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Sobre
o GEH
Ao
enviarmos um comunicado de inauguração do sítio
do GEH Grupos de Estudos Humanus para diversos
leitores e amigos da Humanus, tivemos uma boa receptividade.
E, para nossa satisfação, vários admiradores
confessos da revista aderiram imediatamente à proposta e
colocaram-se à disposição para contribuir no
que estivesse ao alcance de suas possibilidades. E o GEH já
se consolidou. Felicitamos aos corajosos!
Alguns amigos da Humanus da cidade de São Paulo, que
vêm assistindo e acompanhando esses nossos cinco anos de luta
incansável em prol da publicação da Revista,
assim que receberam a notícia do GEH decidiram reunir-se
e manifestar, perante à Sama Multimídia, a irresistível
vontade que vinham sentindo de conhecer os bastidores de nossa produção.
Entraram em contato conosco e fizeram uma proposta de realizar uma
entrevista com o idealizador do anuário cultural Humanus.
A proposta foi aceita e Joaquim José de Andrade Neto, também
Presidente da Sama Multimídia e Mestre Geral Representante
da União do Vegetal, recebeu os entrevistadores na nova sede
da Editora e concedeu uma esclarecedora e surpreendente entrevista
sobre os objetivos da Humanus, do GEH e muito mais...
Assim, toda a equipe da Sama foi contemplada com a presença
de um grupo de jovens, em sua maioria, sensíveis e que demonstraram
reconhecimento por nosso trabalho de forma tão sincera e
intensa que não podemos deixar de considerar este acontecimento
um marco na história da Sama, sentindo-nos verdadeiramente
gratificados.
O que se verá a seguir não é uma entrevista
típica da imprensa do sistema, mas imperdíveis momentos
de pura emoção, humor, suspense, sabedoria e esclarecimentos.
Saiba tudo que você sempre quis saber sobre a publicação
mais polêmica do mundo!
Boa viagem...
Sama Multimídia Educação e Arte
Somos:
Benjamin
- Estudante de filosofia
Felícia - Artesã
Luciana - Jornalista
Otávio - Físico
Pablo - Músico
Málcio - Médico Legista
Maria da Glória - Jornalista
Agradecemos à Sama Multimídia pela surpresa de
divulgar essa entrevista através do sítio do GEH e
da Humanus deste ano. Na verdade, quase não podemos
acreditar em tudo isso que está acontecendo.
Somos um grupo de pessoas, alguns universitários e outros
já formados em diferentes áreas que, desde o lançamento
do primeiro volume deste anuário, está perplexo com
o conteúdo e com a apresentação desta obra
praticamente inacreditável. Alguns de nós já
haviam entrado em contato com a redação através
de e-mails e recebido, com alegria, o comunicado da formação
do GEH, fato que consideramos uma grande coincidência. Isso
porque, sem nos darmos conta e de forma espontânea, já
formávamos, na verdade, um grupo de estudos da Humanus.
Sempre conversávamos muito sobre os temas da revista, trocávamos
idéias, opiniões, além de sermos divulgadores
em potencial deste anuário. Além disso, a leitura
dos seus quatro volumes conseguiu provocar o efeito de aumentar
a nossa inconformação com o mundo tal como se encontra
e com as pressões a que somos submetidos. Aliás, essa
leitura facilitou bastante a nossa compreensão sobre temas
de importância fundamental, e começamos a repensar
valores. E, por isso mesmo, a vontade de nos aproximar das pessoas
que fazem esse trabalho já existia há tempos. Tínhamos
um grande interesse em conhecer os humanos que estão envolvidos
na atividade de escrever e editar a revista. Na verdade, até
desconfiávamos que algo de muito estranho estivesse por trás
de tudo isso. Indagávamos quem seriam, afinal, essas pessoas
que trabalham por puro idealismo e que criticam abertamente ícones
da História como Einstein, Freud, Marx, Aristóteles,
Shakespeare e outros. Obviamente ALGUÉM estava por trás
de um trabalho tão corajoso e até perigoso!
Além disso, o sentimento de que já estava na hora
de começar a fazer a nossa parte para contribuir com essa
publicação ficava cada vez mais forte. Mas acabávamos
não fazendo nada, devido a receios, dúvidas, preguiça...
E, de repente, demos de cara com o comunicado sobre o GEH, que diz
que chegou a hora de cada um fazer a sua parte e que a continuidade
da publicação da revista dependia de nosso apoio.
Recebemos isso como um ultimato. Afinal, sempre nos dizíamos
livres, politizados, incomodados com muitas coisas que o sistema
nos obriga a fazer, mas não estávamos nos mobilizando
no sentido de nos livrar e até de combater tudo aquilo, como
faz a Humanus. Finalmente tomamos a decisão de nos
dirigir até a Sama.
Lá chegando, fomos recebidos por toda a sua equipe, que estava
à disposição para nos atender. Nos surpreendemos
com a educação e a seriedade de todas as pessoas.
E, como já imaginávamos, também descobrimos
que realmente havia alguém no comando de tudo isso. Esse
homem nos permitiu desfrutar, pela primeira vez, da clareza e da
ordem no universo das idéias e chegou mais além, alcançando
uma região do nosso ser que estava adormecida. Provavelmente
a nossa consciência, nosso espírito. Um êxtase.
Suas palavras e energia penetraram profundamente em nós,
e fizeram voar pelos ares,como um furacão, falsas idéias
e teorias inúteis. Mesmo porque naquele momento sentimos,
e não pensamos.
Portanto, a entrevista aqui apresentada é mais uma prova
do poder da Humanus.
Amigos
da Humanus - São Paulo
Entrevista
com Joaquim José de Andrade Neto
Presidente da Sama
Multimídia Educação e Arte

Amigos
da Humanus Como surgiu a idéia de editar a
Humanus?
Presidente da Sama A idéia surgiu quando cheguei
ao ponto de constatar que não havia mais nenhum jornal ou
revista para ler. Todos eles tinham a mesma ideologia e, sempre
de forma ostensiva, sutil ou subliminar, procuravam induzir o leitor
a fazer papel de idiota, a ser supersticioso, superficial e moneyteísta,
ou seja, praticante de uma única religião: a religião
do capital, a religião do chamado capitalismo.
AH Para um leitor que já leu os quatro volumes
desse anuário, fica evidente que houve uma revisão
em praticamente todas as áreas do conhecimento e que não
faltaram críticas ácidas e incisivas para todo mundo,
ou seja, comunistas, ditadores, sionistas, artistas, psicólogos,
jornalistas, católicos, judeus... Resumindo, é difícil
definir esta publicação. A pergunta é: Qual
a linha editorial da Humanus, de que lado ela está?
PS Ela está do lado do belo, do bom e do verdadeiro.
Sua linha editorial é contundente e totalmente sem escrúpulos
quando se trata de desmascarar toda falsidade e nocividade capazes
de impedir o bem-estar e a alegria de viver do homem. Mas, ao mesmo
tempo, ela é suficientemente humilde, respeitosa, corajosa
e apolítica quando se trata de admirar e reconhecer o que
há de melhor em todos os homens, independentemente de suas
religiões, raças, nacionalidades e classes sociais.
Ela é perigosamente justa. A Humanus transcende as
posições ideológicas e os dogmas religiosos.
Ela é cósmica no reino da matéria, no sentido
de respeito à ordem e à harmonia do Universo, e é
vertical no reino do espírito, pois está a serviço
da evolução do homem.
AH A Humanus afirma que a leitura de seus artigos
pode trazer uma clareza maior sobre os mais diversos assuntos. Até
aí concordamos plenamente. Ela também promove em suas
páginas a prática da verdade, da humildade, da dignidade.
