfermiço
e dado à prática do consumo de álcool
vale lembrar que o Homem que mais se destacou na História,
tendo-a inclusive dividido em duas etapas, desfrutou sempre
de perfeito estado de saúde física, mental
e espiritual.
|
O evolucionismo espiritual

Ok,
my friend Charles, já entendi:
Você é hoje o que eu serei amanhã!
De
todas as idéias de Darwin, aquela que mais negativamente
repercutiu na consciência moral dos homens foi a de que
o ser humano e o macaco teriam partido de um mesmo tronco ancestral.
Depreende-se da teoria do naturalista que, em essência,
pouca coisa os diferenciaria, sendo que as distinções
entre ambos se restringiriam apenas aos níveis físico
e mental.
Darwin sustentava que "uma diferença de grau não
justifica a colocação do homem num reino à
parte". E é verdade que, se se considerar a "diferença
de grau" do mesmo modo que ele o fazia, isto é, levando
em conta somente esses dois níveis, a afirmação
até faz sentido. Mas o fato é que há um terceiro
nível a considerar, o qual ele ignorou por inteiro: o espiritual.
Que as espécies podem sofrer modificações
orgânicas através dos tempos é algo que não
se pode contestar, mas pensar em evolução exclusivamente
nesses termos equivale a uma visão por demais restrita
da realidade. Nenhum conceito de evolução será
completo se não levar em conta a dimensão espiritual.
Assim, pode-se falar em dois tipos de evolução:
a material e a espiritual. A primeira é aquela de que Darwin
trata em sua teoria, embora, a rigor, a eleição
do termo evolução nesse caso não se
revele adequada, uma vez que não necessariamente a adaptação
de uma espécie ao meio implicará em avanço
ou aperfeiçoamento, tal como a palavra em questão
faz supor. O fato de que as mariposas da Inglaterra tenham se
tornado predominantemente escuras na época da Revolução
Industrial não é propriamente um indício
de que elas tenham melhorado em qualquer aspecto que seja,
mas sugere apenas que os índices de poluição
do ar na região haviam sofrido um aumento significativo
. Nesse sentido, convém considerar até que ponto
é válido falar em evolução
quando aquilo que está em pauta é meramente a consolidação
de um mecanismo adaptativo de sobrevivência.
Já no que respeita à evolução espiritual,
vale dizer que é a mais autêntica forma de evolução
presente na natureza. É próprio do grau espiritual
de um animal tirar a vida de outro para poder sobreviver, mas
não é próprio do grau espiritual do homem
matar para beneficiar-se. Ou, pelo menos, isso não é
próprio de um homem que já se humanizou.
Se um homem mata, rouba, mente e é dado a cometer toda
classe de desvios, pode-se dizer que ele não evoluiu, que
se encontra ainda num estágio espiritual próximo
àquele que é característico dos animais.
E se um homem que se encontrava em tão grande atraso se
sensibiliza e começa a agir de uma nova forma, mais humana
e digna, nada mais justo que dizer então que ele evoluiu.
Dentre todos os seres que habitam o mundo, o homem é o
único capaz de evoluir a ponto de alcançar a perfeição
moral. Por esse motivo, pode-se dizer com toda razão que
ele seja o herdeiro universal da consciência, ou
ainda, conforme rezam os Vedas, o mais brâmane dos seres.
É esta uma distinção que, por sinal, lhe
confere o mais pleno direito de ser incluído num reino
à parte, o reino hominal.
Foi sem dúvida por ignorar a visão espiritual da
vida que Darwin optou por dedicar-se à elaboração
de uma teoria que sugere ser a evolução material
a única ou, pelo menos, a mais importante que existe. O
homem não é animal, e o animal não é
homem. O que mais senão um entranhado materialismo poderia
levar alguém a negligenciar essa singela verdade? Não
que, tal como o naturalista fez, um homem não possa supor-se
um animal. Mas, nos casos em que há grande insistência
em pensar assim, talvez o que se tenha seja simplesmente uma questão
de identificação... Nesse sentido, cabe admitir
que o próprio Darwin devesse considerar-se bastante similar
aos macacos. Se ele tivesse compreendido que a perfeição
reside na evolução - entendida no sentido espiritual
- não teria lançado ao mundo a dogmática
e irrefletida afirmação de que nem sempre é
possível encontrar na Natureza a perfeição
absoluta.
