A reação à ignorância

Acautelai-vos! Não brinquem com esta arma terrível que se chama pena!
Todo poder que se diz do Verbo pode-se dizer da pena. É necessário dizer
que a pena é o verbo cujas palavras permanecem. As idéias são leões que repousam.
Não os provoquem porque eles podem vos devorar.





 

"Lé com lé
Cré com cré
Um sapato em cada pé
Pra quem quer vencer na vida
O sucesso é o principal
Uns conseguem com talento
E outros só com festival."

Juca Chaves
Cantor popular

Já consultou dicionário, menino?

O delegado que instaurou inquérito contra o Conselho Editorial do anuário cultural Humanus, cunhado do autor da epígrafe do presente texto, promovido logo depois a delegado seccional da delegacia de Campinas (SP), deu início a um verdadeiro festival de arbitrariedades. Não se dando por satisfeito em instaurar um inquérito inepto por natureza com base numa acusação de crime de racismo e preconceito contra os membros do dito Conselho, ousou indiciar não só esses como também o dono da editora que publica a revista.1
Então, así es la vida: está mais que comprovado o fato de que a ignorância humana faz com que os aduladores sejam seguidos e os que têm coragem de dizer a verdade sejam perseguidos. A peça encenada é mais que hilária: é surrealista. A insistência em criar um crime inexistente se revela particularmente absurda diante da confusão que se fez entre os conceitos de Judaísmo e Sionismo. A reportagem da Humanus que deu ensejo à acusação, intitulada Sionismo X Nazismo: a semelhança dos opostos (Humanus II), convida a uma reflexão sobre determinados aspectos de uma ideologia política, mas os protagonistas da peça montada quiseram ver nela questões de natureza religiosa e racial. Ora, a matéria não trata de religião nem tampouco faz alusão a raça alguma, mesmo porque, conforme o próprio leitor deve ter aprendido na escola, raças só existem três: a branca, a negra e a amarela.
Tamanho disparate só poderia mesmo ter sido cometido por pessoas semi-alfabetizadas, que nem sequer se deram ao trabalho de consultar um dicionário ou então uma enciclopédia a fim de melhor se informarem a respeito do assunto. Aliás, se assim tivessem feito, teriam podido constatar que à palavra judeu atribuem-se, entre outros, os seguintes sentidos:

"Popular: Usurário / Pessoa de má índole"
(Enciclopédia W. M. Jackson).

"Popular: Indivíduo mau, avarento, usurário"
(Dicionário Aurélio Buarque de Holanda)

Os dicionários e enciclopédias nada dizem a respeito dos judeus serem uma raça à parte, não fazem qualquer referência aos judeus como raça, não dão a entender que eles tenham qualquer coisa a ver com raça!
Enfim, o desvario é tão incomensurável que só nos resta mesmo procurar inspirar nossas ações no exemplo do meigo Jesus, que apesar de certa vez haver se indignado a ponto de ter usado do chicote contra seus descarados irmãos, por fim resolveu pedir ao Pai que os perdoasse porque eles não sabiam o que faziam. E, pelo visto, alguns deles infelizmente ainda não sabem.
A instauração do inquérito, que levou pessoas idôneas e dotadas de comprovada integridade moral a serem indiciadas, só pode ser resultado de alguma armação, tendo-se em vista que armações são absolutamente comuns nesta sociedade covarde e podre, que vacila diante do chamado do Levanta-te e anda! Aqueles que tiveram tão infeliz iniciativa são incapazes de visualizar as conseqüências da irresponsabilidade que gerou toda essa chicana jurídica. Antes de terem tomado a tresloucada atitude de colocá-la em andamento, deveriam ter sido mais coerentes e pedido a instauração de um inquérito contra seus próprios patrícios, que vivem mandando e-mails para o mundo inteiro referindo-se ao Sionismo como nada mais nada menos que câncer da humanidade. Aludimos aqui, especificamente, aos integrantes da autodenominada Associação dos Judeus Ultra-Ortodoxos da Grande Nova Iorque, que vêm trabalhando no sentido de se tornarem a maior organização nos EUA empenhada na luta contra os males do Sionismo (vide carta dessa organização no presente artigo). Ou então, essas mesmas pessoas poderiam ter se ocupado em fazer uma denúncia junto ao Ministério Público no sentido de exigir que as definições da palavra judeu, tal como constam hoje em alguns dicionários e enciclopédias, sejam modificadas, uma vez que são ofensivas e induzem o leitor a ofensas.
Sabe-se que a função precípua dos dicionários é a de definir o significado das palavras. Portanto, o fato de que um vocábulo esteja dicionarizado pressupõe não apenas que ele seja aceito e considerado oficialmente como parte integrante do sistema lingüístico de um povo mas também que os sentidos a ele atribuídos (seja na variedade popular ou culta da língua) tenham sido assimilados pelos falantes. Em outras palavras, atribui-se ao conteúdo dos dicionários uma autoridade incontestável e inquestionável, do que resulta que eles sejam reconhecidos como expressão da verdade e consultados diariamente por milhões de pessoas.
Ora, sendo assim, qualificações atribuídas aos judeus nessas obras induzem os leitores a considerar todos os membros da comunidade judaica, de forma generalizada, como maus, usurários e avarentos. E, portanto, a publicação de tais considerações configura sem dúvida um crime de discriminação por parte de seus autores, e tende a perpetuar um círculo vicioso que durante séculos tem se repetido e atraído conflitos.
Bastante diferentes das designações de que aqui falamos são as alusões, na reportagem da Humanus, às pessoas de origem judaica. Neste caso, o que se tem é um texto cujos argumentos se encaminham invariavelmente no sentido de promover a paz, a união e a concórdia entre o povo judeu e os demais povos, e no qual não se faz senão chamar esse mesmo povo a refletir sobre seus próprios erros. Da mesma forma, o anuário tem chamado também à reflexão integrantes de inúmeras outras religiões e ideologias do planeta, sempre com o objetivo de contribuir para a evolução dos mesmos. Tal atitude se justifica na medida em que a propensão ao erro é uma das principais características do homem e, por suposto, todos os que tiverem condições de contribuir para o aperfeiçoamento humano têm o direito natural de se expressar livremente a fim de efetivamente poder fazê-lo.
Então, se é que existe alguém que deveria ser indiciado por crime de racismo – supondo-se que os judeus fossem realmente uma raça – com certeza não seria a Humanus, mas os autores dos dicionários e enciclopédias que aos judeus se referem em termos pejorativos. E, no entanto, os membros do Conselho Editorial do anuário é que foram indiciados, ao passo que não se tem notícia, até o presente momento, de que judeu algum tivesse tido a iniciativa de tomar qualquer medida judicial a favor da eliminação das qualificações ostensivamente desumanas, preconceituosas e discriminatórias que são atribuídas aos membros de sua etnia nas ditas obras pelos autores das mesmas. Se apenas por ter feito críticas ao Sionismo, que não passa de uma ideologia política, esta revista já foi alvo de um bombardeio de injúrias, calúnias, difamações e mentiras, imagine-se então o que poderia ter acontecido caso ela tivesse se pronunciado a respeito dos judeus nos termos que constam nos dicionários, cujos conteúdos vêm sendo repetidos por muitos já há centenas de anos!
Diante da omissão por parte dos judeus em geral no que se refere à adjetivação em questão, nós, da revista Humanus, entramos com uma representação junto ao Ministério Público a fim de exigir que a mesma seja modificada. Ou, mais especificamente falando, que as referências aos judeus como pessoas de má índole, usurários, indivíduos maus, avarentos e afins que em alguns dicionários e enciclopédias se verificam sejam daqui em diante proibidas e erradicadas dessas obras, até porque a opção delas de refletir em seus conteúdos os preconceitos populares não se estende a todos os demais povos (haja vista o fato, por exemplo, de que não atribuam aos portugueses o apodo de burros nem aos alemães o de chucrutes). Mas fique aqui registrado que por meio dessa representação não visamos prejudicar os autores das obras em questão nem os responsáveis pelas editoras que as publicam. Aliás, se num acordo de cavalheiros eles se comprometerem a excluir de futuras edições as referências apontadas nós não veremos mais sentido no prosseguimento do processo, uma vez que o objetivo da ação terá então sido cumprido.
Por definição, os contemplados com o atributo divino tradicionalmente conhecido pelo nome de inteligência não são gente dada a confundir astros com nuvens. Tal nome deriva do vocábulo latino interlegere, que designa a capacidade de ler nas entrelinhas. Só que, pelas atitudes tomadas, os que acusaram de racismo os responsáveis pela Humanus parecem não ter conseguido ler nem sequer nas próprias linhas do artigo em questão.

