Sobre o GEH

 

Ao enviarmos um comunicado de inauguração do sítio do GEH – Grupos de Estudos Humanus – para diversos leitores e amigos da Humanus, tivemos uma boa receptividade. E, para nossa satisfação, vários admiradores confessos da revista aderiram imediatamente à proposta e colocaram-se à disposição para contribuir no que estivesse ao alcance de suas possibilidades. E o GEH já se consolidou. Felicitamos aos corajosos!
Alguns amigos da Humanus da cidade de São Paulo, que vêm assistindo e acompanhando esses nossos cinco anos de luta incansável em prol da publicação da Revista, assim que receberam a notícia do GEH decidiram reunir-se e manifestar, perante à Sama Multimídia, a irresistível vontade que vinham sentindo de conhecer os bastidores de nossa produção. Entraram em contato conosco e fizeram uma proposta de realizar uma entrevista com o idealizador do anuário cultural Humanus.
A proposta foi aceita e Joaquim José de Andrade Neto, também Presidente da Sama Multimídia e Mestre Geral Representante da União do Vegetal, recebeu os entrevistadores na nova sede da Editora e concedeu uma esclarecedora e surpreendente entrevista sobre os objetivos da Humanus, do GEH e muito mais...
Assim, toda a equipe da Sama foi contemplada com a presença de um grupo de jovens, em sua maioria, sensíveis e que demonstraram reconhecimento por nosso trabalho de forma tão sincera e intensa que não podemos deixar de considerar este acontecimento um marco na história da Sama, sentindo-nos verdadeiramente gratificados.
O que se verá a seguir não é uma entrevista típica da imprensa do sistema, mas imperdíveis momentos de pura emoção, humor, suspense, sabedoria e esclarecimentos.
Saiba tudo que você sempre quis saber sobre a publicação mais polêmica do mundo!
Boa viagem...

Sama Multimídia Educação e Arte

 

Somos:

Benjamin - Estudante de filosofia
Felícia - Artesã
Luciana - Jornalista
Otávio - Físico
Pablo - Músico
Málcio - Médico Legista
Maria da Glória - Jornalista


Agradecemos à Sama Multimídia pela surpresa de divulgar essa entrevista através do sítio do GEH e da Humanus deste ano. Na verdade, quase não podemos acreditar em tudo isso que está acontecendo.
Somos um grupo de pessoas, alguns universitários e outros já formados em diferentes áreas que, desde o lançamento do primeiro volume deste anuário, está perplexo com o conteúdo e com a apresentação desta obra praticamente inacreditável. Alguns de nós já haviam entrado em contato com a redação através de e-mails e recebido, com alegria, o comunicado da formação do GEH, fato que consideramos uma grande coincidência. Isso porque, sem nos darmos conta e de forma espontânea, já formávamos, na verdade, um grupo de estudos da Humanus. Sempre conversávamos muito sobre os temas da revista, trocávamos idéias, opiniões, além de sermos divulgadores em potencial deste anuário. Além disso, a leitura dos seus quatro volumes conseguiu provocar o efeito de aumentar a nossa inconformação com o mundo tal como se encontra e com as pressões a que somos submetidos. Aliás, essa leitura facilitou bastante a nossa compreensão sobre temas de importância fundamental, e começamos a repensar valores. E, por isso mesmo, a vontade de nos aproximar das pessoas que fazem esse trabalho já existia há tempos. Tínhamos um grande interesse em conhecer os humanos que estão envolvidos na atividade de escrever e editar a revista. Na verdade, até desconfiávamos que algo de muito estranho estivesse por trás de tudo isso. Indagávamos quem seriam, afinal, essas pessoas que trabalham por puro idealismo e que criticam abertamente ícones da História como Einstein, Freud, Marx, Aristóteles, Shakespeare e outros. Obviamente ALGUÉM estava por trás de um trabalho tão corajoso e até perigoso!
Além disso, o sentimento de que já estava na hora de começar a fazer a nossa parte para contribuir com essa publicação ficava cada vez mais forte. Mas acabávamos não fazendo nada, devido a receios, dúvidas, preguiça... E, de repente, demos de cara com o comunicado sobre o GEH, que diz que chegou a hora de cada um fazer a sua parte e que a continuidade da publicação da revista dependia de nosso apoio. Recebemos isso como um ultimato. Afinal, sempre nos dizíamos livres, politizados, incomodados com muitas coisas que o sistema nos obriga a fazer, mas não estávamos nos mobilizando no sentido de nos livrar e até de combater tudo aquilo, como faz a Humanus. Finalmente tomamos a decisão de nos dirigir até a Sama.
Lá chegando, fomos recebidos por toda a sua equipe, que estava à disposição para nos atender. Nos surpreendemos com a educação e a seriedade de todas as pessoas. E, como já imaginávamos, também descobrimos que realmente havia alguém no comando de tudo isso. Esse homem nos permitiu desfrutar, pela primeira vez, da clareza e da ordem no universo das idéias e chegou mais além, alcançando uma região do nosso ser que estava adormecida. Provavelmente a nossa consciência, nosso espírito. Um êxtase. Suas palavras e energia penetraram profundamente em nós, e fizeram voar pelos ares,como um furacão, falsas idéias e teorias inúteis. Mesmo porque naquele momento sentimos, e não pensamos.
Portanto, a entrevista aqui apresentada é mais uma prova do poder da Humanus.

Amigos da Humanus - São Paulo

 

 

Entrevista com Joaquim José de Andrade Neto

P
residente da
Sama Multimídia Educação e Arte

 

Amigos da Humanus – Como surgiu a idéia de editar a Humanus?


Presidente da Sama – A idéia surgiu quando cheguei ao ponto de constatar que não havia mais nenhum jornal ou revista para ler. Todos eles tinham a mesma ideologia e, sempre de forma ostensiva, sutil ou subliminar, procuravam induzir o leitor a fazer papel de idiota, a ser supersticioso, superficial e moneyteísta, ou seja, praticante de uma única religião: a religião do capital, a religião do chamado capitalismo.


AH – Para um leitor que já leu os quatro volumes desse anuário, fica evidente que houve uma revisão em praticamente todas as áreas do conhecimento e que não faltaram críticas ácidas e incisivas para todo mundo, ou seja, comunistas, ditadores, sionistas, artistas, psicólogos, jornalistas, católicos, judeus... Resumindo, é difícil definir esta publicação. A pergunta é: Qual a linha editorial da Humanus, de que lado ela está?


PS – Ela está do lado do belo, do bom e do verdadeiro. Sua linha editorial é contundente e totalmente sem escrúpulos quando se trata de desmascarar toda falsidade e nocividade capazes de impedir o bem-estar e a alegria de viver do homem. Mas, ao mesmo tempo, ela é suficientemente humilde, respeitosa, corajosa e apolítica quando se trata de admirar e reconhecer o que há de melhor em todos os homens, independentemente de suas religiões, raças, nacionalidades e classes sociais. Ela é perigosamente justa. A Humanus transcende as posições ideológicas e os dogmas religiosos. Ela é cósmica no reino da matéria, no sentido de respeito à ordem e à harmonia do Universo, e é vertical no reino do espírito, pois está a serviço da evolução do homem.