E nós perguntamos: como podem os humanos aplicar, em seu
dia-a-dia, tais práticas de virtude num mundo como esse,
onde as pessoas são estimuladas ao extremo a praticar exatamente
o oposto? Não é um tanto utópico e lírico
tudo isso?
PS Bom, do jeito que o senhor está falando,
seria a mesma coisa a pessoa pensar que, já que ela vai morrer,
então por que viver? Que sentido faz viver? Para que eu vou
fazer o bem, construir as coisas, se depois não adianta nada,
eu vou morrer? Então, é uma questão de gosto,
de coragem, de dignidade, de honra, de justiça. No entanto,
para muitos, esses princípios foram substituídos por
hipocrisia, cumplicidade, interesses, guerras. Mas depende da pessoa.
Tem gente que até prefere ser corrupto e hipócrita,
e que acha que se tiver centenas de bombas atômicas estará
seguro. E há quem só se sinta satisfeito fazendo o
Bem, lutando contra as debilidades e procurando ser íntegro
no mais amplo sentido da palavra. É fácil se você
tentar.
AH É impressionante a variedade dos temas abordados
nos artigos bem como a profundidade e seriedade com que os mesmos
são tratados. Não existe nada superficial na revista.
E pela riqueza de informações, bibliografia e ilustrações,
é de se presumir que um imenso acervo e arquivo estejam à
disposição do Conselho Editorial. Qual é a
fonte de tudo isso?
PS De fato, a revista conta com uma biblioteca que
possui mais de 60.000 livros, com os nossos correspondentes que
sempre contribuem com textos e informações importantes,
com diversos pesquisadores voluntários que se utilizam da
internet, esse instrumento que é mágico em mãos
responsáveis e bastante perigoso em mãos débeis,
além de outras fontes de informação. Ainda
assim, a revista não é escrita com base exclusivamente
nessas fontes. Para esse trabalho, é necessário mais
que isso: é preciso grau elevado de visão e interpretação
de mundo por parte de quem lê e seleciona os textos.
Existem três classes de leitores: os que lêem e acreditam
em tudo o que está escrito; os que lêem e não
acreditam em nada do que está escrito; e os que lêem
o que está oculto no texto, nas entrelinhas. Muitas vezes,
de um texto pode surgir uma reportagem totalmente oposta ao que
o seu conteúdo está querendo induzir o leitor a acreditar.
Então, para poder montar um artigo, fazer uma reportagem
que permita ao leitor chegar a uma conclusão capaz de fazê-lo
auferir benefícios reais, práticos e bons, é
preciso que o escritor pertença à terceira classe
de leitores e tenha, acima de tudo, a determinação
de falar a verdade. Se um escritor não souber ler nas entrelinhas
e não souber fazer a correta interpretação
dos textos que lê, ele certamente tenderá a construir
um texto confundidor. É o que acontece na mídia do
sistema: já se escreve de caso pensado, de forma a induzir
o leitor a adotar um pensamento único, distorcido, tendencioso
e, com isso, programá-lo para uma obediência servil
e cega a um sistema que se torna cada vez mais opressivo, desumano
e tirânico, ainda que camuflado sob o manto da democracia
e da liberdade de expressão. Resumindo: desmanchar
ciladas dialéticas, demolir falsos mitos de forma clara e
documental, reunir as pérolas mais preciosas registradas
nos livros escritos pelos espíritos mais sensíveis,
de forma que a obra não seja uma colcha de retalhos mas sim
o resultado harmônico, coerente e poético desse material,
é tarefa para a Humanus. Por isso ela é capaz
de despertar a atenção, e de dilatar a compreensão
das pessoas, provocando transformações substanciais
nas mesmas.
AH Essa capacidade não passa despercebida e é
exatamente por isso que viemos aqui, por reconhecermos, nas páginas
da revista, algo de superior e diferente de tudo o que já
vimos. Mas, de qualquer forma, mesmo sabendo ler nas entrelinhas,
como é possível alcançar essa visão
de que o senhor acabou de falar, ou seja, como surgem as interpretações
tão inovadoras e surpreendentes da Humanus?
PS A escada da evolução tem 33 degraus,
que são as 33 formas da inteligência. O antipenúltimo
desses degraus chama-se inspiração. Sócrates
o chamava de Daimon.

AH
- E o que o senhor entende por inspiração?
PS
- É o anjo da guarda da Verdade que, às vezes,
se manifesta como um passarinho azul que conta segredos nos ouvidos
de seus amantes.
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Já
sabíamos que estávamos falando com o Mestre
da União do Vegetal devido às matérias
sobre esse assunto na Humanus I e III. No entanto,
num primeiro momento, começamos a chamá-lo de
Dr. Joaquim, pois, afinal, estávamos entrevistando
o Presidente da Sama Multimídia. Mas, sem nos dar conta,
de repente e naturalmente, estávamos chamando-o de
Mestre. Não chegamos à conclusão se foi
por efeito de acompanhar a forma como ele era tratado por
alguns discípulos seus ali presentes ou se por um sentimento
de estarmos aprendendo com a sua presença, através
de suas respostas inesperadas, enigmáticas e, ao mesmo
tempo, tão compreensíveis.
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AH A revista abrange diversos e variados temas, os quais
se interligam em uma engenharia perfeita. Como é possível
esta coesão, levando-se em conta que o Conselho Editorial
é formado por diferentes pessoas, cada um com uma atividade,
idéia, idade e anseio diversos? Qual o segredo disso?
PS Unidade de comando.
AH Agora queremos saber como é possível
publicar um anuário de alta qualidade gráfica, ou
seja, papel de primeira, impressão cuidadosa, acabamento
finíssimo, ilustrações raras, isto é,
de um custo visivelmente alto, sem publicidade nem patrocínio?
PS Segundo nosso estimado amigo e correspondente internacional,
Ramón Bau, trata-se de um milagre. Mas esse milagre de fato
tem um custo, e esse é o preço que eu tive que pagar
para criar um espaço onde a verdade impera e é exposta
de forma clara e livre. Praticamente tudo o que adquiri em relação
a bens materiais, durante trinta anos de trabalho ininterrupto,
coloquei à disposição dessa obra, da qual a
revista é apenas uma pequena parte. Confesso que eu esperava
uma reação bem mais expressiva do que a que houve
até então; mas, se por um lado tenho plena convicção
da importância desse trabalho e é minha vontade que
as pessoas se dêem conta disso o quanto antes, por outro,
não tenho pressa.
AH Portanto, financeiramente, se não fosse o patrimônio
que o senhor adquiriu durante a vida e disponibilizou nesse trabalho,
não existiria a Humanus?
PS Bom, eu sempre soube que a Humanus teria
que vir à luz, independentemente das implicações
da publicação. Eu venho fazendo o que posso para realizar
esse trabalho. Houve diversas pessoas que contribuíram com
doações, mas, até agora, quem carregou o piano
mesmo fui eu.
AH Isso significa que caso alguma instituição
se interesse por patrocinar a revista, não seria aceito?
PS Aceitar nós aceitamos, mas de forma cuidadosa,
porque o dinheiro é a maior tentação no sentido
de macular o caráter humano, de tentar afastar as pessoas
da dignidade. E esta, que é na verdade uma coisa ampla, constitui
a síntese da prática de todos os atributos divinos.
Uma pessoa digna é digna no amor, no trabalho, na amizade,
na prática da espiritualidade. O dinheiro representa um obstáculo
tentando impedir o homem de praticar esses princípios de
amor ao próximo, respeito, honra, responsabilidade, justiça,
paciência. O dinheiro é, na maioria das vezes, usado
para obter vantagens; ele estimula a anti-paciência, a anti-humildade,
a anti-sobriedade e anti-temperança quando não é
usado a serviço do bem e do interesse social. É uma
das formas mais perigosas de corrupção, de aliciamento
e de apodrecimento espiritual. Muitas vezes, os detentores da chave
do cofre dão dinheiro para os que eles consideram inimigos
no intuito de tê-los na mão, manipulá-los, escravizá-los.