Criminalidade pouca é bobagem

Por uma simples questão de bom senso, ao invés de desperdiçarem seu precioso tempo e os recursos públicos com a instauração de inquéritos descabidos como aquele através do qual se tentou incriminar a Humanus, deveriam as “autoridades” de Campinas procurar cuidar de assuntos verdadeiramente relevantes, capazes de reverter em benefício para a sociedade.
A título de sugestão, mencionemos por exemplo o caso do inacreditável sumiço da carga de cocaína de mais de trezentos quilos que estava sob guarda da Delegacia do 1o Distrito Policial de Campinas e diante de seus narizes em suas próprias dependências, onde circulam diariamente dezenas de oficiais armados. Ou, ainda, aquele outro que culminou no assassinato de Antônio da Costa Santos, o ex-prefeito Toninho de Campinas, de cujas investigações, após uma dúbia e penosa atuação, a polícia dessa cidade acabou vergonhosamente afastada2. E que dizer dos já tradicionais “arrastões”, que vez por outra depenam prédios inteiros de alto padrão sem que as somas subtraídas sejam depois recuperadas ou os autores da ação capturados?

Cadê os 300 quilos de cocaína que sumiram do IML de Campinas?

O gato comeu.
Cadê o gato?
Tá no mato.
Cadê o mato?
O fogo queimou.
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu.
Cadê o boi?
Alguém comeu.

É sabido que das cidades do interior do país Campinas é hoje a campeã máxima em índices de criminalidade. Sim, senhor: muitos e grandes prodígios têm se dado no interior do perímetro urbano campineiro! Mas podemos supor que tudo isso seja de somenos importância, uma vez que o aparato policial do município permanece empenhado em investigar jornalistas, lingüistas, historiadores e físicos que trabalham de maneira voluntária visando contribuir para elucidar determinados aspectos da História que até bem pouco tempo eram desconhecidos do público em geral.
Não é preciso grandes esforços para concluir que seria bem mais fácil para a polícia instaurar um inquérito e fazer investigações para localizar um caminhão de cocaína que estava dentro de uma delegacia ou mesmo desmascarar um assassino ou um punhado de convencionais ladrões que tentar convencer quem quer que seja de que entre Sionismo e Nazismo jamais houve semelhança alguma. Optou-se entretanto pelo mais difícil, e assim é que grande parte dos integrantes do Conselho Editorial da Humanus, dentre os quais diversos judeus, tiveram que deslocar-se à delegacia a fim de prestar inúteis depoimentos. Paralelamente a essa mobilização, o ato de lançar mão de todos os tipos de pressão para tentar rotular a revista como “inimiga dos judeus” configurou um verdadeiro terrorismo. Passou-se então a amedrontar e a inibir jornaleiros a exibirem o anuário em suas bancas, muitos dos quais, sentindo-se de fato ameaçados, trataram logo de se desfazer dos exemplares que tinham. Intimidaram donos de livrarias, propagaram intensamente através da internet a pecha de revista nazista e anti-semita, manipularam os sites de busca e ainda fizeram verdadeiros escândalos que, de forma teatral e patética, tentavam enfraquecer a ação desta publicação.
Pois é, vários foram os meios através dos quais se tentou prejudicar e denegrir a imagem da Humanus. Mas isso nem mesmo nos espanta, visto que as contradições e incoerências do sistema social vigente são reconhecidamente uma vergonha nacional. Aos autores da armação, limitamo-nos a sugerir que tenham sempre presente a história daquele poeta enamorado que, além de poeta, era sultão e dono de um magnífico harém. De posse de sua lira, ele costumava declamar lindos poemas de amor inspirados em suas sedutoras concubinas, e costumava fazê-lo na presença de um escravo eunuco que há muito o servia. A cada vez que se deparava com as descrições erótico-sensuais de seu amo, o escravo se limitava a olhá-lo com ar de ceticismo e indiferença, como se tudo aquilo fosse coisa da cabeça do sultão e como se este não pudesse passar, portanto, de um poeta lírico e visionário.
Para bom entendedor meia palavra basta. De qualquer forma, como em alguns casos a ficha custa a cair, melhor é que fique claro: a revista Humanus foi idealizada para os iniciados na arte de sentir e em suas recônditas belezas. Então, definitivamente, ela não é para eunucos.