AH – A Humanus afirma que a leitura de seus artigos pode trazer uma clareza maior sobre os mais diversos assuntos. Até aí concordamos plenamente. Ela também promove em suas páginas a prática da verdade, da humildade, da dignidade. E nós perguntamos: como podem os humanos aplicar, em seu dia-a-dia, tais práticas de virtude num mundo como esse, onde as pessoas são estimuladas ao extremo a praticar exatamente o oposto? Não é um tanto utópico e lírico tudo isso?


PS – Bom, do jeito que o senhor está falando, seria a mesma coisa a pessoa pensar que, já que ela vai morrer, então por que viver? Que sentido faz viver? Para que eu vou fazer o bem, construir as coisas, se depois não adianta nada, eu vou morrer? Então, é uma questão de gosto, de coragem, de dignidade, de honra, de justiça. No entanto, para muitos, esses princípios foram substituídos por hipocrisia, cumplicidade, interesses, guerras. Mas depende da pessoa. Tem gente que até prefere ser corrupto e hipócrita, e que acha que se tiver centenas de bombas atômicas estará seguro. E há quem só se sinta satisfeito fazendo o Bem, lutando contra as debilidades e procurando ser íntegro no mais amplo sentido da palavra. É fácil se você tentar.


AH – É impressionante a variedade dos temas abordados nos artigos bem como a profundidade e seriedade com que os mesmos são tratados. Não existe nada superficial na revista. E pela riqueza de informações, bibliografia e ilustrações, é de se presumir que um imenso acervo e arquivo estejam à disposição do Conselho Editorial. Qual é a fonte de tudo isso?


PS – De fato, a revista conta com uma biblioteca que possui mais de 60.000 livros, com os nossos correspondentes que sempre contribuem com textos e informações importantes, com diversos pesquisadores voluntários que se utilizam da internet, esse instrumento que é mágico em mãos responsáveis e bastante perigoso em mãos débeis, além de outras fontes de informação. Ainda assim, a revista não é escrita com base exclusivamente nessas fontes. Para esse trabalho, é necessário mais que isso: é preciso grau elevado de visão e interpretação de mundo por parte de quem lê e seleciona os textos.
Existem três classes de leitores: os que lêem e acreditam em tudo o que está escrito; os que lêem e não acreditam em nada do que está escrito; e os que lêem o que está oculto no texto, nas entrelinhas. Muitas vezes, de um texto pode surgir uma reportagem totalmente oposta ao que o seu conteúdo está querendo induzir o leitor a acreditar. Então, para poder montar um artigo, fazer uma reportagem que permita ao leitor chegar a uma conclusão capaz de fazê-lo auferir benefícios reais, práticos e bons, é preciso que o escritor pertença à terceira classe de leitores e tenha, acima de tudo, a determinação de falar a verdade. Se um escritor não souber ler nas entrelinhas e não souber fazer a correta interpretação dos textos que lê, ele certamente tenderá a construir um texto confundidor. É o que acontece na mídia do sistema: já se escreve de caso pensado, de forma a induzir o leitor a adotar um pensamento único, distorcido, tendencioso e, com isso, programá-lo para uma obediência servil e cega a um sistema que se torna cada vez mais opressivo, desumano e tirânico, ainda que camuflado sob o manto da democracia e da “liberdade de expressão”. Resumindo: desmanchar ciladas dialéticas, demolir falsos mitos de forma clara e documental, reunir as pérolas mais preciosas registradas nos livros escritos pelos espíritos mais sensíveis, de forma que a obra não seja uma colcha de retalhos mas sim o resultado harmônico, coerente e poético desse material, é tarefa para a Humanus. Por isso ela é capaz de despertar a atenção, e de dilatar a compreensão das pessoas, provocando transformações substanciais nas mesmas.


AH – Essa capacidade não passa despercebida e é exatamente por isso que viemos aqui, por reconhecermos, nas páginas da revista, algo de superior e diferente de tudo o que já vimos. Mas, de qualquer forma, mesmo sabendo ler nas entrelinhas, como é possível alcançar essa visão de que o senhor acabou de falar, ou seja, como surgem as interpretações tão inovadoras e surpreendentes da Humanus?


PS – A escada da evolução tem 33 degraus, que são as 33 formas da inteligência. O antipenúltimo desses degraus chama-se inspiração. Sócrates o chamava de Daimon.

 

 

 

AH - E o que o senhor entende por inspiração?

PS - É o anjo da guarda da Verdade que, às vezes, se manifesta como um passarinho azul que conta segredos nos ouvidos de seus amantes.

 

Já sabíamos que estávamos falando com o Mestre da União do Vegetal devido às matérias sobre esse assunto na Humanus I e III. No entanto, num primeiro momento, começamos a chamá-lo de Dr. Joaquim, pois, afinal, estávamos entrevistando o Presidente da Sama Multimídia. Mas, sem nos dar conta, de repente e naturalmente, estávamos chamando-o de Mestre. Não chegamos à conclusão se foi por efeito de acompanhar a forma como ele era tratado por alguns discípulos seus ali presentes ou se por um sentimento de estarmos aprendendo com a sua presença, através de suas respostas inesperadas, enigmáticas e, ao mesmo tempo, tão compreensíveis.

 

AH – A revista abrange diversos e variados temas, os quais se interligam em uma engenharia perfeita. Como é possível esta coesão, levando-se em conta que o Conselho Editorial é formado por diferentes pessoas, cada um com uma atividade, idéia, idade e anseio diversos? Qual o segredo disso?


PS – Unidade de comando.


AH – Agora queremos saber como é possível publicar um anuário de alta qualidade gráfica, ou seja, papel de primeira, impressão cuidadosa, acabamento finíssimo, ilustrações raras, isto é, de um custo visivelmente alto, sem publicidade nem patrocínio?


PS – Segundo nosso estimado amigo e correspondente internacional, Ramón Bau, trata-se de um milagre. Mas esse milagre de fato tem um custo, e esse é o preço que eu tive que pagar para criar um espaço onde a verdade impera e é exposta de forma clara e livre. Praticamente tudo o que adquiri em relação a bens materiais, durante trinta anos de trabalho ininterrupto, coloquei à disposição dessa obra, da qual a revista é apenas uma pequena parte. Confesso que eu esperava uma reação bem mais expressiva do que a que houve até então; mas, se por um lado tenho plena convicção da importância desse trabalho e é minha vontade que as pessoas se dêem conta disso o quanto antes, por outro, não tenho pressa.


AH – Portanto, financeiramente, se não fosse o patrimônio que o senhor adquiriu durante a vida e disponibilizou nesse trabalho, não existiria a Humanus?


PS – Bom, eu sempre soube que a Humanus teria que vir à luz, independentemente das implicações da publicação. Eu venho fazendo o que posso para realizar esse trabalho. Houve diversas pessoas que contribuíram com doações, mas, até agora, quem carregou o piano mesmo fui eu.


AH – Isso significa que caso alguma instituição se interesse por patrocinar a revista, não seria aceito?