E isso eles não vão fazer com a Humanus. Por
isso, todo cuidado é pouco. Do dinheiro que eu ganhei e doei
para a revista, eu conheço a procedência e sei que
foi ganho com dignidade. Se houver algum empresário corajoso,
que tenha afinidade com nosso trabalho e que queira fazer uma doação
de forma incondicional, terá seu gesto reconhecido como uma
prova de sensibilidade e de humanismo. Em síntese, sendo
a atividade da empresa doadora algo útil e saudável
para a humanidade, tudo bem. Inclusive, se não aceitássemos
doações, o número da conta bancária
para este fim não estaria em todos os volumes da revista.
Mas no caso, por exemplo, de indústria de bebidas alcoólicas
ou tabagista, ou ainda, de instituição financeira
que vive de juros, o dinheiro não seria aceito.

AH
O senhor tem alguma coisa contra o dinheiro? Vocês
não querem ganhar dinheiro?
PS Como eu sempre digo, o dinheiro é o símbolo
do trabalho, mas deve estar a serviço do social. Cito como
exemplo o que é feito com a edição da revista
Humanus, que é uma obra de utilidade pública.
A importância do dinheiro consiste em permitir às pessoas
o acesso a tudo que possa contribuir para a sua evolução.
Trabalhar honestamente e receber o seu salário a fim de desfrutar
de um bem-estar é algo bom. Conforto material, acesso a obras
de arte e a livros raros, alimentos delicados e saborosos, um jardim
bem cuidado, boas músicas, tudo isso é necessário
para uma pessoa desenvolver a sua sensibilidade; e, para ter acesso
a essas coisas, é preciso ganhar dinheiro. Então,
em absoluto, eu não sou contra o dinheiro, mas sou totalmente
contra o uso desumano do dinheiro. Em verdade, eu tenho verdadeiro
asco de assistir a um pequeno grupo de seres egoístas e gananciosos
emprestando dinheiro a juros e prejudicando as pessoas de forma
individual ou coletiva, como é o caso dos países credores
em relação aos países devedores, os quais planejam
única e exclusivamente acumular bilhões e bilhões
de dólares que são usados, principalmente, para fabricar
armas e até milhares de bombas atômicas. Inclusive,
ouvir pessoas falarem em resolver o problema da fome distribuindo
cestas básicas, mais parece humor negro. Eu pergunto: Por
que elas não revelam com todas as letras a causa da fome
no mundo? Ora, se existem centenas de pessoas acumulando bilhões
de dólares, como seria possível não haver pessoas
passando fome? Se alguns acumulam muito, a maioria, por suposto,
tende a ficar com pouco e, muitas vezes, com nada. Então,
as pessoas precisam deixar de ser hipócritas e ir direto
ao ponto: a fome e o desequilíbrio social são resultantes
de uma prática maldita, que corresponde a uma simples palavrinha,
que, na verdade, está mais para palavrão, composta
de cinco letras e que começa com u e termina com a: USURA.
AH Se a revista é de utilidade pública e é
usada com objetivo social, por que ela é vendida por um preço
tão alto, restringindo o acesso apenas às pessoas
com recursos financeiros?
PS Publicar a Humanus ainda não dá lucro;
ao contrário, nós pagamos para trabalhar, tanto devido
ao seu alto custo de realização como pelas tentativas
de boicote pela mídia do sistema. A proposital falta de interesse
por parte da imprensa faz com que o grande público não
tenha ainda acesso à revista como deveria ter. E, por causa
disso, as vendas, que são a única fonte de renda desta
publicação, até agora não eram suficientes
nem para cobrir as despesas. No ano do lançamento de seu
primeiro número, nós a distribuímos por um
valor bastante abaixo do preço de custo como forma de estímulo
e promoção, mesmo porque as pessoas nunca tinham visto
nada semelhante. Nesse mesmo ano, em 2000, nós também
distribuímos e doamos mais de dois mil exemplares para jornais,
universidades, instituições culturais e governamentais
de todos os Estados do País. No entanto, não dá
para ignorar o trabalho e a luta que é preciso empreender
para conseguir publicá-la. E assim, nos anos seguintes, fez-se
necessário procurar pelo menos cobrir as despesas, porque
não há patrimônio que agüente sustentar
tanta demanda. E não podemos deixar de lembrar que a Humanus
é um anuário cultural que não possui a maior
fonte de renda de todas as outras revistas, que é a publicidade,
nem os incentivos governamentais. Ela é, na realidade, um
livro de arte e cultura chamado de revista. Mas tudo é uma
questão de gosto: se uma pessoa preferir comprar, por cinco
reais, uma revista da imprensa do sistema, que ela geralmente lê
no banheiro e em seguida descarta, a um livro de arte e cultura
que merece ser encadernado, ela é quem escolhe. Para se ter
uma idéia, o papel que utilizamos em sua edição
custa em média R$ 70.000,00. Somem-se a isso centenas de
escaneamentos, fotolitos e custos com gráfica, os quais representam
mais uma pequena fortuna. E com relação à comercialização,
50% do valor da venda de cada unidade destinam-se aos distribuidores
e 25% ao governo através dos impostos. E não se esquecendo
de que o frete também é por conta da Editora.
O senhor há de convir que não é possível
pagar os custos da revista com os 25% que sobraram. Na verdade,
podemos dizer que nossos gastos representam, no mínimo, cinco
vezes mais do que esse valor restante. Conclusão: a Humanus
não é uma publicação só de utilidade
pública, ela é beneficente, tanto em âmbito
espiritual quanto material e, portanto, o senhor está equivocado,
pois ela é a revista mais barata do mundo!
AH O senhor citou um ponto intrigante que nós já
percebemos há bastante tempo: é essa questão
da imprensa, unanimemente, fazer de conta que essa publicação
não existe, não dar espaço, não comentar,
não falar absolutamente nada. O que explica isso, considerando
que vivemos num país democrático e liberal, e considerando
ainda que não se tem similar no gênero?
PS Bom, a revista fala exatamente o que eles não querem
ouvir, apesar de ser o que eles mais precisam ouvir. E mais que
isso, expõe, com todas as letras, o que eles fazem de tudo
para esconder das pessoas. Por isso é que a Humanus
é anti-sistema. E talvez seja por isso que eles fazem questão
de que ela não seja divulgada e que passe despercebida. Mas
a formação do Grupo de Estudos Humanus é
uma prova de que eles não estão conseguindo seu intento.
AH Nós realmente temos assistido a diversas perseguições
contra a revista, principalmente por parte de um grupo de judeus
sionistas. O próprio artigo A Reação da Ignorância
mostra isso. O que o senhor tem a dizer sobre o fato?
PS Para o regime democrático globalista bushniano
tudo é possível. O Divino Mestre Jesus, que é
o único judeu que eu conheço e reconheço, e
que se deu ao trabalho de vir até aqui para atualizar e humanizar
o judaísmo, ensina, entre outras coisas, que as pessoas não
devem atirar pedras nas mulheres; que os homens podem trabalhar
durante todos os dias da semana, inclusive aos sábados; que,
ao invés de olho por olho dente por dente, o homem
deve amar o próximo como a si mesmo; que não deve
ser hipócrita, mas seguir o caminho da verdade. E foi crucificado!