Reação inexplicável

Em 5 de setembro de 2002, por volta das 18:30hs, a TV Cultura transmitiu uma entrevista com a advogada da revista Humanus, a sra. Tatiana F. Paschoalli, a respeito da já mencionada representação encaminhada ao Ministério Público em favor da extinção das definições pejorativas do termo judeu constantes em alguns dicionários e enciclopédias do País. Logo após a entrevista foi informada que, indagada a respeito do assunto, a Federação Israelita de São Paulo limitara-se a dizer, através de um membro da B’nai B’rith, que nada tinha a declarar.
É realmente digno de nota que, ao mesmo tempo em que se insurgem contra a Humanus, prontificando-se a rotulá-la de publicação anti-semita por se ter afirmado nela, em tom neutro e sóbrio, uma série de verdades acerca do Sionismo (que ninguém critica mais duramente que a própria ortodoxia judaica), alguns permaneçam impassíveis diante do fato de que os judeus sejam grosseiramente vilipendiados em alguns dicionários e enciclopédias que circulam no País. Cria-se todo um burburinho em torno de um artigo publicado por um simples veículo opinativo, no qual não é possível detectar qualquer ofensa aos membros do povo de Abraão, e aceita-se como a coisa mais natural do mundo que as obras às quais se atribui a palavra final na conceituação dos termos da língua decretem oficialmente que esses membros sejam de fato tudo aquilo que a respeito deles os anti-semitas costumam afirmar!
Tão bizarro contraste nos leva a indagar se o que algumas entidades que se dizem defensoras dos direitos judaicos querem é mesmo promover uma transformação substancial nos relacionamentos humanos, por meio da qual judeus e não judeus possam finalmente se sentir irmanados e conviver em paz, ou se elas preferem persistir no já manjado hábito de vender a imagem de que os judeus sejam eternas vítimas por ser isto mais vantajoso. Pois é sabido que o milenar sofrimento judaico tem sido rebaixado à categoria de um bom negócio por determinados grupos que, longe de se empenharem em minimizá-lo, dedicam-se a viver dele. É o que se tem verificado por exemplo em torno da assim chamada “indústria do holocausto”, que não é senão a exploração do martírio judeu na Alemanha da Segunda Guerra com vistas à satisfação de interesses que não necessariamente coincidem com os dos sobreviventes dos campos de extermínio nazistas. Esse assunto é o tema que o escritor judeu Norman Filkenstein expõe em sua obra-denúncia A Indústria do Holocausto3 através de informações e documentos comprobatórios.
Mais que uma postura anti-ética, o comportamento descrito configura sem dúvida uma franca adesão a tudo o que de mais mórbido se possa imaginar. E, neste ponto, cabe perguntar então se a chave para a decifração do enigma a seguir não residirá precisamente nessa peculiar e assombrosa morbidez.

Enigma

É sintomático que a representação contra a Humanus tenha sido alvo de um instantâneo interesse por parte do Ministério Público, o qual se mobilizou de forma acelerada para requerer a instauração do inquérito policial contra os membros do Conselho Editorial, e que a representação feita pela Sama em relação à forma pejorativa e depreciativa com que os dicionários se referem aos judeus se encontre há meses nas gavetas do mesmo órgão público...


Farinha de outro saco

Antes mesmo da publicação de nosso difamado artigo Sionismo X Nazismo: a semelhança dos opostos, nós da Humanus já esperávamos que ele fosse suscitar reações adversas. O motivo é simples: o tema abordado é tradicionalmente polêmico, isto é, há uma tradição considerável de polêmicas criadas em torno de qualquer discussão levantada acerca de aspectos relativos ao povo judeu (como é o caso do Sionismo). Além disso, nossa abordagem, por ser inusitada, não é absolutamente fácil de classificar. Deu-se então que, tentando avaliar o novo por meio de critérios convencionais, houve quem acabasse por incluir a revista naquele mesmo velho saco das publicações anti-semitas.
Mas, como era igualmente de esperar, nem tudo foram críticas. Diversos judeus se solidarizaram com o anuário, declarando inclusive haverem apreciado em particular o artigo em questão e sua proposta de refletir sobre os erros do passado para evitar que se repitam no futuro. Aliás, conforme já frisado em nosso número anterior, uma das provas de que não há motivo para que judeu algum se insurja contra esse artigo ou qualquer outro da Humanus é o fato de que tanto os membros de seu Conselho Editorial, bem como de seus correspondentes internacionais, sejam em grande parte, pessoas de ascendência judaica, algumas das quais se empenham hoje com entusiasmo em traduzi-la para o hebraico.

  Mensagem  

Atenção, covardes!

Não queiram fazer-me sentir forasteiro em minha própria casa. Não é de hoje, nem há cem ou mesmo duzentos anos que aqui estamos. Meu bisavô, Luís Alves do Banho, capitão médico sanitarista, há cem anos combateu a peste da febre amarela e salvou centenas de pessoas nesta cidade de Campinas. E o que venho fazendo hoje é tentar livrar a todos da peste da ignorância.

Quanto aos senhores, nunca os vi tentar salvar a ninguém, nunca os vi tentar salvar o corpo ou o espírito de quem quer que seja. Aliás, muito pelo contrário. E se pensam que através de interpretações capciosas da lei, de ameaças veladas, de artifícios e pressões vão me abater ou me calar, estão muito enganados, porque eu vim falar o que tiver que falar, a quem precisar falar e quando tiver que falar.

Portanto, a mim não podem intimidar nem tampouco comprar. Nem mesmo com todas as pérolas do mar, porque as pérolas eu já as tenho, e ouso aos senhores ofertá-las, ainda que insistam em calcá-las.

Joaquim José de Andrade Neto
Presidente da Sama Multimídia Educação e Arte

 

Ponto de reflexão: de judeu para judeu

O extremo de fanatismo e superstição que culminou na perseguição da Humanus é apenas um caso entre milhares de outros no mundo. Outro desses extremos é evidenciado pelo texto abaixo, de autoria da assim denominada "Associação dos judeus ultra-ortodoxos da grande Nova Iorque". Se ao invés de terem ficado procurando pêlo em ovo nossos acusadores tivessem se incumbido de avaliar o conteúdo desse texto, aí então a questão poderia ter ficado em família, e não teriam vindo molestar quem está pagando para trabalhar no sentido de trazer a todos uma série de esclarecimentos através da divulgação de verdades históricas irrefutáveis capazes de convencer até mesmo uma toupeira, sendo que para isso seria necessário, única e exclusivamente, que ela soubesse ler e se desse ao trabalho de fazê-lo.