PS – Aceitar nós aceitamos, mas de forma cuidadosa, porque o dinheiro é a maior tentação no sentido de macular o caráter humano, de tentar afastar as pessoas da dignidade. E esta, que é na verdade uma coisa ampla, constitui a síntese da prática de todos os atributos divinos. Uma pessoa digna é digna no amor, no trabalho, na amizade, na prática da espiritualidade. O dinheiro representa um obstáculo tentando impedir o homem de praticar esses princípios de amor ao próximo, respeito, honra, responsabilidade, justiça, paciência. O dinheiro é, na maioria das vezes, usado para obter vantagens; ele estimula a anti-paciência, a anti-humildade, a anti-sobriedade e anti-temperança quando não é usado a serviço do bem e do interesse social. É uma das formas mais perigosas de corrupção, de aliciamento e de apodrecimento espiritual. Muitas vezes, os detentores da chave do cofre dão dinheiro para os que eles consideram inimigos no intuito de tê-los na mão, manipulá-los, escravizá-los. E isso eles não vão fazer com a Humanus. Por isso, todo cuidado é pouco. Do dinheiro que eu ganhei e doei para a revista, eu conheço a procedência e sei que foi ganho com dignidade. Se houver algum empresário corajoso, que tenha afinidade com nosso trabalho e que queira fazer uma doação de forma incondicional, terá seu gesto reconhecido como uma prova de sensibilidade e de humanismo. Em síntese, sendo a atividade da empresa doadora algo útil e saudável para a humanidade, tudo bem. Inclusive, se não aceitássemos doações, o número da conta bancária para este fim não estaria em todos os volumes da revista. Mas no caso, por exemplo, de indústria de bebidas alcoólicas ou tabagista, ou ainda, de instituição financeira que vive de juros, o dinheiro não seria aceito.

 

 

 

AH – O senhor tem alguma coisa contra o dinheiro? Vocês não querem ganhar dinheiro?


PS – Como eu sempre digo, o dinheiro é o símbolo do trabalho, mas deve estar a serviço do social. Cito como exemplo o que é feito com a edição da revista Humanus, que é uma obra de utilidade pública. A importância do dinheiro consiste em permitir às pessoas o acesso a tudo que possa contribuir para a sua evolução. Trabalhar honestamente e receber o seu salário a fim de desfrutar de um bem-estar é algo bom. Conforto material, acesso a obras de arte e a livros raros, alimentos delicados e saborosos, um jardim bem cuidado, boas músicas, tudo isso é necessário para uma pessoa desenvolver a sua sensibilidade; e, para ter acesso a essas coisas, é preciso ganhar dinheiro. Então, em absoluto, eu não sou contra o dinheiro, mas sou totalmente contra o uso desumano do dinheiro. Em verdade, eu tenho verdadeiro asco de assistir a um pequeno grupo de seres egoístas e gananciosos emprestando dinheiro a juros e prejudicando as pessoas de forma individual ou coletiva, como é o caso dos países credores em relação aos países devedores, os quais planejam única e exclusivamente acumular bilhões e bilhões de dólares que são usados, principalmente, para fabricar armas e até milhares de bombas atômicas. Inclusive, ouvir pessoas falarem em resolver o problema da fome distribuindo cestas básicas, mais parece humor negro. Eu pergunto: Por que elas não revelam com todas as letras a causa da fome no mundo? Ora, se existem centenas de pessoas acumulando bilhões de dólares, como seria possível não haver pessoas passando fome? Se alguns acumulam muito, a maioria, por suposto, tende a ficar com pouco e, muitas vezes, com nada. Então, as pessoas precisam deixar de ser hipócritas e ir direto ao ponto: a fome e o desequilíbrio social são resultantes de uma prática maldita, que corresponde a uma simples palavrinha, que, na verdade, está mais para palavrão, composta de cinco letras e que começa com u e termina com a: USURA.


AH – Se a revista é de utilidade pública e é usada com objetivo social, por que ela é vendida por um preço tão alto, restringindo o acesso apenas às pessoas com recursos financeiros?


PS – Publicar a Humanus ainda não dá lucro; ao contrário, nós pagamos para trabalhar, tanto devido ao seu alto custo de realização como pelas tentativas de boicote pela mídia do sistema. A proposital falta de interesse por parte da imprensa faz com que o grande público não tenha ainda acesso à revista como deveria ter. E, por causa disso, as vendas, que são a única fonte de renda desta publicação, até agora não eram suficientes nem para cobrir as despesas. No ano do lançamento de seu primeiro número, nós a distribuímos por um valor bastante abaixo do preço de custo como forma de estímulo e promoção, mesmo porque as pessoas nunca tinham visto nada semelhante. Nesse mesmo ano, em 2000, nós também distribuímos e doamos mais de dois mil exemplares para jornais, universidades, instituições culturais e governamentais de todos os Estados do País. No entanto, não dá para ignorar o trabalho e a luta que é preciso empreender para conseguir publicá-la. E assim, nos anos seguintes, fez-se necessário procurar pelo menos cobrir as despesas, porque não há patrimônio que agüente sustentar tanta demanda. E não podemos deixar de lembrar que a Humanus é um anuário cultural que não possui a maior fonte de renda de todas as outras revistas, que é a publicidade, nem os incentivos governamentais. Ela é, na realidade, um livro de arte e cultura chamado de revista. Mas tudo é uma questão de gosto: se uma pessoa preferir comprar, por cinco reais, uma revista da imprensa do sistema, que ela geralmente lê no banheiro e em seguida descarta, a um livro de arte e cultura que merece ser encadernado, ela é quem escolhe. Para se ter uma idéia, o papel que utilizamos em sua edição custa em média R$ 70.000,00. Somem-se a isso centenas de escaneamentos, fotolitos e custos com gráfica, os quais representam mais uma pequena fortuna. E com relação à comercialização, 50% do valor da venda de cada unidade destinam-se aos distribuidores e 25% ao governo através dos impostos. E não se esquecendo de que o frete também é por conta da Editora.
O senhor há de convir que não é possível pagar os custos da revista com os 25% que sobraram. Na verdade, podemos dizer que nossos gastos representam, no mínimo, cinco vezes mais do que esse valor restante. Conclusão: a Humanus não é uma publicação só de utilidade pública, ela é beneficente, tanto em âmbito espiritual quanto material e, portanto, o senhor está equivocado, pois ela é a revista mais barata do mundo!


AH – O senhor citou um ponto intrigante que nós já percebemos há bastante tempo: é essa questão da imprensa, unanimemente, fazer de conta que essa publicação não existe, não dar espaço, não comentar, não falar absolutamente nada. O que explica isso, considerando que vivemos num país democrático e liberal, e considerando ainda que não se tem similar no gênero?


PS – Bom, a revista fala exatamente o que eles não querem ouvir, apesar de ser o que eles mais precisam ouvir. E mais que isso, expõe, com todas as letras, o que eles fazem de tudo para esconder das pessoas. Por isso é que a Humanus é anti-sistema. E talvez seja por isso que eles fazem questão de que ela não seja divulgada e que passe despercebida. Mas a formação do Grupo de Estudos Humanus é uma prova de que eles não estão conseguindo seu intento.


AH – Nós realmente temos assistido a diversas perseguições contra a revista, principalmente por parte de um grupo de judeus sionistas. O próprio artigo A Reação da Ignorância mostra isso. O que o senhor tem a dizer sobre o fato?