Então eu não vejo nenhuma novidade nisso e observo
que, em dois mil anos, eles não aprenderam nada; pelo contrário,
conseguiram um verdadeiro milagre às avessas: nunca foram
tão anti-pacíficos, anti-amorosos, anti-espirituais.
É só ver o que eles estão fazendo no mundo.
Essa questão de confundir judaísmo-religião
com sionismo-ideologia política é uma forma
de tentar escamotear a verdade e de confundir as pessoas. A mentira,
atualmente, se tornou uma verdadeira praga. Eles praticamente a
institucionalizaram e não se sentem nem um pouco constrangidos
em afirmar que ela é uma necessidade. E, assim, a grande
maioria das pessoas mente.
Então, existem homens que se autodenominam judeus, mas que
de judeus não têm absolutamente nada, porque, se eles
assim o fossem, seriam discípulos de Jesus. Podem, no máximo,
se auto-intitular sionistas. Isto porque judaísmo e sionismo
são coisas aparentemente semelhantes, mas totalmente diferentes
na realidade. É como espírito e matéria. Jesus,
o Verdadeiro judeu, é o reformador do judaísmo. O
que Ele fez foi espiritualizar o judaísmo e, a partir daí,
começou a ser seguido. Inicialmente, em sua grande maioria,
pelos próprios judeus, depois pelos gregos, romanos e, com
o tempo, pelos povos de todas as regiões que se identificaram
com Seus ensinos e que se tornaram cristãos. Só que,
a partir de então, com a política e com os interesses
pessoais as coisas mudaram. E, paradoxalmente, nunca houve tantas
igrejas que se auto-denominam cristãs, as quais existem aos
milhões, mas que estão longe de ensinar e praticar
a Lei Maior do Divino Mestre Jesus, que é o amor... E se
eles não permitem às pessoas sequer expressar suas
idéias, imagine então amar...
AH Mas, afinal, com tantos esclarecimentos sobre a diferença
entre judaísmo e sionismo e sobre os objetivos da própria
publicação, e, além disso, com o arquivamento
do inquérito, os judeus compreenderam a função
da Humanus? Se aproximaram?
PS Aí eu posso responder com uma música, a
senhora toca violão?
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Risos
tomaram conta do recinto. Maria da Glória, meio corada,
respondeu que não. Mas, mesmo assim, o Mestre mandou
providenciar um. E quando ele chegou...
|
PS
- Tem uma boa música do Moraes Moreira que dá
para responder sua pergunta. Mas só que não sou eu
que vou cantar, porque eu só canto para trazer Chamadas.

AH
- Chamadas?
PS - Chamadas são cânticos iniciáticos
trazidos durante o ritual religioso da União do Vegetal.
E, para trazer as Chamadas, é preciso um Cháman, ou
seja, o homem do chá. Eu sou o único Chá-man
que eu conheço. Tem uns antropólogos aí nas
universidades que vivem chamando a atenção das pessoas,
daí então chaman, chaman, mas não
acontece nada ou só acontece na cabeça deles. E a
palavra é uma coisa bem perigosa. Ela é uma verdadeira
chama. Dependendo do que a pessoa chama, ela pode até se
queimar.
Mas quem é boa para cantar mesmo é a Daniele. E, além
disso, ela vem acompanhando todos os acontecimentos. Canta aquela
música dos sinais.
|
Gente,
de repente nos lembramos de que aquela figura toda séria
era a Narizinho do Sítio do Pica-Pau-Amarelo em pessoa.
E começou a cantar...
Eu
fui beber na fonte, eu fui comer no pé.
Você me pede que eu lhe conte mas eu não digo
onde é.
Aqui já não me engano, pois tenho fé
seu moço
e já não falo de oceano para quem vive no poço.
A fé, a fonte, a ponte, o pé,
você me pede que eu lhe conte mas eu não digo
onde é.
Agora estou na minha, brincadeira tem hora.
Já não derramo a farinha nem jogo mais conversa
fora.
Que pena, sua antena não captou sinais.
Agora você me acena por trás dos Montes Sinais.
Ai, ai, que pena são tantos ais.
Agora você me acena por trás dos Montes Sinais.
|
PS
Então é isso aí, depois de tantos ais,
depois de tanto trabalho para poder contar as histórias que
não estão na História, ainda tivemos que ser
alvo da ignorância e da infâmia. Mas tudo é bom,
porque, se não fossem esses acontecimentos, essa conversa
que estamos tendo agora não existiria. Mas, se é isso
que a senhora está querendo, eu já adianto que revelar
a causa de tanta resistência assim, na bandeja, não
será possível. Continue lendo a revista...
AH Mestre, com licença de fazer um aparte, mas
com relação àquela questão do gelo da
imprensa, nem com a atriz que interpretou a Narizinho fazendo parte
da equipe da revista, uma figura tão marcante na memória
de todos, adorada pelas crianças, nem assim a mídia
deu espaço?
PS Aí deve ser porque eles têm inveja dela,
porque ela é Narizinho e eles são narigudos.
AH O que vocês têm feito para se defender?
PS Temos editado a revista ininterruptamente, seguindo o
ensinamento de que a defesa contra o mal é a prática
do Bem. E é lamentável que eles tenham reagido
daquela forma, porque, como dizia Nietzsche, em todas as
instituições onde não corre o ar penetrante
da crítica pública, uma corrupção grela
como um cogumelo.
Mas voltando a três perguntas atrás, interessante é
que além de eles não terem ainda se dado conta do
que realmente a Humanus lhes está mostrando em relação
a todas as ideologias e não terem procurado fazer um auto-exame
e se aproximarem, aconteceu que alguns ex-integrantes da equipe
da revista não conseguiram sustentar as convicções
expressas na Humanus, com as quais tiveram afinidade por
um breve período de lucidez e acabaram se afastando ou tiveram
que ser afastados. Isso se deu justamente por não terem conseguido
resistir ao intenso nível de pressão normalmente feito
sobre quem decide bater de frente com o sistema e colocar a verdade
em primeiro lugar. Em síntese, foram débeis. Porém,
a debilidade é uma das características humanas que,
apesar de ser negativa, é digna de misericórdia. Se
os débeis se lembrassem de que transitórios são
todos os estados mentais, seria mais fácil para eles ter
coragem e persistência para lutar. No entanto, são
semelhantes aos suicidas que acreditam serem perpétuos aqueles
momentos de intensa dor e desespero que antecedem o ato de fuga
da realidade da vida. Esquecem-se de que os estados de espírito
cambiam e que, com um pouco mais de paciência, contando até
cem ou quem sabe até mil, tudo pode ser diferente. Infelizmente
eles não conseguiram fazer uma metanóia, não
conseguiram transformar a tristeza, a dificuldade, a prova, numa
semente de fortalecimento e de realização. O débil
é um apressado que realiza um extraordinário prodígio:
quanto mais débil, mais inferiorizado, e quanto mais inferiorizado,
mais orgulhoso. A debilidade alimenta a inferioridade, a inferioridade
aumenta a dificuldade do reconhecimento dos erros, e esta, por sua
vez, se transforma em orgulho. Resumindo, trata-se de uma verdadeira
alquimia do diabo.
