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O
Estado Novo

"Mais
uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se
e novamente se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam; não me combatem,
caluniam, e não me dão o direito de defesa.
Precisam sufocar minha voz e impedir a minha ação
para que eu continue a defender, como sempre defendi, o
povo, e principalmente os humildes. Sigo o destino que me
é imposto. Depois de decênios de domínio
e espoliação dos grupos econômicos e
financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução
e venci. Iniciei o trabalho de libertação
e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar.
Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha
subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à
dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia
do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi
detida no Congresso. Contra a justiça da revisão
do salário mínimo se desencadearam os ódios.
(...) não querem que o trabalhador seja livre. Não
querem que o povo seja livre. Não querem que o povo
seja independente. (...)
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora,
resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo
suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando
a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado.
Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se
as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem
continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em
holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre
convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo
ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta,
sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós
e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no
meu pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome
será uma chama imortal na vossa consciência
e manterá a vibração sagrada para a
resistência. Ao ódio respondo com perdão.
E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha
vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para
a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não
mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício
ficará para sempre em sua alma e meu sangue será
o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei
contra a espoliação do povo. Tenho lutado
de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia
não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha
vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio.
Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade
e saio da vida para entrar na História."
Documento histórico dirigido à nação
pelo presidente Vargas, a Carta testamento foi encontrada
no dia de sua morte, em 24 de agosto de 1954.
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