PS – Para o regime democrático globalista bushniano tudo é possível. O Divino Mestre Jesus, que é o único judeu que eu conheço e reconheço, e que se deu ao trabalho de vir até aqui para atualizar e humanizar o judaísmo, ensina, entre outras coisas, que as pessoas não devem atirar pedras nas mulheres; que os homens podem trabalhar durante todos os dias da semana, inclusive aos sábados; que, ao invés de olho por olho dente por dente, o homem deve amar o próximo como a si mesmo; que não deve ser hipócrita, mas seguir o caminho da verdade. E foi crucificado! Então eu não vejo nenhuma novidade nisso e observo que, em dois mil anos, eles não aprenderam nada; pelo contrário, conseguiram um verdadeiro milagre às avessas: nunca foram tão anti-pacíficos, anti-amorosos, anti-espirituais. É só ver o que eles estão fazendo no mundo. Essa questão de confundir judaísmo-religião com sionismo-ideologia política é uma forma de tentar escamotear a verdade e de confundir as pessoas. A mentira, atualmente, se tornou uma verdadeira praga. Eles praticamente a institucionalizaram e não se sentem nem um pouco constrangidos em afirmar que ela é uma necessidade. E, assim, a grande maioria das pessoas mente.
Então, existem homens que se autodenominam judeus, mas que de judeus não têm absolutamente nada, porque, se eles assim o fossem, seriam discípulos de Jesus. Podem, no máximo, se auto-intitular sionistas. Isto porque judaísmo e sionismo são coisas aparentemente semelhantes, mas totalmente diferentes na realidade. É como espírito e matéria. Jesus, o Verdadeiro judeu, é o reformador do judaísmo. O que Ele fez foi espiritualizar o judaísmo e, a partir daí, começou a ser seguido. Inicialmente, em sua grande maioria, pelos próprios judeus, depois pelos gregos, romanos e, com o tempo, pelos povos de todas as regiões que se identificaram com Seus ensinos e que se tornaram cristãos. Só que, a partir de então, com a política e com os interesses pessoais as coisas mudaram. E, paradoxalmente, nunca houve tantas igrejas que se auto-denominam cristãs, as quais existem aos milhões, mas que estão longe de ensinar e praticar a Lei Maior do Divino Mestre Jesus, que é o amor... E se eles não permitem às pessoas sequer expressar suas idéias, imagine então amar...


AH – Mas, afinal, com tantos esclarecimentos sobre a diferença entre judaísmo e sionismo e sobre os objetivos da própria publicação, e, além disso, com o arquivamento do inquérito, os judeus compreenderam a função da Humanus? Se aproximaram?


PS – Aí eu posso responder com uma música, a senhora toca violão?

 

Risos tomaram conta do recinto. Maria da Glória, meio corada, respondeu que não. Mas, mesmo assim, o Mestre mandou providenciar um. E quando ele chegou...

 

PS - Tem uma boa música do Moraes Moreira que dá para responder sua pergunta. Mas só que não sou eu que vou cantar, porque eu só canto para trazer Chamadas.

 

 

AH - Chamadas?

PS - Chamadas são cânticos iniciáticos trazidos durante o ritual religioso da União do Vegetal. E, para trazer as Chamadas, é preciso um Cháman, ou seja, o homem do chá. Eu sou o único Chá-man que eu conheço. Tem uns antropólogos aí nas universidades que vivem chamando a atenção das pessoas, daí então chaman, chaman, mas não acontece nada ou só acontece na cabeça deles. E a palavra é uma coisa bem perigosa. Ela é uma verdadeira chama. Dependendo do que a pessoa chama, ela pode até se queimar.
Mas quem é boa para cantar mesmo é a Daniele. E, além disso, ela vem acompanhando todos os acontecimentos. Canta aquela música dos sinais.

 

Gente, de repente nos lembramos de que aquela figura toda séria era a Narizinho do Sítio do Pica-Pau-Amarelo em pessoa. E começou a cantar...

Eu fui beber na fonte, eu fui comer no pé.
Você me pede que eu lhe conte mas eu não digo onde é.
Aqui já não me engano, pois tenho fé seu moço
e já não falo de oceano para quem vive no poço.
A fé, a fonte, a ponte, o pé,
você me pede que eu lhe conte mas eu não digo onde é.
Agora estou na minha, brincadeira tem hora.
Já não derramo a farinha nem jogo mais conversa fora.
Que pena, sua antena não captou sinais.
Agora você me acena por trás dos Montes Sinais.
Ai, ai, que pena são tantos ais.
Agora você me acena por trás dos Montes Sinais.

 

PS – Então é isso aí, depois de tantos ais, depois de tanto trabalho para poder contar as histórias que não estão na História, ainda tivemos que ser alvo da ignorância e da infâmia. Mas tudo é bom, porque, se não fossem esses acontecimentos, essa conversa que estamos tendo agora não existiria. Mas, se é isso que a senhora está querendo, eu já adianto que revelar a causa de tanta resistência assim, na bandeja, não será possível. Continue lendo a revista...

AH – Mestre, com licença de fazer um aparte, mas com relação àquela questão do gelo da imprensa, nem com a atriz que interpretou a Narizinho fazendo parte da equipe da revista, uma figura tão marcante na memória de todos, adorada pelas crianças, nem assim a mídia deu espaço?


PS – Aí deve ser porque eles têm inveja dela, porque ela é Narizinho e eles são narigudos.


AH – O que vocês têm feito para se defender?


PS – Temos editado a revista ininterruptamente, seguindo o ensinamento de que a defesa contra o mal é a prática do Bem. E é lamentável que eles tenham reagido daquela forma, porque, como dizia Nietzsche, “em todas as instituições onde não corre o ar penetrante da crítica pública, uma corrupção grela como um cogumelo.”
Mas voltando a três perguntas atrás, interessante é que além de eles não terem ainda se dado conta do que realmente a Humanus lhes está mostrando em relação a todas as ideologias e não terem procurado fazer um auto-exame e se aproximarem, aconteceu que alguns ex-integrantes da equipe da revista não conseguiram sustentar as convicções expressas na Humanus, com as quais tiveram afinidade por um breve período de lucidez e acabaram se afastando ou tiveram que ser afastados. Isso se deu justamente por não terem conseguido resistir ao intenso nível de pressão normalmente feito sobre quem decide bater de frente com o sistema e colocar a verdade em primeiro lugar. Em síntese, foram débeis. Porém, a debilidade é uma das características humanas que, apesar de ser negativa, é digna de misericórdia. Se os débeis se lembrassem de que transitórios são todos os estados mentais, seria mais fácil para eles ter coragem e persistência para lutar. No entanto, são semelhantes aos suicidas que acreditam serem perpétuos aqueles momentos de intensa dor e desespero que antecedem o ato de fuga da realidade da vida. Esquecem-se de que os estados de espírito cambiam e que, com um pouco mais de paciência, contando até cem ou quem sabe até mil, tudo pode ser diferente. Infelizmente eles não conseguiram fazer uma metanóia, não conseguiram transformar a tristeza, a dificuldade, a prova, numa semente de fortalecimento e de realização. O débil é um apressado que realiza um extraordinário prodígio: quanto mais débil, mais inferiorizado, e quanto mais inferiorizado, mais orgulhoso. A debilidade alimenta a inferioridade, a inferioridade aumenta a dificuldade do reconhecimento dos erros, e esta, por sua vez, se transforma em orgulho. Resumindo, trata-se de uma verdadeira alquimia do diabo.
Mas eu vejo essa triagem de pessoas como um processo natural: é como separar o joio do trigo. E o grau de exigência de conduta e retidão de caráter que é cobrado de todos que fazem parte desse trabalho que não compreende somente a Humanus, não será amenizado. Mesmo que as dificuldades resultantes desse grau de exigência possam vir a acarretar uma sobrecarga aos mais conscientes do tamanho dessa responsabilidade, isto não será motivo capaz de desviar o rumo já previamente traçado para essa Obra. Ao contrário, será motivo de maior resistência no sentido de que, em primeiro lugar, esteja sempre a verdade. Então, nosso processo é dinâmico, orgânico, e vem evoluindo permanentemente, principalmente porque para fazer certas afirmações é necessário que se tenha lastro, e isso se conquista com a prática do Bem. Por esse caminho, com certeza, a pessoa deixará de ser débil. Então, da mesma forma que é uma necessidade desmascarar e nomear os débeis de todos os tempos, é também uma necessidade reconhecer e prestar homenagem aos homens que, em suas existências, ultrapassaram os limites do óbvio, do vulgar, e buscaram o essencial: homens dotados de inteligência, sensibilidade e determinação, que não se deixaram titerar e nem manipular; homens que até se entregaram em holocausto como prova de amor e fidelidade à verdade. Enfim, humanos que deixaram gravada na História uma trajetória de vida permeada de sentimentos e atitudes elevadas e altruístas. Estes, que, propositadamente, são marginalizados e “esquecidos” pela mídia do sistema, são contemplados na Humanus com artigos que expõem a verdade sobre suas vidas e obras. É o caso de Nicola Tesla, Michael Ende, Martin Lutero, Lampião, Nicolau II, Arno Breker, Tupac Amaru, Ezra Pound, entre outros. São eles paradigmas de seres humanos, e ainda que com suas humanas imperfeições, são dotados do atributo propulsor de uma das maiores qualidades do homem: a dignidade.