Ao recorrer à noção de que na luta pela sobrevivência
a vitória seja dos mais aptos, Darwin vinculou a idéia
de aptidão antes à de força que à
de inteligência. Mas não há nenhuma evidência
de que, por exemplo, um espermatozóide consiga sair-se
vitorioso em sua corrida ao óvulo porque seja mais forte
que os demais. Por que não supor que a fecundação
seja levada a cabo pelo mais inteligente de todos? Tal suposição
é das mais razoáveis, mas dificilmente chegaria
a ela o autodenominado descendente de um molusco hermafrodita
acéfalo.
Até as culturas mais antigas - como a dos sumérios,
indianos, egípcios e chineses - compreenderam a evolução
melhor que Darwin. Se por um lado percebiam a unidade de todos
os seres da natureza como filhos de uma mesma deidade, reconheciam,
por outro, o valor das heranças espirituais dos ancestrais
e aceitavam que estas devessem ser cultivadas e aperfeiçoadas
por cada indivíduo através da própria experiência
antes que ele as transferisse aos descendentes. Essas culturas
não perdiam de vista que, embora as formas de vida de hierarquia
espiritual inferior - como os animais - compartilhassem com os
homens de uma mesma origem e de um mesmo destino, e fizessem parte,
portanto, assim como estes, de uma incomensurável união
de espíritos, cabe ao ser humano, como membro do reino
espiritualmente mais evoluído, procurar a sabedoria e a
iluminação espiritual através do cultivo
dos atributos elevados, como a disciplina, o respeito, a solidariedade,
a coragem, a capacidade de ação e o amor.
No caminho inverso, o naturalista inglês trabalhou no sentido
de fazer estremecer a confiança do homem nesses mesmos
atributos e na própria dignidade humana. E assim como ele,
outros profetas do materialismo - Marx, Freud, Einstein -, induzidos
igualmente pela febre do intelectualismo e do racionalismo mental,
também desviaram multidões inteiras da senda do
autêntico humanismo e deram sua contribuição
para a desertificação do espírito humano
e a degradação moral das sociedades.
Como uma humanidade tão influenciada por dogmas científicos
materialistas poderia estar preparada para contemplar o milagre
da origem da vida e a própria Natureza? Como os homens
que dela fazem parte poderiam encontrar a força de vontade
necessária para, como dizia Schopenhauer, conseguir superar
seus limites e formas e moldar seu ser? Através da evolução
espiritual é certamente a única resposta possível.
Mas, para poder alcançar a compreensão de tão
constatável verdade, é preciso antes que essa mesma
humanidade se dispa da arrogância de através da mente
penetrar o insofismável.
Notas
1. Examinar se convém manter a construção
condicional: "se não adotassem...", e ao mesmo
tempo falar em escolha.
2. "As espécies todas são como foram criadas
desde o início". LUDENDORFF, M. "Darwinismo
e história da evolução" In: O triunfo
da vontade da imortalidade. Munique: Verlag Hohe Warte, 1959
3. Rigveda, 1. Aitareya-Upanishad, 3. Khanda. Apud Ludendorff,
M: "Darwinismo e história da evolução",
In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag
Hohe Warte, 1959
4. Qualidade do ser supremo impessoal, a fonte primeira e o objetivo
derradeiro de todos os seres.
5. Darwin, Erasmus. Zoonomia; or, The Laws of Organic Life,
Part I. Londres: J. Johnson, 1794.