Mas eu vejo essa triagem de pessoas como um processo natural: é
como separar o joio do trigo. E o grau de exigência de conduta
e retidão de caráter que é cobrado de todos
que fazem parte desse trabalho que não compreende somente
a Humanus, não será amenizado. Mesmo que as
dificuldades resultantes desse grau de exigência possam vir
a acarretar uma sobrecarga aos mais conscientes do tamanho dessa
responsabilidade, isto não será motivo capaz de desviar
o rumo já previamente traçado para essa Obra. Ao contrário,
será motivo de maior resistência no sentido de que,
em primeiro lugar, esteja sempre a verdade. Então, nosso
processo é dinâmico, orgânico, e vem evoluindo
permanentemente, principalmente porque para fazer certas afirmações
é necessário que se tenha lastro, e isso se conquista
com a prática do Bem. Por esse caminho, com certeza, a pessoa
deixará de ser débil. Então, da mesma forma
que é uma necessidade desmascarar e nomear os débeis
de todos os tempos, é também uma necessidade reconhecer
e prestar homenagem aos homens que, em suas existências, ultrapassaram
os limites do óbvio, do vulgar, e buscaram o essencial: homens
dotados de inteligência, sensibilidade e determinação,
que não se deixaram titerar e nem manipular; homens que até
se entregaram em holocausto como prova de amor e fidelidade à
verdade. Enfim, humanos que deixaram gravada na História
uma trajetória de vida permeada de sentimentos e atitudes
elevadas e altruístas. Estes, que, propositadamente, são
marginalizados e esquecidos pela mídia do sistema,
são contemplados na Humanus com artigos que expõem
a verdade sobre suas vidas e obras. É o caso de Nicola Tesla,
Michael Ende, Martin Lutero, Lampião, Nicolau II, Arno Breker,
Tupac Amaru, Ezra Pound, entre outros. São eles paradigmas
de seres humanos, e ainda que com suas humanas imperfeições,
são dotados do atributo propulsor de uma das maiores qualidades
do homem: a dignidade.
AH Quer dizer que alguns participantes desse trabalho,
aqueles de ascendência judaica, não fazem mais parte
do projeto?
PS Alguns não. Mas por que o espanto? A senhora está
considerando isso uma derrota?
AH É...confesso que sim.
PS Em verdade eu digo que se trata de uma confirmação
dele e, portanto, mais uma vitória.
AH Muitas pessoas ainda têm preconceito contra a
Humanus?
PS Graças a Deus, não. Apenas uma minoria ainda
não teve a graça de sentir o sabor de viver livre
do cativeiro que é o preconceito. Alegra-nos tomar conhecimento
do crescente número de pessoas da América do Sul,
dos Estados Unidos e da Europa que vêm se aproximando. Quanto
aos outros, como dizem nossos amigos John Lennon e Yoko Ono, que
inclusive estarão marcando presença na Humanus
V (vol. II), esperamos que algum dia eles se unam a nós,
e o mundo será Um.

AH
E agora vamos falar sobre o GEH. Essa é uma alternativa
de divulgação da Humanus?
PS Também. A formação do GEH vem servir
principalmente para divulgar a revista e colocar em debate planetário
os temas nela abordados. É mais uma alternativa de comunicação,
que pode levar nossa mensagem a um número grande de pessoas,
proporcionando a elas condições de exporem suas opiniões,
idéias, sugestões, apresentarem textos inéditos;
enfim, trata-se de um Fórum apropriado para seres humanos
que estão interessados em se aperfeiçoar na arte real
da vida.
AH O que é o GEH?
PS O GEH é uma comunidade oficial da revista Humanus,
um sítio com dezenas de artigos do anuário disponíveis,
na íntegra, para leitura e que possui um Fórum que
não é de debates: é um Fórum de aprendizagem.
A pessoa se depara ali com textos e mensagens que ela não
encontra em nenhum outro lugar. Próprios para a reflexão,
para o despertar, para descobrir o caminho que conduz à Verdade.
Podemos considerar o sítio do GEH um ponto de encontro entre
todas as pessoas que estão buscando respostas essenciais
para a vida, que estão precisando de um norte, de um referencial
equilibrado e real e que estão completamente enojadas da
mesmice da mídia do sistema. Em síntese, trata-se
de um espaço apropriado para quem quer aprender. Além
disso, é uma forma de os leitores que se sentem sensibilizados
com essa obra se envolverem mais com o trabalho que vem sendo feito.
Porque, como eu já disse, nós não fazemos isso
por dinheiro e tampouco por vaidade. Trabalhamos para os humanos
visando esclarecê-los e encorajá-los, através
do exemplo, a se opor de forma consciente e consistente a um sistema
desumano e confundidor. Então, o GEH é uma forma de
cada um fazer a sua parte, uma vez que a continuidade da publicação
da Humanus depende disso. Na verdade, sem esse envolvimento
a existência dessa revista não teria sentido. Ela existe
justamente para reunir e unir as pessoas que não estão
satisfeitas e se sentem agredidas pelo sistema que acabei de citar.
E isso é necessário que aconteça o mais breve
possível até por uma questão de sobrevivência.
Até aqui nós já fizemos todo o possível.
Só não fizemos o impossível porque essa palavra
não existe em nosso vocabulário. E o nosso trabalho
está sendo realizado com um número reduzido de pessoas,
as quais não mediram esforços para realizar tudo que
até aqui está feito. Conforme eu já disse,
existe uma ampla biblioteca que foi pacientemente formada ao longo
de trinta anos, existe este prédio com 2.000m2 de construção
no qual os senhores se encontram, existe um grupo unido e convicto
de pessoas que partilham do mesmo ideal nas mais diversas áreas
do conhecimento e uma sólida estrutura montada de forma organizada,
eficiente e profissional; enfim, está tudo bem adiantado,
o mais difícil já foi feito. Agora é só
manter, dar continuidade. É minha vontade que todos façam
o melhor proveito possível.
AH A Sama tem condições de dar respaldo
a todos que se interessarem em realizar algum trabalho voluntário
com relação à revista, fornecendo material
necessário, dando suporte, respondendo dúvidas?
PS Com certeza. A equipe da Sama está e sempre estará
a postos nesse sentido, mesmo porque aqui são todos bem dispostos.
Esperamos que o GEH cumpra o objetivo de iniciar um intercâmbio
de informações, estreitar os vínculos entre
os humanos e, com isso, estimular e encorajar ações
cuja finalidade seja contribuir de forma prática para provocar
uma real melhora nas condições de vida dos homens.
AH As universidades, enquanto instituições
de ensino, poderiam fazer parte desses grupos?
PS Ana Carola, por gentileza, abre o dicionário que
está ali naquela estante na palavra universidade.
|
Esta
moça, membro do Conselho Editorial da Humanus
e Correspondente na Bolívia, dirigiu-se até
a estante indicada, abriu o dicionário e leu num bom
'portunhol' a seguinte definição: "Instituição
de ensino superior que compreende um conjunto de faculdades
ou escolas para a especialização profissional
e científica, e tem por função precípua
garantir a conservação e o progresso nos diversos
ramos do conhecimento, pelo ensino e pela pesquisa."
E nosso entrevistado continua...
|
PS É pena que essa definição
seja apenas tinta em papel. Se formos analisar os estatutos das
universidades, chegaremos à conclusão de que a Humanus
deveria ser leitura obrigatória em todas elas. Afinal, desde
o surgimento das universidades no século XII na Itália
e das sucessivas fundações na França, Inglaterra,
Alemanha, Áustria, estas sempre tiveram o escopo de conferir
graus mais elevados de compreensão nos estudos jurídicos,
filosóficos, científicos, religiosos, tendo sempre
um papel importante nas consideradas lutas religiosas e também
no campo político e social. E para isso sempre se teve, dentro
delas, o acesso e o incentivo à leitura de obras literárias
de todas as linhas possíveis e imagináveis, uma vez
que o objetivo era ampliar conhecimentos e provocar mudanças
sociais. Acontece que, sintomaticamente, com a implantação
da democracia a ferro e fogo, isso foi ficando cada
vez mais utópico. Assim, como já foi dito no artigo
O universo das universidades, da Humanus IV, esses
locais de estudos, hoje em dia, são mega-empresas altamente
rentáveis nas mãos dos programadores, os quais manipulam
como querem essas máquinas de fabricar diplomas e esses seres
robóticos e passivos. Eles não querem mesmo que a
Humanus circule nas universidades porque estaria sujeito
a acontecer algum fenômeno de imprevisíveis desdobramentos.