AH – Quer dizer que alguns participantes desse trabalho, aqueles de ascendência judaica, não fazem mais parte do projeto?


PS – Alguns não. Mas por que o espanto? A senhora está considerando isso uma derrota?


AH – É...confesso que sim.


PS – Em verdade eu digo que se trata de uma confirmação dele e, portanto, mais uma vitória.


AH – Muitas pessoas ainda têm preconceito contra a Humanus?


PS – Graças a Deus, não. Apenas uma minoria ainda não teve a graça de sentir o sabor de viver livre do cativeiro que é o preconceito. Alegra-nos tomar conhecimento do crescente número de pessoas da América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa que vêm se aproximando. Quanto aos outros, como dizem nossos amigos John Lennon e Yoko Ono, que inclusive estarão marcando presença na Humanus V (vol. II), “esperamos que algum dia eles se unam a nós, e o mundo será Um”.

 

 

 

AH – E agora vamos falar sobre o GEH. Essa é uma alternativa de divulgação da Humanus?


PS – Também. A formação do GEH vem servir principalmente para divulgar a revista e colocar em debate planetário os temas nela abordados. É mais uma alternativa de comunicação, que pode levar nossa mensagem a um número grande de pessoas, proporcionando a elas condições de exporem suas opiniões, idéias, sugestões, apresentarem textos inéditos; enfim, trata-se de um Fórum apropriado para seres humanos que estão interessados em se aperfeiçoar na arte real da vida.


AH – O que é o GEH?


PS – O GEH é uma comunidade oficial da revista Humanus, um sítio com dezenas de artigos do anuário disponíveis, na íntegra, para leitura e que possui um Fórum que não é de debates: é um Fórum de aprendizagem. A pessoa se depara ali com textos e mensagens que ela não encontra em nenhum outro lugar. Próprios para a reflexão, para o despertar, para descobrir o caminho que conduz à Verdade.
Podemos considerar o sítio do GEH um ponto de encontro entre todas as pessoas que estão buscando respostas essenciais para a vida, que estão precisando de um norte, de um referencial equilibrado e real e que estão completamente enojadas da mesmice da mídia do sistema. Em síntese, trata-se de um espaço apropriado para quem quer aprender. Além disso, é uma forma de os leitores que se sentem sensibilizados com essa obra se envolverem mais com o trabalho que vem sendo feito. Porque, como eu já disse, nós não fazemos isso por dinheiro e tampouco por vaidade. Trabalhamos para os humanos visando esclarecê-los e encorajá-los, através do exemplo, a se opor de forma consciente e consistente a um sistema desumano e confundidor. Então, o GEH é uma forma de cada um fazer a sua parte, uma vez que a continuidade da publicação da Humanus depende disso. Na verdade, sem esse envolvimento a existência dessa revista não teria sentido. Ela existe justamente para reunir e unir as pessoas que não estão satisfeitas e se sentem agredidas pelo sistema que acabei de citar. E isso é necessário que aconteça o mais breve possível até por uma questão de sobrevivência.
Até aqui nós já fizemos todo o possível. Só não fizemos o impossível porque essa palavra não existe em nosso vocabulário. E o nosso trabalho está sendo realizado com um número reduzido de pessoas, as quais não mediram esforços para realizar tudo que até aqui está feito. Conforme eu já disse, existe uma ampla biblioteca que foi pacientemente formada ao longo de trinta anos, existe este prédio com 2.000m2 de construção no qual os senhores se encontram, existe um grupo unido e convicto de pessoas que partilham do mesmo ideal nas mais diversas áreas do conhecimento e uma sólida estrutura montada de forma organizada, eficiente e profissional; enfim, está tudo bem adiantado, o mais difícil já foi feito. Agora é só manter, dar continuidade. É minha vontade que todos façam o melhor proveito possível.


AH – A Sama tem condições de dar respaldo a todos que se interessarem em realizar algum trabalho voluntário com relação à revista, fornecendo material necessário, dando suporte, respondendo dúvidas?


PS – Com certeza. A equipe da Sama está e sempre estará a postos nesse sentido, mesmo porque aqui são todos bem dispostos. Esperamos que o GEH cumpra o objetivo de iniciar um intercâmbio de informações, estreitar os vínculos entre os humanos e, com isso, estimular e encorajar ações cuja finalidade seja contribuir de forma prática para provocar uma real melhora nas condições de vida dos homens.


AH – As universidades, enquanto instituições de ensino, poderiam fazer parte desses grupos?


PS – Ana Carola, por gentileza, abre o dicionário que está ali naquela estante na palavra universidade.

 

Esta moça, membro do Conselho Editorial da Humanus e Correspondente na Bolívia, dirigiu-se até a estante indicada, abriu o dicionário e leu num bom 'portunhol' a seguinte definição: "Instituição de ensino superior que compreende um conjunto de faculdades ou escolas para a especialização profissional e científica, e tem por função precípua garantir a conservação e o progresso nos diversos ramos do conhecimento, pelo ensino e pela pesquisa." E nosso entrevistado continua...

 

PS – É pena que essa definição seja apenas tinta em papel. Se formos analisar os estatutos das universidades, chegaremos à conclusão de que a Humanus deveria ser leitura obrigatória em todas elas. Afinal, desde o surgimento das universidades no século XII na Itália e das sucessivas fundações na França, Inglaterra, Alemanha, Áustria, estas sempre tiveram o escopo de conferir graus mais elevados de compreensão nos estudos jurídicos, filosóficos, científicos, religiosos, tendo sempre um papel importante nas consideradas lutas religiosas e também no campo político e social. E para isso sempre se teve, dentro delas, o acesso e o incentivo à leitura de obras literárias de todas as linhas possíveis e imagináveis, uma vez que o objetivo era ampliar conhecimentos e provocar mudanças sociais. Acontece que, sintomaticamente, com a implantação da “democracia” a ferro e fogo, isso foi ficando cada vez mais utópico. Assim, como já foi dito no artigo O universo das universidades, da Humanus IV, esses locais de estudos, hoje em dia, são mega-empresas altamente rentáveis nas mãos dos programadores, os quais manipulam como querem essas máquinas de fabricar diplomas e esses seres robóticos e passivos. Eles não querem mesmo que a Humanus circule nas universidades porque estaria sujeito a acontecer algum fenômeno de imprevisíveis desdobramentos. Por exemplo, em quem o senhor votou?