Carta aberta da associação dos judeus
ultra-ortodoxos da grande Nova Iorque


Nós somos uma nova organização representando judeus ultra-ortodoxos da grande Nova Iorque, a qual, nos próximos meses, despertará e sensibilizará o público americano a respeito das maquinações dos sionistas e judeus seculares que vivem em nosso meio. Nós temos como objetivo destruir a reputação daqueles judeus perversos porque é um mandamento da Torah (mitzvah ) difamá-los e degradá-los.
NÓS NOS TORNAREMOS A MAIOR ORGANIZAÇÃO NOS EUA EMPENHADA NA LUTA CONTRA OS MALES DO SIONISMO. NOSSO PRÓXIMO BOLETIM POR E-MAIL, COM 6.000 PALAVRAS, DETALHARÁ OS NOMES E A EXTENSÃO DO ENVOLVIMENTO DOS JUDEUS SECULARES EM FRAUDES, CORRUPÇÃO, ESPIONAGEM E PORNOGRAFIA NOS PAÍSES OCIDENTAIS.
O mais ilustre líder hassídico do século XX, o Grande Rabino de Satmar, Rabino Joel Teitelbaum, de abençoada memória (zeicher tzadik livracha ), tinha um ódio indescritível aos sionistas e profetizou que o amaldiçoado Estado sionista seria um dia destruído. Nós estamos vendo agora sua sagrada predição realizar-se. Apesar de o exército de Israel ter as armas mais poderosas e sofisticadas do mundo, os palestinos, com suas armas simples e bombas incendiárias, estão golpeando severamente os soldados israelenses. Além do mais, os incessantes ataques da guerrilha palestina dentro de Israel aleijaram a economia israelense e causaram o quase colapso de sua sociedade.
O Sionismo é não apenas a antítese do Judaísmo fiel à Torah, mas também um câncer da humanidade. Ou os sionistas destroem os judeus e o Judaísmo, ou os judeus ultra-ortodoxos erradicam o Sionismo. Vá ao site www.jewsnotzionists.org. A nossa sagrada Torah nos ordena exterminar todos os homens, mulheres e crianças da nação de Amalek. A nossa sagrada Torah nos ordena exterminar todos os homens, mulheres e crianças das sete nações da Terra de Canaã. A nossa sagrada Torah nos ordena exterminar todos os homens e mulheres de Midian. Os sionistas são os inimigos de Deus de hoje.
Amaldiçoados são também os judeus seculares que não comem comida estritamente kosher , que não observam o sabbath , não estudam diariamente o sagrado Talmud, cujas mulheres casadas não cobrem suas cabeças com lenços ou perucas (sheitels ) e cujos filhos vão para universidades onde estudam assuntos heréticos.
Nos próximos meses nós tornaremos públicos muitos fatos lamentáveis sobre os judeus seculares nos meios de comunicação em massa americanos. Aqui estão apenas alguns exemplos:
Eles são líderes mundiais em espionagem, em venda de pornografia e fraudes: os espiões atômicos Rosenberg na década de 1950; Al Goldstein, editor da revista Screw em Nova Iorque; Robert Maxwell, o fraudador na Inglaterra; Milken e Boeski nas fraudes do mercado acionário na década de 1980; Fastow no escândalo da Enron em 2002; a enorme fraude corrente dos assessores de impostos em Nova Iorque por Albert Schussler, Alan & Joel Edelstein, etc., etc. Os judeus seculares são, de longe, os principais fraudadores e sonegadores de impostos deste país.
Nós estaremos despertando as comunidades negra, hispânica e de brancos pobres dos EUA para o fato chocante de que eles estão empobrecidos em mais de 100 bilhões de dólares porque todo esse dinheiro foi enviado pelo governo americano para os sionistas em Israel nos 30 anos passados, e não para eles.
Os judeus seculares em Israel nem sequer são lutadores, mas covardes e fracotes. Eles nunca produziram um único atleta de primeira linha nas Olimpíadas. Eles têm a mais alta percentagem de pessoas míopes no mundo (vejam quantos soldados usam óculos). Eles agora têm de importar centenas de milhares de gentios russos para lutar em seu exército. Similarmente, os péssimos times de futebol de Israel têm de importar craques gentios para jogar por eles.
Os judeus seculares têm, fisicamente, o coração mais fraco de todos os povos. Em 1967 e 1968, o Dr. Christian Barnard fez o primeiro e o segundo transplantes de coração do mundo em Louis Washkansly e Philip Blaiberg na África do Sul. Ambos eram judeus seculares. Quais eram as chances de isso acontecer quando havia cerca de 10 milhões de judeus seculares entre bilhões de gentios em 1967?
Duas das mulheres mais desprezíveis nos EUA de hoje são duas megeras judias. Leona Helmsley, que casou-se com um magnata imobiliário gentio e herdou sua fortuna, é conhecida como "a rainha da maldade" devido a seu comportamento maldoso com seus empregados. Ela também foi condenada por fraude. Surpresa: a outra virago judia é Marjorie Knoller, que atualmente está sendo julgada em San Francisco porque seus dois cães ferozes mataram uma vizinha. Testemunhas acreditam que a morte não foi acidental. Basta olhar no rosto de Knoller que não se verá nele nenhum sinal de compaixão.
A causa direta e imediata dos ataques de 11 de setembro foi Bin Laden, que enviou seus terroristas para atingir alvos americanos. A causa que é a raiz última, contudo, foi a existência do Estado sionista de Israel, sua horripilante perseguição aos palestinos, e a relação especialmente próxima entre os EUA e Israel, que gera o ódio a nosso país entre os 1,2 bilhões de árabes e muçulmanos em todo o mundo (sem a colossal ajuda financeira que Washington dá a Tel Aviv a cada ano, o Estado sionista teria entrado em colapso há muito tempo).


Cidade de Nova Iorque, 8 de junho de 1986. Rabinos ultra-ortodoxos
protestam contra o Sionismo. “Israel é um câncer para os judeus."

Nós temos falado com líderes árabes e palestinos e os temos aconselhado a se unirem, pondo de lado as suas muitas diferenças, para confrontar o inimigo comum sionista. Ao mesmo tempo, os árabes têm de juntar-se com todos os outros países islâmicos para denunciar e combater os sionistas. Os povos árabes deveriam isolar completamente os líderes loucos do Iraque e da Líbia, Saddam Hussein e Gaddafi, e alimentar uma relação de profunda amizade com os Estados Unidos, a única superpotência mundial.
O exposto acima é apenas uma pequena amostra. Nos meses vindouros, nós exporemos milhares de fatos repulsivos sobre os judeus seculares e os sionistas nos meios de divulgação americanos.
Nós também atacaremos ferozmente os comentários falsos e malignos sobre a Torah, disseminados por rabinos conservadores e reformistas. Todos os rabinos ultra-ortodoxos proíbem estritamente a leitura de qualquer coisa do lixo que eles publicam. De acordo com a lei judaica (halacha ), seus "rabinos" são hereges (apikorsim ) e ofendê-los é uma mitzvah.
Recentemente, os judeus seculares coroaram um novo herói morto para eles, o repórter Daniel Pearl do Wall Street Journal. Que idiotice! O simples fato de que ele tenha declarado "Eu sou um judeu" antes de ser decapitado não faz dele um santo judeu. Ele não morreu como um mártir do Judaísmo (al kiddush Hashem ). Ele era simplesmente um judeu não praticante, pecador, que está sendo queimado no fogo do inferno (gehinom ).