Por exemplo, em quem o senhor votou?
|
Pego
de surpresa, Otávio, o mais desconfiado entre nós,
que não fez nenhuma pergunta durante a entrevista,
só ficou observando, respondeu em voz baixa: "No
Lula".
|
PS - E a senhora?
|
Luciana
respondeu que foi no Lula. E assim, sucessivamente, o Mestre
perguntou para todos nós, Amigos da Humanus,
e apenas dois haviam votado em branco; todos os outros responderam
que votaram no Lula.
|
PS E o que os fez votar no candidato empossado? Suas promessas
de extinção da dívida externa e de recálculo
da mesma? Sua promessa de fixar os juros em 1%? Afirmações
fervorosas de que o salário estava achatado, o trabalhador
explorado e que ele resolveria isso? É porque acreditaram
que ele fosse resolver o problema da fome? Acharam que ele era rebelde,
revolucionário, de esquerda? Ai, ai... Como se vê,
mesmo os senhores tendo lido os quatro volumes da Humanus,
que eu estou sabendo que leram, foram convencidos, pela manipulação
da mídia, de que todas essas mentiras eram verdades!
No entanto, eu tenho certeza de que se as universidades estivessem
tendo a humildade e a coragem de adotar a leitura da Humanus
em seus cursos, e debater seu conteúdo em sala de aula de
forma responsável, os senhores não teriam se enganado.
AH
- Quem seria um bom presidente para o senhor?
PS
- Para uma pessoa ser um presidente de verdade a condição
necessária, e mais importante, é não mentir.
|
Explosivas
gargalhadas invadiram o recinto.
|

AH - O senhor deve estar brincando. Isso é praticamente
impossível.
PS
- Bom, meus discípulos não mentem, mesmo porque,
nos Boletins da Consciência da União do Vegetal, a
mentira é passível de punição. Os ex-mentirosos
que o digam.
|
Mais
risos no recinto. Conforme já mencionamos estavam presentes
durante a entrevista diversos discípulos da União
do Vegetal que ouviam atentamente tudo que conversávamos.
|
AH
O senhor está querendo dizer com isso que o presidente
tem que ser seu discípulo?
PS Tu o dizes.
AH Além da Unicamp, que nós já sabemos,
qual a postura das universidades em relação à
Humanus?
PS Não posso negar que me entristece ver que os maiores
interessados, que são os mais atingidos, não estão
tão ocupados com a programação a que estão
submetidos. Pelo contrário, estão tão iludidos
e anestesiados que muitas vezes saem em defesa de algo que está
prejudicando sua evolução e a da humanidade. Uns por
medo, covardia, comodidade, ignorância, como é o caso
dos universitários, e outros por orgulho, interesses pessoais
e até mesmo maldade. Com relação a essa universidade
que o senhor citou, tudo o que precisava ser dito sobre ela já
está registrado na Humanus IV. E, com relação
às demais, existem várias universidades no Brasil
que, anualmente, compram ou nos enviam ofício, solicitando
doação das revistas para suas bibliotecas. Mas, pela
importância do trabalho que vem sendo realizado, as demonstrações
de reconhecimento do mesmo por estas instituições
ainda são consideradas pálidas. Resumindo, em âmbito
universitário podemos constatar uma reação
primária.
AH Qual é o público-alvo da Humanus?
PS A resposta dessa pergunta é a abertura da Humanus
V, que diz mais ou menos assim:
Um livro de arte não é amado senão
pelos espíritos sensíveis; a eles é que se
deve oferecer a divina flor...
São eles os únicos capazes de aspirar esse perfume
vindo dos jardins remotos da eternidade.
Só eles sabem amar as tragédias que não viveram;
chorar sobre dores que não são suas; porque umas e
outras lhes foram ditas em uma linguagem poética na qual
reconheceram a voz de um espírito irmão fazendo-lhes
confidências de uma região acessível unicamente
aos Humanus.
E este é um livro de arte perigoso por causa de sua coragem.
AH Já faz algum tempo, em algum volume da Humanus,
houve uma ameaça de publicá-la em espanhol, em inglês
e até em hebraico. É verdade isso? Esse trabalho está
sendo feito?
PS É, eu costumo dizer que tudo, antes de existir
no plano físico, antes de se manifestar na matéria,
existe na imaginação. Conforme meu testemunho no dia
da inauguração da nossa nova sede, sempre foi e é
nossa vontade ampliarmos o alcance de nossa voz através da
edição e circulação da revista Humanus
em âmbito mundial. E queremos ver o florescimento dela em
diversos países. É fundamental para a saúde
da raça humana a existência de um meio de comunicação
independente, que provoque reflexões e revisões capazes
de realizar em cada um uma transformação e inaugurar
uma nova concepção de vida, que consiste em ouvir,
reconhecer e seguir a única e legítima ordem de comando,
que é a voz da consciência. E os obstáculos
serão vencidos à medida que ampliarmos nosso conhecimento
sobre a natureza dos mesmos. De nossa parte, a Humanus I
já está traduzida na íntegra para a língua
espanhola, e diversos artigos dos demais números já
estão traduzidos para o espanhol e para o inglês. Mas
a publicação da revista em outro idioma, apesar de
ainda não ser uma coisa concreta, aos poucos vem se tornando
um imperativo para todos os envolvidos, principalmente devido ao
aumento de humanos que vivem em outros países interessados
nessa obra. Então é uma questão de tempo. Tudo
que eu construí no plano físico existiu primeiro na
minha imaginação. Este prédio, por exemplo,
eu demorei vinte anos para construir, mesmo porque todos os prefeitos
dessa cidade, durante esse tempo, fizeram de tudo para que ele não
existisse. Tentaram impedir o máximo que puderam. Mas eu
fiz igual à história da tartaruga do Amazonas que
estava andando tranqüilamente pela floresta, perto de Porto
Velho, num lugar chamado Jaru. Era uma tartaruga igual às
outras: paciente. E aí, lá vinha ela caminhando quando,
de repente, caiu uma árvore em cima dela, tentando impedir
sua caminhada. E, quando aconteceu isso, ela simplesmente esperou
a árvore apodrecer e depois continuou o seu caminho.
|
A
cada resposta nos surpreendíamos mais com esse nosso
enigmático, arrebatador e bem humorado entrevistado.
Realmente, é impossível se manter num estado
de indiferença e de monotonia estando em sua presença.
|
AH
- E qual a previsão para isso acontecer? Pelo menos no caso
da publicação da revista em espanhol ou inglês,
já que estas traduções já estão
mais adiantadas?
PS
- Bom, eu sou o Mestre, mas não sou profeta. Profeta
é João Batista. Confio que o mais breve possível.
|
Luciana,
que era, de todos nós, uma das mais interessadas nos
assuntos que dizem respeito à União do Vegetal;
que devorou todos os artigos sobre esse assunto; que estava
ensaiando uma aproximação há tempos;
e que não parava de falar durante a viagem para Campinas
sobre sua apreensão diante do fato de estar na presença
de um Mestre, nesse momento, não resistiu mais e interrompeu
o assunto de forma intempestiva. E, embora estando um pouco
receosa, falou...
|

AH
Afinal, qual a relação da revista com a União
do Vegetal?