 

Pego de surpresa, Otávio, o mais desconfiado entre nós, que não fez nenhuma pergunta durante a entrevista, só ficou observando, respondeu em voz baixa: "No Lula".

 


PS - E a senhora?

 

Luciana respondeu que foi no Lula. E assim, sucessivamente, o Mestre perguntou para todos nós, Amigos da Humanus, e apenas dois haviam votado em branco; todos os outros responderam que votaram no Lula.

 

PS – E o que os fez votar no candidato empossado? Suas promessas de extinção da dívida externa e de recálculo da mesma? Sua promessa de fixar os juros em 1%? Afirmações fervorosas de que o salário estava achatado, o trabalhador explorado e que ele resolveria isso? É porque acreditaram que ele fosse resolver o problema da fome? Acharam que ele era rebelde, revolucionário, de esquerda? Ai, ai... Como se vê, mesmo os senhores tendo lido os quatro volumes da Humanus, que eu estou sabendo que leram, foram convencidos, pela manipulação da mídia, de que todas essas mentiras eram verdades!
No entanto, eu tenho certeza de que se as universidades estivessem tendo a humildade e a coragem de adotar a leitura da Humanus em seus cursos, e debater seu conteúdo em sala de aula de forma responsável, os senhores não teriam se enganado.

AH - Quem seria um bom presidente para o senhor?

PS - Para uma pessoa ser um presidente de verdade a condição necessária, e mais importante, é não mentir.

 

Explosivas gargalhadas invadiram o recinto.

 


 

AH - O senhor deve estar brincando. Isso é praticamente impossível.

PS - Bom, meus discípulos não mentem, mesmo porque, nos Boletins da Consciência da União do Vegetal, a mentira é passível de punição. Os ex-mentirosos que o digam.

 

Mais risos no recinto. Conforme já mencionamos estavam presentes durante a entrevista diversos discípulos da União do Vegetal que ouviam atentamente tudo que conversávamos.

 

AH – O senhor está querendo dizer com isso que o presidente tem que ser seu discípulo?


PS – Tu o dizes.


AH – Além da Unicamp, que nós já sabemos, qual a postura das universidades em relação à Humanus?


PS – Não posso negar que me entristece ver que os maiores interessados, que são os mais atingidos, não estão tão ocupados com a programação a que estão submetidos. Pelo contrário, estão tão iludidos e anestesiados que muitas vezes saem em defesa de algo que está prejudicando sua evolução e a da humanidade. Uns por medo, covardia, comodidade, ignorância, como é o caso dos universitários, e outros por orgulho, interesses pessoais e até mesmo maldade. Com relação a essa universidade que o senhor citou, tudo o que precisava ser dito sobre ela já está registrado na Humanus IV. E, com relação às demais, existem várias universidades no Brasil que, anualmente, compram ou nos enviam ofício, solicitando doação das revistas para suas bibliotecas. Mas, pela importância do trabalho que vem sendo realizado, as demonstrações de reconhecimento do mesmo por estas instituições ainda são consideradas pálidas. Resumindo, em âmbito universitário podemos constatar uma reação primária.


AH – Qual é o público-alvo da Humanus?


PS – A resposta dessa pergunta é a abertura da Humanus V, que diz mais ou menos assim:
“Um livro de arte não é amado senão pelos espíritos sensíveis; a eles é que se deve oferecer a divina flor...
São eles os únicos capazes de aspirar esse perfume vindo dos jardins remotos da eternidade.
Só eles sabem amar as tragédias que não viveram; chorar sobre dores que não são suas; porque umas e outras lhes foram ditas em uma linguagem poética na qual reconheceram a voz de um espírito irmão fazendo-lhes confidências de uma região acessível unicamente aos Humanus.
E este é um livro de arte perigoso por causa de sua coragem.”


AH – Já faz algum tempo, em algum volume da Humanus, houve uma ameaça de publicá-la em espanhol, em inglês e até em hebraico. É verdade isso? Esse trabalho está sendo feito?


PS – É, eu costumo dizer que tudo, antes de existir no plano físico, antes de se manifestar na matéria, existe na imaginação. Conforme meu testemunho no dia da inauguração da nossa nova sede, sempre foi e é nossa vontade ampliarmos o alcance de nossa voz através da edição e circulação da revista Humanus em âmbito mundial. E queremos ver o florescimento dela em diversos países. É fundamental para a saúde da raça humana a existência de um meio de comunicação independente, que provoque reflexões e revisões capazes de realizar em cada um uma transformação e inaugurar uma nova concepção de vida, que consiste em ouvir, reconhecer e seguir a única e legítima ordem de comando, que é a voz da consciência. E os obstáculos serão vencidos à medida que ampliarmos nosso conhecimento sobre a natureza dos mesmos. De nossa parte, a Humanus I já está traduzida na íntegra para a língua espanhola, e diversos artigos dos demais números já estão traduzidos para o espanhol e para o inglês. Mas a publicação da revista em outro idioma, apesar de ainda não ser uma coisa concreta, aos poucos vem se tornando um imperativo para todos os envolvidos, principalmente devido ao aumento de humanos que vivem em outros países interessados nessa obra. Então é uma questão de tempo. Tudo que eu construí no plano físico existiu primeiro na minha imaginação. Este prédio, por exemplo, eu demorei vinte anos para construir, mesmo porque todos os prefeitos dessa cidade, durante esse tempo, fizeram de tudo para que ele não existisse. Tentaram impedir o máximo que puderam. Mas eu fiz igual à história da tartaruga do Amazonas que estava andando tranqüilamente pela floresta, perto de Porto Velho, num lugar chamado Jaru. Era uma tartaruga igual às outras: paciente. E aí, lá vinha ela caminhando quando, de repente, caiu uma árvore em cima dela, tentando impedir sua caminhada. E, quando aconteceu isso, ela simplesmente esperou a árvore apodrecer e depois continuou o seu caminho.

 

A cada resposta nos surpreendíamos mais com esse nosso enigmático, arrebatador e bem humorado entrevistado. Realmente, é impossível se manter num estado de indiferença e de monotonia estando em sua presença.

 

AH - E qual a previsão para isso acontecer? Pelo menos no caso da publicação da revista em espanhol ou inglês, já que estas traduções já estão mais adiantadas?

PS - Bom, eu sou o Mestre, mas não sou profeta. Profeta é João Batista. Confio que o mais breve possível.

 

Luciana, que era, de todos nós, uma das mais interessadas nos assuntos que dizem respeito à União do Vegetal; que devorou todos os artigos sobre esse assunto; que estava ensaiando uma aproximação há tempos; e que não parava de falar durante a viagem para Campinas sobre sua apreensão diante do fato de estar na presença de um Mestre, nesse momento, não resistiu mais e interrompeu o assunto de forma intempestiva. E, embora estando um pouco receosa, falou...

 

 

 

AH – Afinal, qual a relação da revista com a União do Vegetal?