Glossário de palavras em hebraico

i. Mitzvah - preceito; termo utilizado pelos judeus para definir uma boa ação
ii. Zeicher tzadik livracha - que sua memória seja abençoada
iii. Kosher - Comida preparada em ritual judaico e sob supervisão rabínisa
iv. Sabbath - Sábado, dia sagrado para os judeus.
v. Sheitels - chapéu usado na indumentária de judeus ortodoxos
vi. Halacha - costume entre os judeus (não tem força de lei)
vii. Apikorsim - aqueles que não acreditam em Deus; infiéis, descrentes

viii. Al kiddush Hashem - em louvor a Deus
ix. Gehinom - inferno


Processo kafkaniano

Certa vez Jesus se pôs a correr em direção a uma montanha. Intrigado com o comportamento do Mestre, um homem se pôs a segui-lo e perguntou-lhe gritando:
– Ninguém te persegue, por que corres assim?
Mas Jesus estava tão ocupado com a fuga que nem sequer respondeu. Insistente, o outro reiterou seu chamado:
– Em nome de Deus, detém-te. Quero somente saber o que acontece, pois, aparentemente, não há motivo de temor.
Jesus disse:
– Fujo de um estúpido. Sai de meu caminho, não atrases minha fuga!
Perplexo, aquele que o seguia exclamou:
– Mas como?! Tu que possuis o poder do Verbo, tu que tens curado cegos e surdos e que podes ressuscitar um cadáver soprando sobre ele, tu que és capaz de fazer um pássaro a partir de um punhado de barro estás a fugir de um simples estúpido? Por que o temor?
Jesus respondeu:
– Deus criou meu espírito e minha carne. Quando invoco Seu nome, o cego e o surdo ficam curados. Quando invoco Seu nome, a montanha se dispersa. Se murmuro Seu nome no ouvido de um cadáver, ressuscita. Em Seu nome uma gota se converte em um oceano. Eu invoquei Esse nome mil vezes diante de um estúpido, mas não houve resultado algum.
O outro indagou:
– Como é possível que o nome de Deus, que exerce influência no surdo, no cego e na montanha, não tenha efeito sobre um estúpido? Se a estupidez é uma enfermidade como as demais, como pode ser que para ela não se encontre remédio?
Jesus disse-lhe então:
– A estupidez é uma maldição de Deus ao passo que a cegueira não, pois se adquire. Os males que se adquirem merecem piedade, mas a estupidez é nossa inimiga.

Não vá ninguém pensar que era por medo que Jesus fugia: o Mestre nunca teve o que temer, pois sempre esteve guarnecido por Deus (e sempre soube bem disto). Se Ele correu, foi apenas para legar aos homens mais um ensinamento, o de que é preciso fugir dos estúpidos.
A conversação dos estúpidos faz diminuir a capacidade de discernimento de um homem do mesmo modo que o ar faz evaporar a água. Se te sentas sobre rochas úmidas, vai-se o calor de teu corpo e ficas enfermo: assim também o estúpido esfria tua natureza. Como Jesus, foge dos estúpidos!
Se os homens tivessem se dignado a seguir esse simples conselho, é certo que haveria hoje muito menos estupidez no mundo. Mas, como é fácil constatar, ela ainda abunda em diversos meios. E neste aspecto, infelizmente para a humanidade, um dos mais aquinhoados parece ser o judiciário.
Considere-se: razão e direito não são sinônimos. A lei pode conceder um direito a uma pessoa mesmo que ela esteja totalmente desprovida de razão, e não é raro que o faça. Se o agente responsável pela interpretação da lei não for alguém dotado da devida competência para exercer essa função pode ter lugar uma injustiça com conseqüências desastrosas e até mesmo trágicas. Senão, vejamos: se um estúpido faz uma denúncia, mesmo sendo mentirosa, e a seguir outro estúpido a acata, se um terceiro estúpido manda instaurar um inquérito policial e um quarto efetivamente o instaura, o que acontece? Corre-se o risco de que tenha início então um processo verdadeiramente kafkaniano. E quão longe os processos kafkanianos se encontram de constituir processos naturais!
A expressão processo kafkaniano, como se sabe, tem origem no romance O processo, de Franz Kafka. Um dia, o protagonista dessa obra, um funcionário de banco chamado Joseph K., começa a viver um pesadelo ao ter sua casa invadida por dois guardas. Eles lhe dizem que está detido e o tratam com desprezo, pegam suas roupas, comem sua comida e alegam não poderem fornecer-lhe explicação alguma acerca do ocorrido pois estão lá cumprindo ordens e realmente não sabem de nada. Assim como os guardas, o inspetor, que chega ao local pouco depois, nada sabe e nada pode informar a respeito do assunto. Por meio dele, o acusado vem a saber apenas que poderá continuar a exercer sua função no banco em que trabalha, pois três funcionários do mesmo estarão incumbidos de vigiá-lo.
Dias depois, ainda sem compreender o que está acontecendo, K. recebe um telefonema no qual é informado de que seu primeiro inquérito aconteceria na semana seguinte. Durante a sessão, K. profere um discurso em que se declara inocente e se queixa dos maus tratos recebidos. Mais tarde, o juiz lhe dirá que seu discurso frustrou a vantagem que um interrogatório poderia representar para um detido.
A certa altura, o personagem recorre a um advogado que o aconselha a escrever uma petição, mas como ele não sabe nem mesmo de que delito o acusam encontra grandes dificuldades para redigi-la. Seria preciso esperar ainda que as perguntas dirigidas a ele no curso de suas declarações lhe permitissem “adivinhar de que coisas era acusado e os motivos em que se fundamentava a acusação”6 para que pudesse ter a chance de apresentar em seu favor argumentações pertinentes ao caso.
E assim se segue a história, progredindo de absurdo em absurdo. Com o tempo, K. acaba percebendo que sua inocência não simplifica a questão, pois “há muitas sutilezas em que a justiça se perde” e ela “sempre termina por descobrir um grande delito onde de modo algum o havia”7.
Um dia, inteirado da situação de K., um cliente do banco o aconselha a procurar um conhecido seu. Trata-se de um pintor, Titorelli, que além de paisagens pinta retratos de juízes e conhece portanto pessoas de influência. Titorelli lhe explica que para seu caso há três tipos de solução: uma delas é a absolvição real, que ele nunca vira acontecer; quanto às outras, ambas requerem do acusado que se disponha a obter o beneplácito dos juízes envolvidos na causa, seja diretamente ou por meio de terceiros, procurando sempre conservar-lhes a amizade. Mas K. não se mostra propenso a fazer nada do gênero e fica aborrecido ao saber da impossibilidade de uma absolvição verdadeira.
Conforme Titorelli previra, K. jamais é absolvido, e nem mesmo chega a compreender em que é que seu suposto delito consiste. No final da história, um ano após a ordem de detenção, ele é levado por dois homens cuja identidade não é revelada, mas cujo perfil é tipicamente o do funcionário público que cumpre ordens sem questioná-las. Eles o esfaqueiam, e somente assim o caso é encerrado.
Podemos supor que o desafortunado personagem não tenha conseguido fugir do estúpido que o denunciou, daí que tenha tido que viver a tortura de um processo kafkaniano.
Em outra obra sua, um conto intitulado Sobre as leis, o próprio Kafka dirige a esse sistema uma dura crítica, dizendo, entre outras coisas, que “não há motivo para que a elite dirigente seja influenciada em sua interpretação [das leis] por interesses pessoais contrários aos nossos [do povo], pois as leis foram feitas desde sempre para favorecer a elite dirigente”8. Sem insinuar de forma alguma que a solução do impasse exija a implementação de qualquer ato de violência contra essa elite, o que nesse conto Kafka faz é apenas colocar em pauta a causa da arbitrariedade e ineficiência das leis que tão magistralmente soube retratar em O processo.