PS Antes de mais nada, a Humanus é filha dos
segredos e mistérios trazidos pela Oaska, essa fonte de Conhecimento,
onde estão gravadas todas as revelações sobre
a vida, sobre as Leis Divinas, o Universo e a eternidade. Sem o
poder e a capacidade desse chá de trazer os homens das trevas
para a luz, da ignorância para o conhecimento e da ilusão
para a realidade, a Humanus não existiria.
Sendo assim, a maioria dos voluntários, colaboradores e pessoas
que contribuíram e contribuem para a divulgação
e realização dessa revista são meus discípulos.
Tanto os que já estavam freqüentando a União
do Vegetal antes do seu lançamento quanto os que chegaram
por causa dela. São pessoas que já pertenceram a todas
as correntes políticas e ideológicas e já foram
crentes das mais variadas religiões, inclusive a do ateísmo.
Então, a União do Vegetal é como um corpo onde
circulam todos os tipos sanguíneos sem nenhuma incompatibilidade,
e esse mesmo corpo possui um cérebro que pode refletir sobre
todas as correntes de pensamentos com uma luz projetada no até
então obscuro e desconhecido mundo interior do homem, o que
é proporcionado a cada um que bebe o chá. E, nesse
corpo, tudo é submetido ao filtro do coração,
resultando na forma de expressão mais sincera possível.
AH E isso não contraria a afirmação
de que a Humanus é uma revista desvinculada política,
ideológica e religiosamente? Afinal, a União do Vegetal
não é uma religião?
PS A resposta está na sua pergunta. É só
tirar a interrogação. Antes de tudo, a União
do Vegetal é um chá misterioso. Essa questão
de religião ficou tão desgastada e vulgar que chegou
mesmo a perder completamente seu sentido original, que é
a religação com o sagrado. E essa religação,
sem sombra de dúvida, acontece com todos que bebem esse fogo
líqüido. Quem sente sabe. Mas, com certeza absoluta,
não acontece nas consideradas religiões institucionalizadas.
O chá exerce um efeito disciplinador, exorcístico,
profilático e purificador. A senhora há de convir
que isso não tem nada a ver com a religião que eles
professam por aí. Se assim fosse, o mundo não estaria
nesse estado de decadência e atraso espiritual em que se encontra,
chegando às raias da brutalidade animal.
Por isso eu prefiro dizer que a União do Vegetal é
uma escola de educação ampla e integral, onde a pessoa
pode educar os seus pensamentos, saber da responsabilidade de fazer
o uso da palavra e utilizá-la de forma equilibrada e elevada,
e pode ainda aprender a ter um comportamento verdadeiramente humano,
capaz de lhe permitir praticar a mais cortês urbanidade, mesmo
vivendo numa selva de pedra com os mais raros faunos da espécie
humana.
AH E as pessoas têm medo de sentir isso?! Por que
tão poucas pessoas fazem parte da União do Vegetal?
PS Aaaaah... Com certeza as pessoas têm medo disso,
ou melhor, vamos dizer que tinham. E de fato eu sei que é
preciso coragem para repensar valores e conceitos equivocados, demolir
mitos, abandonar ritos vazios, se limpar. Mas para os que conseguem
ultrapassar a linha tênue e decisiva do questionamento lógico
para a entrega confiante é possível verdadeiramente
se deparar com o paraíso. Então, para quem gosta de
Mistério, não existe nada melhor do que beber a Oaska.
E nada impede alguém de se permitir essa experiência.
Não é crime nem pecado; pelo contrário, é
uma graça, e comprovadamente faz bem para a saúde,
deixa a pessoa mais inteligente. Deus não fica bravo com
ela se ela beber o chá, independente do nome do Deus, que
pode ser Tupã, Alah, Zeus, O Grande Arquiteto do Universo.
E isso é o que importa para um livre pensador, livre no sentido
de poder pensar, agir e falar com liberdade.
AH Espero que o senhor compreenda a insistência,
mas é que realmente estava ficando impossível não
entrar nesse assunto especificamente. É que não podemos
nos esquecer de que estamos falando com o Mestre da União
do Vegetal, mesmo porque isso é impossível estando
na presença do senhor. Sabemos que esta entrevista é
sobre o GEH e a Humanus, mas também não podemos
perder a oportunidade de estar diante de um Mestre e não
perguntar nada sobre esse assunto e sobre essa condição
tão...tão... Bom, há momentos atrás,
enquanto o senhor falava, eu me lembrei de uma música que
diz: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...
Afinal, qual o sabor de ser um Mestre?
|
Observamos
que a expressão do Mestre, nesse momento, tornou-se
subitamente estranha. Não sei se é possível
definir de forma que se possa ter uma real idéia do
que presenciamos, mas, de qualquer forma, ela tornou-se mais
radiosa e ao mesmo tempo reflexiva.
|
PS - É o de quem se sente espetado por um espinho
e se depara com uma gota de sangue. A seguir, contempla uma rosa
e esquece o espinho porque está vendo como a rosa é
bela.
É o de quem se sente espetado por um espinho e se depara
com uma gota de sangue. A seguir contempla uma rosa e esquece o
espinho porque está vendo como a rosa é bela.
E depois sorri, porque o sabor de ser um Mestre é saber de
onde vem a rosa.
|
Ressaltamos
que, de fato, o Mestre repetiu duas vezes a frase completa.
Não se trata de um erro de digitação.
Benjamin, durante uma das reuniões de montagem desta
entrevista por nós, realizadas em sua casa em São
Paulo, insistia: Não posso deixar de dar meu
depoimento sobre esse momento! E aí está.
Nesse momento, tive a impressão de que o tempo
havia mudado. Fiquei mais sensível à beleza
do lindo dia e senti o sol aconchegante e radioso entrar pelas
janelas, formando uma estranha sinfonia com as palavras do
Mestre. As dúvidas e julgamentos, que por diversos
momentos assumo que tive, se dissiparam e experimentei uma
sensação de tranqüilidade e confiança
que penso que nunca havia experimentado. Incrível,
minha cabeça ficou quieta!... Eu, um jovem estudante
de filosofia, confuso e cheio de questionamentos, fiquei com
os pensamentos quietos!!!
Enquanto ainda me sentia nesse estado diferente e refletia
sobre a metáfora da rosa, olhei nos olhos penetrantes
de nosso entrevistado e foi como se estivesse olhando para
dentro de mim mesmo. Já não ouvia mais o que
estava sendo dito entre as pessoas... De repente, alguma coisa
aconteceu lá na sala, que eu não consegui entender
direito, mas sei que foi como se um relâmpago tivesse
invadido o local, e, coincidentemente, alguém estava
tirando uma foto com flash. Em seguida, foi como se um trovão
ecoasse no recinto. Muito assustado, me senti como que despertado
bruscamente de um sonho. E eis que percebo que o trovão
era a própria voz do Mestre. Sem explicação
lógica ou filosófica, num instante de excepcional
presença de espírito e por sorte porque
seria impossível o Pablo anotar tudo que nesse instante
ouvimos consegui apertar a tecla do meu gravador, que
estava desligado nesse momento, e ouço as seguintes
palavras que eram proferidas em um tom e forma até
então por mim nunca visto:
|
PS
- O alimento de todos esses acontecimentos, de todas essas realizações
e, inclusive, desse momento é o mistério. Porque,
quando a pessoa pensa que não está acontecendo nada,
na realidade está acontecendo tudo. Quanto mais consciente
se torna o homem, mais aumenta o seu bem-estar diante do permanente
paradoxo da existência. É como este jovem, tirando
essas fotos: enquanto eu sei que consegui entrar no espelho, que
eu vivo neste espelho, que eu sou UM com este espelho, de que serve
alguém fotografar um espelho?
Então, a nossa relação, ao mesmo tempo em que
pressupõe situações diferentes, ou seja, eu
como Mestre e os senhores como discípulos, é apenas
uma questão de ponto de vista. Ou seja, mais um paradoxo.