PS – Antes de mais nada, a Humanus é filha dos segredos e mistérios trazidos pela Oaska, essa fonte de Conhecimento, onde estão gravadas todas as revelações sobre a vida, sobre as Leis Divinas, o Universo e a eternidade. Sem o poder e a capacidade desse chá de trazer os homens das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento e da ilusão para a realidade, a Humanus não existiria.
Sendo assim, a maioria dos voluntários, colaboradores e pessoas que contribuíram e contribuem para a divulgação e realização dessa revista são meus discípulos. Tanto os que já estavam freqüentando a União do Vegetal antes do seu lançamento quanto os que chegaram por causa dela. São pessoas que já pertenceram a todas as correntes políticas e ideológicas e já foram crentes das mais variadas religiões, inclusive a do ateísmo. Então, a União do Vegetal é como um corpo onde circulam todos os tipos sanguíneos sem nenhuma incompatibilidade, e esse mesmo corpo possui um cérebro que pode refletir sobre todas as correntes de pensamentos com uma luz projetada no até então obscuro e desconhecido mundo interior do homem, o que é proporcionado a cada um que bebe o chá. E, nesse corpo, tudo é submetido ao filtro do coração, resultando na forma de expressão mais sincera possível.


AH – E isso não contraria a afirmação de que a Humanus é uma revista desvinculada política, ideológica e religiosamente? Afinal, a União do Vegetal não é uma religião?


PS – A resposta está na sua pergunta. É só tirar a interrogação. Antes de tudo, a União do Vegetal é um chá misterioso. Essa questão de religião ficou tão desgastada e vulgar que chegou mesmo a perder completamente seu sentido original, que é a religação com o sagrado. E essa religação, sem sombra de dúvida, acontece com todos que bebem esse fogo líqüido. Quem sente sabe. Mas, com certeza absoluta, não acontece nas consideradas religiões institucionalizadas. O chá exerce um efeito disciplinador, exorcístico, profilático e purificador. A senhora há de convir que isso não tem nada a ver com a religião que eles professam por aí. Se assim fosse, o mundo não estaria nesse estado de decadência e atraso espiritual em que se encontra, chegando às raias da brutalidade animal.
Por isso eu prefiro dizer que a União do Vegetal é uma escola de educação ampla e integral, onde a pessoa pode educar os seus pensamentos, saber da responsabilidade de fazer o uso da palavra e utilizá-la de forma equilibrada e elevada, e pode ainda aprender a ter um comportamento verdadeiramente humano, capaz de lhe permitir praticar a mais cortês urbanidade, mesmo vivendo numa selva de pedra com os mais raros faunos da espécie humana.


AH – E as pessoas têm medo de sentir isso?! Por que tão poucas pessoas fazem parte da União do Vegetal?


PS – Aaaaah... Com certeza as pessoas têm medo disso, ou melhor, vamos dizer que tinham. E de fato eu sei que é preciso coragem para repensar valores e conceitos equivocados, demolir mitos, abandonar ritos vazios, se limpar. Mas para os que conseguem ultrapassar a linha tênue e decisiva do questionamento lógico para a entrega confiante é possível verdadeiramente se deparar com o paraíso. Então, para quem gosta de Mistério, não existe nada melhor do que beber a Oaska. E nada impede alguém de se permitir essa experiência. Não é crime nem pecado; pelo contrário, é uma graça, e comprovadamente faz bem para a saúde, deixa a pessoa mais inteligente. Deus não fica bravo com ela se ela beber o chá, independente do nome do Deus, que pode ser Tupã, Alah, Zeus, O Grande Arquiteto do Universo. E isso é o que importa para um livre pensador, livre no sentido de poder pensar, agir e falar com liberdade.


AH – Espero que o senhor compreenda a insistência, mas é que realmente estava ficando impossível não entrar nesse assunto especificamente. É que não podemos nos esquecer de que estamos falando com o Mestre da União do Vegetal, mesmo porque isso é impossível estando na presença do senhor. Sabemos que esta entrevista é sobre o GEH e a Humanus, mas também não podemos perder a oportunidade de estar diante de um Mestre e não perguntar nada sobre esse assunto e sobre essa condição tão...tão... Bom, há momentos atrás, enquanto o senhor falava, eu me lembrei de uma música que diz: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... Afinal, qual o sabor de ser um Mestre?

 

Observamos que a expressão do Mestre, nesse momento, tornou-se subitamente estranha. Não sei se é possível definir de forma que se possa ter uma real idéia do que presenciamos, mas, de qualquer forma, ela tornou-se mais radiosa e ao mesmo tempo reflexiva.

 

PS - É o de quem se sente espetado por um espinho e se depara com uma gota de sangue. A seguir, contempla uma rosa e esquece o espinho porque está vendo como a rosa é bela.
É o de quem se sente espetado por um espinho e se depara com uma gota de sangue. A seguir contempla uma rosa e esquece o espinho porque está vendo como a rosa é bela.
E depois sorri, porque o sabor de ser um Mestre é saber de onde vem a rosa.

 

 

Ressaltamos que, de fato, o Mestre repetiu duas vezes a frase completa. Não se trata de um erro de digitação.


Benjamin, durante uma das reuniões de montagem desta entrevista por nós, realizadas em sua casa em São Paulo, insistia: “Não posso deixar de dar meu depoimento sobre esse momento!” E aí está.


“Nesse momento, tive a impressão de que o tempo havia mudado. Fiquei mais sensível à beleza do lindo dia e senti o sol aconchegante e radioso entrar pelas janelas, formando uma estranha sinfonia com as palavras do Mestre. As dúvidas e julgamentos, que por diversos momentos assumo que tive, se dissiparam e experimentei uma sensação de tranqüilidade e confiança que penso que nunca havia experimentado. Incrível, minha cabeça ficou quieta!... Eu, um jovem estudante de filosofia, confuso e cheio de questionamentos, fiquei com os pensamentos quietos!!!
Enquanto ainda me sentia nesse estado diferente e refletia sobre a metáfora da rosa, olhei nos olhos penetrantes de nosso entrevistado e foi como se estivesse olhando para dentro de mim mesmo. Já não ouvia mais o que estava sendo dito entre as pessoas... De repente, alguma coisa aconteceu lá na sala, que eu não consegui entender direito, mas sei que foi como se um relâmpago tivesse invadido o local, e, coincidentemente, alguém estava tirando uma foto com flash. Em seguida, foi como se um trovão ecoasse no recinto. Muito assustado, me senti como que despertado bruscamente de um sonho. E eis que percebo que o trovão era a própria voz do Mestre. Sem explicação lógica ou filosófica, num instante de excepcional presença de espírito e por sorte – porque seria impossível o Pablo anotar tudo que nesse instante ouvimos – consegui apertar a tecla do meu gravador, que estava desligado nesse momento, e ouço as seguintes palavras que eram proferidas em um tom e forma até então por mim nunca visto:

 

 

PS - O alimento de todos esses acontecimentos, de todas essas realizações e, inclusive, desse momento é o mistério. Porque, quando a pessoa pensa que não está acontecendo nada, na realidade está acontecendo tudo. Quanto mais consciente se torna o homem, mais aumenta o seu bem-estar diante do permanente paradoxo da existência. É como este jovem, tirando essas fotos: enquanto eu sei que consegui entrar no espelho, que eu vivo neste espelho, que eu sou UM com este espelho, de que serve alguém fotografar um espelho?
Então, a nossa relação, ao mesmo tempo em que pressupõe situações diferentes, ou seja, eu como Mestre e os senhores como discípulos, é apenas uma questão de ponto de vista. Ou seja, mais um paradoxo. Eu estou aqui? Eu, o Mestre, estou aqui e os senhores estão aí?