B'nai B'rith
Muy Amigos

Dentre a minoria que sem maiores exames optou pelo julgamento precipitado e acabou assim por hostilizar a Humanus, vale mencionar aqui o caso da seção latino-americana da B'nai B'rith, organização exclusivamente israelita composta da elite internacional de diversas comunidades judaicas. Durante a reunião anual de 2001 dessa entidade, que teve lugar de 14 a 16 de junho em Montevidéu, Uruguai, decidiu-se e registrou-se em ata, dentre os diversos pontos discutidos:

"Investigar quem são os correspondentes responsáveis pela revista brasileira anti-semita Humanus em outros países americanos a fim de opor-se a sua ação."


Albert Pike

Vale lembrar que a B'nai B'rith atua no mundo inteiro e é financiada para agir, seja ostensivamente ou nos bastidores, em defesa de um Judaísmo que ela parece considerar uma propriedade particular sua. Por meio de uma série de subterfúgios sutilmente nazistas (no sentido que seus membros costumam dar à palavra), a entidade tem conseguido enganar judeus do mundo inteiro levando-os a supor que qualquer crítica dirigida a alguns charlatães e facínoras que tenham nascido no povo do livro constitua um ato de perseguição e de racismo contra toda a comunidade judaica. Dessa forma, não se tem feito senão perpetuar o círculo vicioso milenar de medo e ódio que tem marcado a história desse povo, contribuindo-se assim para estabelecer uma verdadeira paranóia mundial, da qual os dirigentes B'nai B'rith fartamente se alimentam através de fundos supostamente destinados às vítimas de perseguições anti-semitas.
A verdade, doa a quem doer, é que a Humanus vem conseguindo realizar o que organizações pretensamente beneficentes como a B'nai B'rith até hoje não realizaram. Sem receber quaisquer verbas governamentais ou de entidades religiosas, mas apenas através de trabalho voluntário e com recursos de pessoas comprovadamente idealistas, a revista tem conseguido unir judeus, cristãos, muçulmanos e membros de várias outras religiões das mais diversas partes do globo por meio de um convite à prática da autocrítica, a única capaz, diga-se de passagem, de chamar qualquer ser humano à consciência.
Então, melhor seria se, em vez de investigar quem são os correspondentes da Humanus a fim de opor-se à sua ação, a B'nai B'rith tivesse a iniciativa de encaminhar seus recursos para a revista, que com certeza possui métodos mais originais, inteligentes, pacíficos e humanos que ela própria para combater as injustas perseguições em todo o mundo. Se assim fizesse, estaria mais perto de estancar o lamentável dilúvio de sangue de judeus e não judeus que tem sido derramado com o incentivo de grupos retrógrados, radicais e fanáticos. Afinal, o que a Humanus faz é combater a ignorância humana - que não é nem nunca foi exclusividade ou monopólio judaico ou de outro povo qualquer - elevando a compreensão de todos através do conhecimento e da prática da verdade.


Armand Levi


Nós, que ano a ano vimos trabalhando com afinco para que cada novo número da Humanus possa vir à luz por entendermos ser esta uma forma de contribuir para a construção de um mundo de menos discórdias e mais união, fomos surpreendidos com a atitude agressiva da seita B'nai B'rith ao constatar que ela havia levianamente nos tachado de anti-semitas. Ora, anti-semitismo é considerado crime, e fomos portanto situados por ela mais ou menos no mesmo patamar de qualquer assassino ou ladrão.
Como se vê, a ofensa não foi pequena. É de espantar que uma sociedade composta por mais de 500.000 membros, que se declara defensora dos pobres e oprimidos e paladina dos direitos humanos, que uma sociedade de mais de duzentos anos, a cujo quadro de associados pertencem personalidades de grande destaque no cenário internacional - como ex-presidentes dos EUA, formadores de opinião e ocupantes de postos da mais alta responsabilidade em todo o mundo - tenha cometido um deslize de tamanha envergadura. Afirma-se tradicionalmente em alguns recantos deste vasto Brasil que o peixe morre pela boca, e seria de grande valia que os autores do agravo meditassem a fundo sobre essa pérola da sabedoria popular.


Albert G. Mackey

Então, acusar é fácil, o difícil é avaliar com acerto e ter as costas suficientemente limpas para poder fazê-lo. Foi o que aprendeu a duras penas, certa vez, o célebre sábio sufi Hasan de Basra. Um dos recursos por ele utilizados para transmitir seus ensinamentos era o de relatar às pessoas os episódios que haviam dado origem a sua conversão e os que haviam contribuído depois para livrá-lo de estados ilusórios. Num desses relatos, o sábio contou que no passado chegara a convencer-se de que era um homem humilde. Um dia, estando ele parado à margem de um rio, viu um homem sentado. Ao seu lado havia uma mulher, e na frente deles um cantil de vinho. Pensou então:
- Ah, se ao menos eu pudesse transformar esse homem e fazê-lo como eu sou em lugar da criatura degenerada que ele é!
Nesse momento, viu que um barco no rio começava a afundar. O homem imediatamente se atirou na água, onde sete pessoas se debatiam, e trouxe seis delas, salvas, para a margem. Depois ele foi até Hasan e lhe disse:
- Hasan, se és melhor que eu, em nome de Deus, salva aquele homem, o
último que resta.
Mas Hasan descobriu então que não podia salvar sequer um homem, porque o
sétimo se afogou. O estranho lhe disse:
- Esta mulher é minha mãe, este cantil de vinho contém apenas água. É assim
que tu julgas, é assim que tu és.
Hasan jogou-se a seus pés e implorou:
- Assim como salvaste seis desses homens do perigo, salva-me de afogar-me
no orgulho disfarçado de mérito!
O estranho lhe disse:
- Pedirei a Deus que realize teu pedido.