Eu estou aqui? Eu, o Mestre, estou aqui e os senhores estão
aí?
|
Exatamente
aqui, nesse ponto, o Mestre olha para mim e diz: "onde
o senhor está?".
"Eu,
paralisado, ouço novamente a mesma pergunta: 'O
senhor, onde está?' Sentindo-me apertado, aperto
novamente, sem saber porque, a tecla do gravador, desligando-o,
e respondo: 'eu estou aqui'. Rapidamente o Mestre diz:
'Não senhor. O senhor não está aqui,
quem está aqui sou eu, o senhor está aí.'
Continuei quieto, estático. E ele continuou":
|
PS - Então, tudo é uma questão de sintonia.
Todo esse trabalho realizado tem como objetivo aparar as arestas
do ego e eliminar as escórias da vaidade, a fim de não
precisarmos filosofar sobre quem está aqui ou quem está
aí. Quanto mais avançarmos no sentido de alcançar
grau espiritual, mais nos sentiremos todos no mesmo lugar. Eu lhes
garanto ser isso humanamente possível. E o Mestre é
um referencial, um estado de espírito capaz de afastar da
pessoa as tendências inferiores e despertar suas aspirações
mais elevadas, fazendo cada um se sentir UM na medida em que a confiança
aumenta e os questionamentos são transcendidos.
|
Impressionante.
Estarrecedor. É como se ele estivesse traduzindo em
palavras exatamente tudo que eu sentia. Conforme eu sentia
ele falava. E, sinceramente, o sentimento que me veio é
que eu e o Mestre nos tornamos Um nesse momento. Será
que é isso que as pessoas sentem durante as sessões
da União do Vegetal? Será essa a força
estranha de que se fala nas obras sobre a União do
Vegetal? Mas, quando me dei conta, a entrevista continuava,
e o Málcio, que, com certeza, não estava sentindo
o que eu estava sentindo, pergunta:
|
AH - Qual a matéria mais bombástica da próxima
Humanus?
|
O
Mestre fez uma prolongada pausa. Dirigiu um olhar penetrante
para o Málcio e deu-nos a impressão de que já
o conhecia. E depois respondeu:
|
PS - Essa é verdadeiramente uma pergunta
difícil de responder. Quem sabe Lampião, o Capitão
do Nordeste, que homenageia a vida de um homem corajoso que,
durante quase um século, foi considerado um bandido; Nicolau
II, Rasputin e a Revolução contra a Rússia;
ou Um vulcão chamado Lutero?...

AH
- Quem tem medo da Humanus?
PS
- Quem tem medo da verdade.
|
Málcio,
nosso veterano, num rompante inesperado, dirige-se ao entrevistado
|
AH - Do jeito que o senhor fala, até parece que o senhor
é o dono da verdade!
|
Caro
amigo. Não seria possível, em palavras, expressar
o que, nesse momento, aconteceu. É como tentar dizer
o indizível.
Mas, de alguma forma, eu, Felícia, tentarei descrever
esse momento, que todos nós consideramos o mais impressionante
de toda essa entrevista. Seu impacto foi de tamanha força
que de lá para cá podemos dizer que algo de
definitivo mudou em nossas vidas. Mesmo que de diferentes
formas, todos foram abalados até às estruturas
com esse acontecimento simplesmente inesquecível.
Ao final dessas palavras de Málcio, formou-se um silêncio
aterrador na sala. A única coisa que se podia ouvir
eram os corações batendo descompassados e em
ritmo acelerado. Olhei para o Mestre e tive a nítida
impressão de que ele era um ancião, não
pelos seus traços, mas, principalmente pelo seu olhar.
Na verdade, não me sinto em condições
de descrever o que significou seu olhar nesse momento, mas
sei que seus olhos tornaram-se subitamente maiores, mais brilhantes
e profundamente sérios, graves.
A apreensão e o suspense eram gerais e evidentes, mas
ninguém se atrevia a pronunciar uma palavra sequer.
Para mim, e imagino que para todos, aqueles minutos pareceram
uma eternidade: uns estavam totalmente inebriados pela situação,
outros num visível estado de vigilância, prontos
para reagirem ao menor sinal do Mestre, e outros ainda temerosos
de uma reação imprevisível dirigida diretamente
a eles. Sem conseguir sustentar o olhar nos olhos do Mestre
por mais que alguns segundos, procurei observar as demais
pessoas ali presentes. O que vi foi único. Nenhuma
daquelas expressões, eu, como artesã e boa observadora,
vi em lugar nenhum e nem em nenhuma obra de arte.
Percebi que, apesar de não ser algo absolutamente visível,
o Mestre percorreu por todos os olhares e, ao encontrar o
meu, me senti nua. Meu Deus, eu pensei, o
que está acontecendo aqui? O que é que eu vim
fazer aqui? E, em seguida, o Mestre dirigiu seu olhar para
o Málcio, visivelmente trêmulo, mas fazendo de
tudo para não demonstrar, e, inacreditavelmente, pareceu-me
que um fio de luz se formou entre os dois, que se olhavam
fixamente. Nesse exato momento, tudo é interrompido
pelo estrondo de uma forte batida entre dois veículos
que passavam pela avenida em frente ao prédio.
Não tentarei descrever aqui as reações
ali ocorridas, mas ouvimos, em seguida, uma voz imperativa
que disse: Calma, podem sentar-se que o Mestre não
encerrou. Fizemos isso. Olhei para a pessoa que disse
essas palavras e surpreendi-me, pois tratava-se da Cibele,
uma moça bem jovem, de no máximo 19 anos, e
que, por isso mesmo, não correspondia com a segurança
e seriedade de sua voz. É ela quem faz o atendimento
ao leitor da Humanus e foi exatamente através
dela que fizemos todos os contatos para chegar até
a Sama. O Mestre pediu um copo dágua, que foi
servido pronta e respeitosamente (como eu nunca havia visto
antes) por uma discípula; bebeu-a tranqüilamente
e, para surpresa geral, sorriu para Málcio. E não
posso deixar de dizer que, por mais inacreditável,
paradoxal e exagerado que pareça, tive a nítida
visão de um menino no rosto do Mestre. E ele respondeu,
de forma pausada, com a autoridade de quem inegavelmente é
superior:
|
PS - Quando o senhor proferiu sua... afirmação,
eu me lembrei de uma insolente sentença que eu ouvi quando
estive pela primeira vez no Paraíso. Eu ouvi uma voz que
disse:
"A mentira e a Verdade são preconceitos de Deus."
Sabe quem estava falando? A serpente.
|
O
Mestre, em seguida, solicitou que fosse servida água
para todos. Nós bebemos e foi reconfortante. Disse
então que podíamos continuar. E só nos
foi possível fazer as perguntas rápidas, o famoso
pingue-pongue, que havíamos programado para o final
da entrevista.
|
AH
- Se a Humanus fosse uma canção, qual seria?
PS
- Um trovão anunciando um raio; um raio iluminando a
madrugada; e uma brisa soprando à beira mar.
AH
- Um sonho?
PS
- O sonho é sempre um prenúncio da realidade para
a mãe da paciência: a vontade.
AH
- Um castigo?
PS
- G. W. B.
AH
- Uma praga?
PS
- A usura.
AH
- Uma bênção?
PS
- Que todas as aspirações justas se realizem.
AH
- Uma frase?
PS
- A Oração dos Humanus:
"Perdoai-nos
as nossas virtudes!
É a oração que se deve rezar aos homens."
PS - Só que essa não é minha, é
de Nietzsche.
AH
- Um homem?
PS
- Um Humanus.

|