6. Parts I-III. London: J. Johnson (1796) (2nd Ed.)
Lamarck, J. B. Philosophie zoologique, ou Exposition des
considérations relatives à l'histoire naturelle
des animaux. Paris: Dentu, 1809.
7. Trata-se das idéias contidas no Ensaio sobre o princípio
da população (1798), em que Malthus considera que
a população cresce num ritmo bem mais acelerado
que os meios de subsistência.
8. G. Sermont e R. Fondi são autores de Dopo Darwin:
crítica all'evoluzionismo.
9. Michael Denton é autor de Evolution: Theory in crisis
10. Ludendorff, M. "Darwinismo e história da evolução",
In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag
Hohe Warte, 1959
11. Vide Marx: o ideólogo do crime, na Humanus II
(p.135).
12. Corrêa, Mauro. A farsa de Darwin. Extraído
do site www.lepanto.org.br/Evolucion./html, da Frente
Universitária Lepanto, Post Modernidade n°7-2001.
13. Desmond, Adrian & Moore, James - Darwin: a vida de
um evolucionista atormentado - São Paulo, Geração
Editorial, 2000, p.86
14. Idem, p. 107
15. Dr. Heraldo Curti
16. O Estado de São Paulo 14/01/2001 - comentário
do livro Darwin e a reconciliação do homem com
a natureza.
17. Com esse aumento dos índices de poluição,
o hábitat das mariposas tornou-se mais escuro e, em função
disso, por uma questão de contraste, as mariposas claras
acabaram ficando mais suscetíveis aos predadores e as escuras
menos, daí que a população destas tenha passado
a predominar na região. Trata-se de um exemplo clássico
utilizado pela primeira vez em 1937 pelo biólogo E. B.
Ford da Universidade de Oxford, Inglaterra (http://www.brooklyn.cuny.edu/bc/ahp/LAD/C20/C20_Biston.html).
18.
Esclarecimento do Mestre Joaquim José de Andrade Neto publicado
na obra Oaska, o Evangelho da Rosa, de Wânia Milanez, Sama
Editora, 1988.
Bibliografia
Claret,
Martin. O Pensamento vivo de Darwin, 1986
Ende, Michael. " O Mito Moderno chamado ciência",
In: Einstein Roman 6: O deserto
da Civilização de Ende, 1991 - retirado do site
http://www3.plata.or.jp/mig/einstein-uk.html
Ludendorff, M. "Darwinismo e história da evolução",
In: O triunfo da vontade da imortalidade. Munique: Verlag
Hohe Warte, 1959
Pearcey, Nancy R. O Segredo sujo de Darwin, por revista
World Magazine (Março 13, 2000)
www.terra.com.br/voltaire/artigos/darwin.htm. Darwin, o Marx
dos americanos
www.cipc.bio.br/mundobio/evolucao/arquivo.php?file=8
critica.no.sapo.pt/lds_darwin.html
www.polbr.med.br/arquivo/wal0901.htm
www.logoshp.hpg.ig.com.br/duvida.htm de William A. Dembski. Traduzido
por Emerson
de Oliveira.
www.scgd.hpg.ig.com.br/desnudandodarwin(a).htm
Revista Superinteressante - agosto 2001
A farsa de Darwin - extraído do site www.lepanto.org.br/Evolucion./html
, da Frente
Universitária Lepanto, Post Modernidade n°7-2001, escrito
por Mauro Corrêa.
Quem foi Charles Darwin? Texto extraído do livro One
Long Argument: Charles Darwin
and The Genesis of Modern Evolutionary Thought, de Ernst Mayr
Trad. Antonio
Carlos Bandouk. Retirado do site: intermega.globo.com/biotemas/charlesdarwin1.htm
E mais as fontes citadas nas notas.
Desmond, Adrian & James Moore. Darwin - a vida de um evolucionista
atormentado:; tradução Cynthia Azevedo - 3ª
edição revista e ampliada - São Paulo : Geração
Editorial, 2000 - página 86
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