Postura ritualística "à l'ordre" correspondente na
franco-maçonaria anglo-saxônica ao grau de mestre

Síndrome de poder

A organização B'nai B'rith, cujo nome significa Filhos da Aliança em hebraico, foi fundada nos EUA em 1843 e compreende atualmente mais de meio milhão de irmãos e irmãs distribuídos em dezenas de países da Europa e do Oriente. Trata-se da mais antiga, mais ampla e, sem dúvida, mais influente organização judaica internacional (foi a B'nai B'rith que obteve o reconhecimento do Estado de Israel pelo presidente americano Harry Truman). Dispondo de numerosos sustentáculos na classe política e no meio intelectual dos mais destacados países do mundo, os filhos da aliança são no entanto totalmente desconhecidos do grande público. Calcada sobre o modelo das organizações maçônicas, a associação tem exercido influência no cenário político internacional há quase dois séculos.
O escritor francês Yann Moncomble, misteriosamente assassinado em 1990 dias após a publicação de sua bombástica obra de denúncia O Poder das Drogas na Política Mundial, declara, seguido de vários outros historiadores especialistas em maçonologia, que existe uma relação direta entre a franco-maçonaria e a B'nai B'rith. Conta ele que em 12 de setembro de 1984 foi assinado em Charleston (Carolina do Sul) um acordo de "reconhecimento mútuo" entre Armand Levy, representante da B'nai B'rith, e Albert Pike, chefe supremo do diretório dogmático do rito escocês antigo e aceito, que representa a franco-maçonaria universal. Pouco após ter ingressado na Ordem, Pike tornou-se Grande Inspetor Soberano e decidiu consagrar-se ao mérito, havendo chegado a ser reconhecido como a mais alta autoridade maçônica.
No passado, a maçonaria, cujos objetivos originais são promover a fraternidade e a filantropia, realizou trabalhos dignos de reconhecimento, como por exemplo aquele por meio do qual contribuiu para amenizar o despotismo e o fanatismo católico influenciados pelos tempos da Inquisição. Aconteceu porém que, com o tempo, uma série de desvios acabaram por levar a organização a assimilar alguns daqueles mesmos métodos inquisitoriais que ela tão bravamente combatera, e eis que então ela passou a aniquilar e satanizar qualquer pensamento que não fizesse eco a suas ideologias. De forma engenhosamente dissimulada, o despotismo, a superstição e a intolerância antigamente censurados passaram a fazer parte de seu dia-a-dia. E tal como a própria Igreja anteriormente fizera, a maçonaria chegou por fim ao ponto extremo de ambicionar tornar-se a guardiã do mundo tanto no plano das idéias como no material.


Gravura de João Pine representando a Constituição da
Franco Maçonaria - Constituições de Anderson de 1723


Fica aqui a advertência de que se te queixas de teu inimigo não deves agir como ele para não ficares igual a ele. Conselho que, aliás, sintetiza com perfeição o conteúdo de nosso artigo Sionismo X Nazismo: a semelhança dos opostos, aquele mesmo em função do qual acabamos nos tornando alvo de suspeita de anti-semitismo. E, na verdade, como negar que as pessoas tendem sempre a ficar parecidas com aqueles que criticam? A causa disso é a exaltação: a exaltação de Luís XVI provocou a queda da Bastilha; a exaltação da Revolução Francesa entregou o poder da França nas mãos de Napoleão; e a exaltação de Napoleão, por sua vez, levou-o a terminar seus dias na ilha de Santa Helena, onde viveu custodiado e acossado por um general inglês que, qual águia de Prometeu, encarregava-se de devorar-lhe o fígado a cada novo dia que nascia.


Harry S. Truman - Presidente dos Estados Unidos da
America, maçon iniciado em 9 de fevereiro de 1909,
na loja Belton nº 450 em Missouri. Ocupou a presidência
após a morte de Franklin Delano Roosevelt,
também mestre maçon iniciado em 10 de outubro de
1911, na loja Holanda nº 8 na cidade de Nova Iorque.


Bom seria, para os próprios B'nai B'rith, que esses históricos exemplos bastassem para fazer deles uma gente mais humilde: evitariam assim ter que arcar com o peso de suas pretensões perante a justiça divina, que inexoravelmente se manifesta através dos séculos. Porém, nada leva a crer que eles venham fazendo avanços nesse sentido...
Segundo consta, a sociedade em questão tem repetido muitos dos cacoetes e contradições de sua congênere franco-maçônica. Uma das provas dessa semelhança é o fato de que associados de ambas as entidades se utilizem de determinados códigos gestuais para comunicar-se sigilosamente entre si, graças ao que conseguem a proeza de conversar sem emitir palavra, de identificar-se e trocar informações que passam despercebidas às outras pessoas. Até aí, nada de mais. O triste é que o ardil tem tido o indesejável efeito de levar aqueles que o praticam a acreditar-se mais espertos que os "profanos", que constituem nada menos que a maior parte da humanidade!


Ora, não é difícil perceber que comportamentos do gênero estão mais para o egoísmo e sectarismo que para a fraternidade humana, uma vez que as sutilezas que os definem tendem a ser usadas por quem as adota como meio de obtenção de vantagens no plano político e material. Já dizia Adler em seus psicanalíticos tratados que a luta pelo poder é capaz de explicar muito do que acontece em sociedade. E, coincidência ou não, o poder político-econômico é a marca registrada dos EUA, quartel general dos B'nai B'rith.


É lamentável que alguns dos homens que mais influenciam o destino da sociedade contemporânea não tenham conseguido alçar-se ainda a um grau mais elevado de humanidade, e que, além de tudo, façam questão de vender de si precisamente a imagem contrária. Supõem-se acima de qualquer crítica, por mais embasada e construtiva que seja, e reagem com notória agressividade a cada vez que alguém decide apontar-lhes as suas já indisfarçáveis debilidades morais.


Então, vamos ao ponto: o que os membros da B'nai B'rith não podem é locupletar-se apropriando-se do trabalho histórico realizado pelos autênticos representantes do espírito maçônico, pessoas das quais se dizem seguidores mas cujos ideais jamais compartilharam. E muito menos devem inocular nesse trabalho pesadas cargas de lixo próprio disfarçado de roupagem de filantropia e fraternidade humana. Devem sim ficar atentos e tratar de manter a devida compostura, porque há no mundo pessoas que não apenas conhecem a História como dela se recordam. E que, por sinal, por dela se recordarem é que a conhecem!