 

Exatamente aqui, nesse ponto, o Mestre olha para mim e diz: "onde o senhor está?".

"Eu, paralisado, ouço novamente a mesma pergunta: 'O senhor, onde está?' Sentindo-me apertado, aperto novamente, sem saber porque, a tecla do gravador, desligando-o, e respondo: 'eu estou aqui'. Rapidamente o Mestre diz: 'Não senhor. O senhor não está aqui, quem está aqui sou eu, o senhor está aí.' Continuei quieto, estático. E ele continuou":

 

PS - Então, tudo é uma questão de sintonia. Todo esse trabalho realizado tem como objetivo aparar as arestas do ego e eliminar as escórias da vaidade, a fim de não precisarmos filosofar sobre quem está aqui ou quem está aí. Quanto mais avançarmos no sentido de alcançar grau espiritual, mais nos sentiremos todos no mesmo lugar. Eu lhes garanto ser isso humanamente possível. E o Mestre é um referencial, um estado de espírito capaz de afastar da pessoa as tendências inferiores e despertar suas aspirações mais elevadas, fazendo cada um se sentir UM na medida em que a confiança aumenta e os questionamentos são transcendidos.

 

Impressionante. Estarrecedor. É como se ele estivesse traduzindo em palavras exatamente tudo que eu sentia. Conforme eu sentia ele falava. E, sinceramente, o sentimento que me veio é que eu e o Mestre nos tornamos Um nesse momento. Será que é isso que as pessoas sentem durante as sessões da União do Vegetal? Será essa a força estranha de que se fala nas obras sobre a União do Vegetal? Mas, quando me dei conta, a entrevista continuava, e o Málcio, que, com certeza, não estava sentindo o que eu estava sentindo, pergunta:

 


AH - Qual a matéria mais bombástica da próxima Humanus?

 

O Mestre fez uma prolongada pausa. Dirigiu um olhar penetrante para o Málcio e deu-nos a impressão de que já o conhecia. E depois respondeu:

 


PS - Essa é verdadeiramente uma pergunta difícil de responder. Quem sabe Lampião, o Capitão do Nordeste, que homenageia a vida de um homem corajoso que, durante quase um século, foi considerado um bandido; Nicolau II, Rasputin e a Revolução contra a Rússia; ou Um vulcão chamado Lutero?...

 

 

AH - Quem tem medo da Humanus?

PS - Quem tem medo da verdade.

 

Málcio, nosso veterano, num rompante inesperado, dirige-se ao entrevistado

 

AH - Do jeito que o senhor fala, até parece que o senhor é o dono da verdade!

 

Caro amigo. Não seria possível, em palavras, expressar o que, nesse momento, aconteceu. É como tentar dizer o indizível.
Mas, de alguma forma, eu, Felícia, tentarei descrever esse momento, que todos nós consideramos o mais impressionante de toda essa entrevista. Seu impacto foi de tamanha força que de lá para cá podemos dizer que algo de definitivo mudou em nossas vidas. Mesmo que de diferentes formas, todos foram abalados até às estruturas com esse acontecimento simplesmente inesquecível.
Ao final dessas palavras de Málcio, formou-se um silêncio aterrador na sala. A única coisa que se podia ouvir eram os corações batendo descompassados e em ritmo acelerado. Olhei para o Mestre e tive a nítida impressão de que ele era um ancião, não pelos seus traços, mas, principalmente pelo seu olhar. Na verdade, não me sinto em condições de descrever o que significou seu olhar nesse momento, mas sei que seus olhos tornaram-se subitamente maiores, mais brilhantes e profundamente sérios, graves.
A apreensão e o suspense eram gerais e evidentes, mas ninguém se atrevia a pronunciar uma palavra sequer. Para mim, e imagino que para todos, aqueles minutos pareceram uma eternidade: uns estavam totalmente inebriados pela situação, outros num visível estado de vigilância, prontos para reagirem ao menor sinal do Mestre, e outros ainda temerosos de uma reação imprevisível dirigida diretamente a eles. Sem conseguir sustentar o olhar nos olhos do Mestre por mais que alguns segundos, procurei observar as demais pessoas ali presentes. O que vi foi único. Nenhuma daquelas expressões, eu, como artesã e boa observadora, vi em lugar nenhum e nem em nenhuma obra de arte.
Percebi que, apesar de não ser algo absolutamente visível, o Mestre percorreu por todos os olhares e, ao encontrar o meu, me senti nua. “Meu Deus”, eu pensei, “o que está acontecendo aqui? O que é que eu vim fazer aqui? E, em seguida, o Mestre dirigiu seu olhar para o Málcio, visivelmente trêmulo, mas fazendo de tudo para não demonstrar, e, inacreditavelmente, pareceu-me que um fio de luz se formou entre os dois, que se olhavam fixamente. Nesse exato momento, tudo é interrompido pelo estrondo de uma forte batida entre dois veículos que passavam pela avenida em frente ao prédio.
Não tentarei descrever aqui as reações ali ocorridas, mas ouvimos, em seguida, uma voz imperativa que disse: ‘Calma, podem sentar-se que o Mestre não encerrou.’ Fizemos isso. Olhei para a pessoa que disse essas palavras e surpreendi-me, pois tratava-se da Cibele, uma moça bem jovem, de no máximo 19 anos, e que, por isso mesmo, não correspondia com a segurança e seriedade de sua voz. É ela quem faz o atendimento ao leitor da Humanus e foi exatamente através dela que fizemos todos os contatos para chegar até a Sama. O Mestre pediu um copo d’água, que foi servido pronta e respeitosamente (como eu nunca havia visto antes) por uma discípula; bebeu-a tranqüilamente e, para surpresa geral, sorriu para Málcio. E não posso deixar de dizer que, por mais inacreditável, paradoxal e exagerado que pareça, tive a nítida visão de um menino no rosto do Mestre. E ele respondeu, de forma pausada, com a autoridade de quem inegavelmente é superior:

 


PS - Quando o senhor proferiu sua... afirmação, eu me lembrei de uma insolente sentença que eu ouvi quando estive pela primeira vez no Paraíso. Eu ouvi uma voz que disse:
"A mentira e a Verdade são preconceitos de Deus." Sabe quem estava falando? A serpente.

 

“O Mestre, em seguida, solicitou que fosse servida água para todos. Nós bebemos e foi reconfortante. Disse então que podíamos continuar. E só nos foi possível fazer as perguntas rápidas, o famoso pingue-pongue, que havíamos programado para o final da entrevista.”

 

 

AH - Se a Humanus fosse uma canção, qual seria?

PS - Um trovão anunciando um raio; um raio iluminando a madrugada; e uma brisa soprando à beira mar.

AH - Um sonho?

PS - O sonho é sempre um prenúncio da realidade para a mãe da paciência: a vontade.

AH - Um castigo?

PS - G. W. B.

AH - Uma praga?

PS - A usura.

AH - Uma bênção?

PS - Que todas as aspirações justas se realizem.

AH - Uma frase?

PS - A Oração dos Humanus:

 

"Perdoai-nos as nossas virtudes!
É a oração que se deve rezar aos homens."

PS - Só que essa não é minha, é de Nietzsche.

AH - Um homem?

PS - Um Humanus.


 


 

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