Notas

1. Um histórico detalhado do caso é fornecido no artigo A reação da ignorância, da Humanus III.
2. A respeito do assunto, vide por exemplo a reportagem Toninho: um ano depois, mistério cerca policiais¸ publicado pelo caderno Cidades (região de Campinas) do jornal O Estado de S. Paulo em 10 de setembro de 2002, em que se lê: “Um ano depois da morte do prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, ainda não foi esclarecido um ponto crucial do crime: o papel desempenhado por policiais da cidade nas investigações. Se o assassinato do político, apesar das críticas da família e da prefeitura, é considerado pela polícia de São Paulo e pelo Ministério Público Estadual um caso esclarecido, o mesmo não se pode dizer da atuação de parte da polícia campineira. Sua credibilidade foi abalada pela suspeita de tortura de inocentes e pela morte de dois dos acusados do homicídio, numa operação cuja legalidade está sendo apurada.” (por Marcelo Godoy e Silvana Guaiume)
3. Editora Record, Rio de Janeiro, 2001.
4. Secular: diz-se do religioso que participa da vida profana ou século
5. Screw: termo inglês obsceno que designa o ato sexual
6. Kafka, Franz. O processo. (tradução de Torrieri Guimarães). Editora Hemus, p.119.
7. Idem, p.151
8. Kafka, Franz. Sobre as leis. Tradução nossa a partir de versão em língua inglesa de
Willa e Edwin Muir, em: Kafka, Franz – The Complete Stories and Parables – Nova Iorque, Quality Paperback Book Club, s.d.
9. Relato extraído de Maomé, o profeta do islã, artigo da Humanus III.
10. As informações sobre a B’nai B’rith constantes neste tópico foram extraídas das seguintes fontes:
Diccionario Enciclopedico de la Masoneria – Tomo I (A-O) Don Lorenzo Frau Abrines e Don Rosendo Arús Arderiu. Editorial Kier. Buenos aires, 1891.
Enciclopedia de la Francmasonería. A. Gallatin Mackey. Editorial Grijalbo, S.A. 1981, Mexico, Barcelona e Buenos Aires.
As Constituições dos Franco-Maçons de 1723 por Anderson. Trad. e introdução por João Nery Guimarães. Editora A Fraternidade. São Paulo, 1982.
Ratier, Emmanuel. Mystères et Secrets du B’naï B’rith. Paris, Facta, 1993.
Site www.bblatinoamerica.org/uruguay/notas/nota6.htm
11. Alfred Adler (1870-1937) foi seguidor dissidente de Freud e criador da psicologia social, que enfatiza entre outros fatores a questão da luta pelo poder em sociedade.


Humanus
o poder da verdade

A mentira é como a centopéia:
tem cem pernas, mas todas curtas...

A promotora de justiça Marcela Scanavini Bianchini aos 25 de abril de 2003 requereu o arquivamento do inquérito policial instaurado contra a revista Humanus.
Afirma ela:
"Não existem elementos aptos ao exercício da ação penal. Embora o entendimento constante da requisição de instauração deste procedimento, bem como da autoridade policial que o presidiu, pondero que a hipótese não autoriza o reconhecimento de prática delitiva. (...)
"O artigo analisa fatos históricos, e a partir dessa análise realiza uma conclusão própria do que os gerou, como causa, bem como de suas conseqüências daninhas, colocadas como efeito. (...) O leitor não é obrigado a concordar com a análise realizada por seus autores, muito menos com a conclusão (...) mas discordar do que fora escrito e concluído não nos autoriza a entender que houve prática de crime."
A preclara promotora encerra o pedido de arquivamento afirmando: "Um dos pressupostos da democracia é justamente a liberdade de manifestação de pensamento (Art. 5º. Inciso IV da Constituição Federal), liberdade essa que deve ser exercida dentro dos limites legais, por óbvio, mas que deve ser aceita ainda que o pensamento exposto nos pareça absurdo".
O pedido foi acatado pela ilustre juíza de direito da primeira vara criminal da Campinas, que concluiu:
“Nos termos da brilhante r. cota retro do Ministério Público, que adoto, arquivem-se os presentes autos, fazendo-se as anotações e comunicações necessárias.
Patrícia Soares Pae Kim - Juíza de Direito

 


Meu nome é Vitória

Na Divina Comédia, Dante se refere ao diabo como o primeiro soberbo, dizendo que, por não ter sabido esperar a luz, caiu azedo. Nessa obra, a palavra luz tem sempre sentido espiritual, significando a própria graça.
Com efeito, o diabo, por ser impaciente, não soube aguardar a plenitude da graça e por isso caiu antes do tempo como um fruto que cai “azedo”. O azedo reflete o gosto amargo dos tormentos do diabo. Do mesmo modo, todos os atos humanos que resultaram da impaciência e que, por isso mesmo, não sofreram a ação do amadurecimento, dão frutos amargos. Então, quer o poeta sugerir que os maiores desvios do diabo são a impaciência e a soberba. Mas o primeiro é o mais grave, porque gerou o segundo.
Depois do misterioso encontro do anjo apóstata com o Homem no deserto, em que ocorreu o enfrentamento que durou quarenta dias e que culminou com a derrota do Confundidor, somente o tempo será capaz de redimir o insurrecto danado de sua soberba, decorrente de sua impaciência. Durante os dois mil anos transcorridos desde essa batalha entre o Homem e o diabo, a maior da face da Terra desde o início dos tempos, manteve-se acesa a esperança da vitória dos homens sobre o Adversário. Porque o episódio irradiou ecos tão poderosos que o mundo jamais poderá se esquecer da abnegada perseverança do Homem, que aos assédios de Íblis jamais se curvou.
E hoje, todos os que, guiados pela mão do mistério, têm acesso à luz e à força espirituais, não são alheios à graça de estar cumprindo a sagrada missão de trabalhar no sentido de interromper o círculo vicioso da identificação inconsciente com algo tão ilusório como o infeliz e infinitamente diminuto diabo. Que só parece grande por causa da pequenez e da mesquinhez dos homens. Que só parece forte diante da fragilidade humana. Sendo criatura, parece criador. Risível, parece risonho. Trevoso, se finge de luz.
Enfim, o rosto do diabo é como o rosto da maioria das pessoas, quando elas não têm coragem de serem elas mesmas e se conformam apenas em parecer ser o que não são. Todo o que ciente disto ficar, com certeza, o sarcasmo abandonará, e se livrará da máscara atrás da qual a angústia sempre estivera escondida a morar.
Assim, os não inconscientes, dedicados e fiéis a este mister, são os que poderão sonhar com a possibilidade de contribuir para a realização do profético poema de Victor Hugo1, realizando, cada um no seu microcosmo, o despertar da ressurreição, anunciada por Deus nos versos do poeta, que diz:

“Archange ressuscite et le démon finit.
Et j’efface la nuit sinistre et rien n’en reste.
Satan est mort; renais, o Lucifer céleste!”


(“O arcanjo ressuscita e o demônio acaba. E eu apago a noite sinistra e dele nada resta. Satan morreu. Renasce, oh Lúcifer celeste!”)

Quanto aos inconscientes, impotentes obreiros do mal, cujas investidas só fazem me estimular e me exercitar na arte real da vida, dirijo-lhes a assertiva – pela qual me reservo o direito e a graça de expressar a minha convicção – de que o poder do mal é grande, mas a coroa pertence ao Bem.
Graças ao mistério de Deus.


Extraído da obra Meu amigo, o diabo, de
Joaquim José de Andrade Neto

1. Apud Giovanni Papini, em Le Diable
tradução de René Patris -Flammarion Éditeur, Paris 1954


 

E-mail
e-mail

 

IMPRESSÃO